quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Mãe


- Mãe. espera, está frio veste o casaco.

Por resposta, um olhar vazio numa entrega inconsciente. 
A filha aconchega-lha o cachecol, abotoa-lhe o casaco, pega-lhe docemente nas mãos e protege-as com as luvas.

 

A Mãe olha-a. No olhar vazio há como que um fugaz lampejo de lucidez.
Num sussurro:
- Menina, não tenho frio!
O braço da filha, o braço feito aconchego, feito ternura, o braço protecção envolve-a docemente.
Saem.
- Não quero que adoeças. Fazes-me tanta falta, Mãe, tanta falta!

E seguem abraçadas, num amparo mútuo.



9 comentários:

  1. Fiquei muito comovida com este seu post.
    Perdi a m/mãe há 15 anos e ainda me faz MUITA
    FALTA.Obrigada pelo seu registo no meu blogue.
    Se quiser visitar outro blogue meu, que completou
    um ano em Janeiro:
    http://sinfoniaesol.wordpress.com
    Não aceita seguidores, mas aceita comentários.
    Bj.
    Irene Alves

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    1. Também já perdi a minha, por isso sei do que fala.
      Penso que é uma mágoa que nunca se desvanece completamente. Pode adoçar-se, mas desaparecer, nunca.
      Não tem que agradecer. Passei, por mero acaso, gostei, fiquei.
      Logo que possa vou espreitar a "sinfonia".

      Bj.

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  2. E há momentos assim. Vinha feliz por um abraço dado.
    Li o texto.
    Um arrepio percorreu-me o corpo e o estômago contraiu-se, depois, o coração acelerou e fiquei com calor. Uma reacção provocada pelo medo, um pânico escondido que eu costumo enterrar no mais fundo de mim e que conseguiu chegar à superfície.
    Estou triste.
    Sabe? Os homens também choram.

    Abraço grande

    Abraço grande

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    1. Congratulo-me por si. Porquê? Porque tem (ainda) a capacidade de chorar.
      Há Homens que por vergonha, insegurança, e vergonha, uma vez mais, perderam a capacidade de chorar. É que o sofrimento não é exclusivo da Mulher!

      Há, há momentos assim!
      De angústia, medo, um medo dificilmente controlável, um medo que corrói, mas, por favor, tente apaziguar-se, tente viver os momentos bons, tão bons, que a vida lhe oferece.

      Um abraço grande, grande, tão grande quanto a angústia que involuntariamente lhe causei.

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  3. Arrepiante... no final, fazemos todos tanta falta uns aos outros...

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    1. Fazemos mesmo, só que por vezes, no meio do frenesim que é a vida, nem nos damos conta disso. É que sem amor, sem afecto, não se vive!

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  4. Olá GL,
    Estive ausente algum tempo a acompanhar o meu marido numa pequena cirurgia a que foi submetido. Por coincidência, talvez pela acumulação de emoções, eu estava com vertigens, e o meu marido dizia-me, não adoeças porque fazes-me muita falta!...e quando regressei a casa e vim espreitar os blogues, deparei-me com o seu post sobre o mesmo assunto e com a mesma frase... Achei muito curiosa a coincidência. Fazemos muita falta uns aos outros, todos nós temos as nossas fraquezas e precisamos da cabeça, do ombro, do braço, da perna do outro, para nos ajudar a pensar, a permanecer de pé e a caminhar com o apoio do outro, não interesse o grau de parentesco. Um amigo também nos faz sempre muita falta pois complementa a nossa existência. A MINHA QUERIDA MÃE TAMBÉM ME FAZ MUITA FALTA! todos os dias a tenho no meu pensamento, como se fosse uma luz interior a ilumiar o meu caminho!
    Continuemos todos ligados como amigos neste espaço virtual, a blogosfera, pois fazemos falta uns aos outros, como uma terapia (sádia).
    Um beijinho para si GL, com amizade.
    maria eduardo

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    1. Olá Maria Eduardo,

      Nem sabe o quanto gostei deste seu comentário! Revejo-me em cada uma das suas palavras.
      Fazemos sim, muita falta uns aos outros. A vida não pode, não deve ser um vazio, um olhar para dentro, um mundo sem afectos, um mundo sem braços que se estendem, que sabem amparar, que sabem confortar.
      Se soubessemoas a força que pode ter um simples abraço, um sorriso, um "olá". Coisa tão simples, mas tão simples, mas que podem fazer a diferença.
      Espero que estejam ambos recuperados: o marido da intervenção, a Maria Eduardo das vertigens.
      Tudo de para ambos.

      Um beijinho e boa semana.

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    2. Maria Eduardo,

      Desculpe.
      Tudo de bom para ambos, e não "Tudo de..."
      Ai, ai!

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