sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pobreza, esse flagelo!

Gente.

Gente que sofre, gente numa descida aos infernos.

Gente com FOME. 

Gente (quanta?) que tem como último recurso buscar nos contentores do lixo qualquer coisa que a ajude a matar a fome. Isto num país dito civilizado, isto em pleno século XXI.

Gente sem rumo, sem fé e sem esperança.

Gente.

Gente. Gente a quem tudo foi roubado, até a dignidade.

Gente. Novos, e velhos, a quem resta um enorme vazio.

Gente, ainda criança que cedo conheceu a maldade do homem.



E eu numa raiva surda.
E eu a querer, a exigir responsabilidades.
E eu a pedir que se faça justiça.

Onde estão os responsáveis que nos conduziram até aqui?

Os senhores do mundo?
Os senhores do mundo a tratarem-nos como marionetas.

E os senhores do mundo indiferentes ao sofrimento. 
Que lhes interessa isso? A sua zona de conforto não é intocável?!

E deixámos de ser gente. 
E converte-mo-nos em números, qualquer coisa abstracta, qualquer coisa que se soma, subtrai, manipula. 
Uma qualquer coisa sem importância.

E é a pobreza num crescendo. 

E a minha raiva, num misto de revolta, igualmente num crescendo.

E é a desolação, a mágoa, e a mágoa !


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Há momentos assim

Momentos que nos reconciliam com Deus.



Num mundo tão cruel, um mundo brutal, tão feio, tão descaracterizado, tão vazio de valores, assistir a um espectáculo destes é uma bênção.
E neste aconchego, no intimismo(?) que é este espaço, olho, enlevada, a beleza da dança, a beleza dos corpos - que bonitos são! - e curvo-me perante Homens a quem foi concedida a capacidade de idealizar, de concretizar o belo, de me/nos fazer acreditar no Homem.

Olho, enlevada, e por momentos é a paz!


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Afectos

Hoje apetece-me falar de afectos.




Hoje não me apetece falar de (de)afectos.

Hoje não me apetece falar de crianças sem colo.

Hoje não me apetece falar de velhos abandonados à sua sorte.

Hoje não me apetece falar de gente que não respeita gente.

Hoje não me apetece falar de desumanidade.

Hoje não me apetece falar de guerra.

Hoje não me apetece falar de mortandade(s).

Hoje não me apetece... 


sábado, 24 de novembro de 2012

Sábado

Sábado de chuva, sábado a pedir aconchego.

Em surdina, a magia do piano como que numa cumplicidade com Chopin.

 

 Na mesa, frente a mim, o chá que liberta o seu doce aroma.

Na mão, nas mãos, aconchegado, o livro que me fará companhia.

Abro-o. 

" - Que fazes aqui, pequeno?
- Nada. 
- Então, porque estás parado?
- Porque...
- Sabes ler?
- Sei, sim senhor.
- Quantos anos tens?
- Nove, já feitos.
- Que preferias: um chocolate ou um livro?
- Um livro.
- (...)"

in, Canetti E. (2011). Auto-de-fé. Cavalo de Ferro.

Ora aí está a resposta não esperada!
E vou relê-lo, sim!

Que gratificante é (re)ler estes Homens maiores!

Óptimo fim-de-semana.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Violência doméstica

Hoje, uma vez mais, algumas estações de rádio debruçaram-se sobre este gravíssimo problema.
Hoje, uma vez mais, o principal actor referenciado foi a Mulher.
Hoje, uma vez mais, ficaram esquecidos os velhos, porque já não têm voz.
Hoje, uma vez mais, ficaram esquecidas as crianças, porque ainda não têm voz.
Hoje, uma vez mais, ficaram esquecidos os Homens, porque raramente têm voz.
Hoje, uma vez mais, foi esquecido estarmos perante um drama transversal à família.



A morte, consequência última da agressão, é dramática, é vergonhosa, é um atentado ao direito à dignidade inerente a qualquer ser humano, seja ele Mulher, Velho, Criança ou Homem.

E hoje, uma vez mais, me espanta o facto de ninguém (?) se preocupar com as causas que levam a este drama, ficando-se, apenas, pelas consequências.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Assim vamos empobrecendo.

Tristemente, empobrecendo.

É que foi chegada a hora de Júlio Resende nos deixar.



 E partiu, o Mestre.


Recorde-mo-lo, numa das suas obras mais emblemáticas, a belíssima "Ribeira Negra" (1984). 

E assim vamos, tristemente, empobrecendo.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Magna questão

Papa reafirma (aqui) virgindade de Maria, acrescentando que o burro e a vaca não estavam no Presépio.
 

Com a quadra natalícia a chegar, estamos perante uma informação de enorme pertinência.

Magna questão, esta!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Livrarias

Entrar numa livraria, um espaço onde o livro é o elemento nobre por excelência, é como que entrar numa Igreja.
Há ali respeito, há ali saber, há ali prazer intelectual prometido. E há silêncio, e há recolhimento.
 


Há qualquer coisa de sagrado neste espaço.
 
 
E é a magia.
 

A beleza da arquitectura como que nos esmaga.
 

O recanto, o intimismo, o convite à leitura. 


 
E nós rendidos, e nós presos à leitura da obra daqueles "deuses", Homens maiores que nasceram para nos presentear com a beleza da sua escrita, da sua inteligência, da sua clarividência, do seu conhecimento acerca da complexidade que é o Ser humano.
 
"deuses"? Muito poucos atingem esse patamar. Um número infímo, os eleitos.
 
Leiamos, pois!
 
Nota: Fotos da Livraria Lello, no Porto, retiradas do Google.