quinta-feira, 11 de abril de 2013

Mães Coragem

Vem este post a propósito de um outro, intitulado "Trabalho de parto (2)", e publicado pela "maepreocupada" (aqui).


O post em questão aborda a dor de uma Mãe perante a morte de seu filho.
A mágoa que isto me causa! De cada vez que sou confrontada com esta realidade considero estarmos perante uma alteração da lógica da vida.

É "lógico" o filho antecipar-se, na morte, à Mãe?
É "lógico" uma Mãe sofrer esta perca?
É "lógico"...?   

Sim, eu sei, aqui não há lógica! Aqui há dor, aqui há o sentimento de um imenso vazio, aqui há o desmoronar do mundo.    

Nunca mais esquecerei uma Mãe que conheci, que perdeu o seu filho único, o seu menino, o seu projecto de vida (quer queiramos, quer não, um filho representa sempre um futuro, algo nosso que se projecta para além de nós) e que, de um dia para o outro, envelheceu anos, mas envelhecer inclusive em sentido físico.
Como é que é possível num espaço de tempo curtíssimo a cara transformar-se numa ruga, o cabelo, num manto branco?! 
E eu numa aflição perante a impotência em acalmar tamanha dor.

Depois?
Depois temos outras Mães, também elas Mães Coragem, que à semelhança de todas as outras sonharam vidas, mundos para os seus meninos.
Quanto a estas, alguém que não eu, escreve:

"A mãe deu à luz.
A mãe entrou na escuridão.
A mãe fez o luto pelos sonhos que tinha para o filho.
A mãe procurou uma nova luz.
A mãe trouxe o filho para essa luz.
A mãe sonhou novas ilusões.
A mãe nunca deixou de ter contracções.
A mãe nunca deixou de pedir ajuda a Deus.
A mãe tem medo de certa luz..."

Perante esta(s) Mãe(s)?
Curvo-me, faço silêncio!


8 comentários:

  1. Olá GL,
    Deve ser uma dor sem peso e sem medida quando uma mãe perde um filho. Um filho é um fruto de amor gerado no ventre da mulher fazendo parte do seu próprio ser cujas raízes se projectarão na construção do seu futuro e quando essas raízes se quebram o seu futuro desmorona-se, fica sem sentido, sem rumo, sem esperança e sem coragem. A essas mulheres, Mães-Coragem, eu ajoelho e rendo a minha grande e sentida homenagem, já que não teria palavras para a consolar.
    Um tema demasiado profundo, pois quando perdemos um animal de estimação sentimos que o nosso mundo se abateu, quanto mais perder um filho que sai dentro de nós. Não sou mãe mas imagino a extensão dessa dor.
    Um beijinho GL

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    1. Olá Maria Eduardo,

      Estamos perante uma dor com uma dimensão que nos ultrapassa.
      É qualquer coisa inimaginável, brutal. Uma dor que rouba não só o chão, mas a vida.

      Beijinho.

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  2. Na verdade relativa de todas as coisa

    tudo se move

    até o vento

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    1. Há verdades em que a relatividade não funciona.
      O vendaval, ainda que demasiado forte, não tem força suficiente para apaziguar ESTA verdade.
      É o luto, o luto mais doloroso.

      É o luto.

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  3. A esperança vive em mim,
    amanhece comigo,
    percorre o dia todo
    e, quando anoitece, ela está ainda mais fortalecida
    Desejo a você
    que também tenha sempre a esperança,
    que ela permaneça sempre em seus pensamentos.
    Que as estrelas iluminem e guiem seus passos.
    Que Deus abençoe seu final de semana.
    Beijos no coração carinhos na Alma.
    Evanir.

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    1. Temos por hábito afirmar que a esperança é a última a morrer, só que por vezes é tão difícil, mas tão difícil mantê-la!...

      Beijinho.

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  4. Aí como eu entendo este post. Há dias fui ao funeral de uma menina de 8 anos,
    que morreu de morte fulminante!...Vi a dor dos pais e ainda hoje estou sempre
    a rever a cena. Não é justo, os pais deviam morrer sempre primeiro que os filhos.
    Desejo que esteja bem.
    Bom fim de semana.
    Bj.
    Irene Alves

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    1. Olá Irene,

      Acredito que não tenha sido fácil estar perante esses pais.
      O que é se faz numa situação dessas? O que é que se faz quando somos confrontados com tamanha dor? Dão-se as condolências? Dá-se um ombro onde chorar?
      O que se faz, diga-me, o que se faz?!

      Boa semana.

      Beijinho.

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