sexta-feira, 21 de junho de 2013

Inéditos de Fernando Pessoa

O primeiro número da Granta (que recomendo vivamente) publica uma série de poemas inéditos da autoria de Fernando Pessoa.
Aqui fica um, seleccionado ao acaso. É que gosto de todos!



[QUE POSSO EU DAR]

"Que posso eu dar ao teu destino? Nada.
Nem eu mesmo sou feito para dar.
Encontrei-te na curva de uma estrada
E esqueci-me de curva e do logar.

Se havias de mandar no meu andar,
Saberias a hora da chegada,
Nem tudo fica, como o chão, na estrada 
E não ha mais que ver ou que buscar.

Perfeitamente conhecedor d'isto, 
O juizo humano em minha companhia
Não descobre a visão de que consisto,

E entre visões, aliás, a gloria passa
Como a ultima saudade que ha no dia
E o ultimo sonho, e a última desgraça.

                                                    16/10/1929"

in, Granta Portugal / dir. Carlos Vaz Marques. Nº 1 (Maio de 2013): Lisboa: Tinta da China, pág. 113

Nota: Não transcrevo a nota de rodapé constante na Granta. A mesma remete para a hipótese deste poema estar relacionado com o namoro de Fernando Pessoa e Ofélia Queizoz.


BOM FIM-DE-SEMANA! 



15 comentários:

  1. Excelente ideia.
    Bom fim-de-semana

    ResponderEliminar
  2. Já tinha lido este poema que muito aprecio.
    Fernando Pessoa é uma paixão antiga.

    As Cartas a Oféilia é o que gosto menos. Preferia que elas se mantivessem em segredo.

    Bom fim-de-semana!
    Beijinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois, as Cartas a Ofélia!...
      Partilho da sua opinião. Há sentimentos que não deviam ser devassados.

      Contudo, e se alguma vantagem há, é a de conhecermos o nosso Pessoa inteiro, tal qual era, quer na genialidade, quer na infantilidade que a paixão não perdoa.

      Boa semana.
      Beijinho.

      Eliminar
  3. Respostas
    1. Pessoas.

      Umas mais pessoas do que outras!

      Eliminar
  4. Também gosto deste poema. Quanto às cartas a Ofélia, penso como a GL, há sentimentos que não deviam ser devassados, mas a vantagem é a de ficarmos a conhecê-lo melhor por dentro e por fora!..
    Um beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pessoa é, um dos nossos poetas maiores.
      Frase feita, dirá. Mas não. É que lé-lo é sempre um deslumbramento, e isto pela sua imensa capacidade de continuar a surpreender-nos.

      Beijinho.

      Eliminar
  5. Olá "GL",

    "Granta"...não quer falar mais um bocadito dela?

    Abraço grande

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá,

      Ui, que atrasada estou na(s) resposta(s)! As minhas desculpas, mas ando tão preguiçosa!:)

      Por certo já comprou a "Granta", portanto tudo o que lhe possa dizer é desnecessário.
      Como vê o tratamento que é dado ao "Eu"?
      Afinal, o que é o "Eu"?

      Abraço grande.

      Eliminar
    2. Olá Gl,

      Não comprei a "Granta", mas não faz mal, eu investigo por aí, embora saiba que será difícil.
      O "Eu"?
      Não sei, por vezes "Eu" não é nada!

      Eliminar
    3. Esqueci-me do abraço grande!

      Eliminar
    4. Uma questãozinha, pequenina, pequenina. Posso?
      A "Granta" esgotou? E vai investigar o quê?!

      Muito bem!

      Colaboram neste 1.º volume nomes como:
      Dulce Maria Cardoso, Valério Romão, Saul Bellow, Hélia Correia, Ricardo Felner, Fernando Pessoas, Ryszard Kapuscinski, Afonso Cruz, Daniel Blaufuks, Simon Gray, Rui Cardoso Martins, Orhan Pamuk, Rachel Cusk e Valter Hugo Mãe.
      Tenho certeza que conhece alguns destes nomes.

      Temos várias análises do "eu", desde as mais simples, às mais elaboradas.
      Óbvio, dirá!
      O "eu"?
      Temos o "eu" individual e "eu" colectivo, o "eu" que exercido sobre o(s) outro(s).
      Simplista esta "explicação"? O mais possível!

      O "eu" não é nada? Uma abstracção? Considera isso possível?

      Esquecia-se do abraço?
      Imperdoável!

      Abraço grande, grande.

      Eliminar
    5. Obrigado, GL, por "responder" à minha questão.
      Relativamente ás suas questõezinhas:
      Julgo que não, que a "Granta" não esgotou, mas posso investigar! :)
      E porque não um eu como abstracção? Fascina-me!

      Abraço grande

      (O mail do blog recebe mensagens :))

      Eliminar
    6. Não tem que agradecer!
      O "eu" uma abstração? Fascina-o esta ideia? Meu Amigo, esta discussão levar-nos-ia longe.

      Para que conste.
      O mail do blog recebe, e envia, mensagens...

      Abraço grande.

      P.S. ...que "eu" é o seu?!

      Eliminar