terça-feira, 9 de julho de 2013

Globalização da indiferença.


A indiferença, na classificação do Papa Francisco, uma classificação inquestionável.


Quem se preocupa com o drama, a morte e o sofrimento de milhares de imigrantes de Lampedusa? 
Estamos perante um dos maiores dramas dos nossos dias, mas...?
Quem procura ajudar aqueles milhares de pessoas? Quem os ajuda a minimizar a miséria em que vivem e da qual procuram fugir?

«Imigrantes mortos no mar, nesses barcos que em vez de ser uma via de esperança se transformaram num caminho de morte», afirmou o papa. Francisco disse ainda que o ser humano actual está imerso na cultura do bem-estar, «que nos leva a pensar em nós mesmos, nos torna insensíveis ao grito dos outros».
in, http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=643266 

O olharmos apenas para nós, para os problemas que nos afligem,  a preocupação com a nossa própria  sobrevivência, (uma heresia, esta classificação!) esta visão limitada ao nosso "mundinho", este centralizar de preocupações, torna-nos cada vez mais pobres: pobres de bens, mas pobres essencialmente de sensibilidade, de solidariedade, de amor pelo Outro.   

Por tudo isto não posso deixar de me regozijar com a iniciativa do Papa Francisco em visitar Lampedusa. 
Esta visita é muito mais do que isso. É um alertar de consciências ao qual nenhum de nós devia ficar indiferente.

NOTA: Itálico e sublinhado meu.


14 comentários:

  1. Esperemos que se possa ir além do é preciso que algo mude para que tudo fique mesma.

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    1. Estamos perante um Homem que vai mais além, que está atento à realidade do mundo em que vive. Este facto, por si só, faz a diferença.

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  2. GL,
    É pertinente tudo o que afirma. Olhamos demasiado para o nosso umbigo.
    Fez-me lembrar Tomasi de Lampedusa que relatava uma sociedade da sua época. Talvez seja descabido colocar aqui isto mas quando leio um texto faço logo cruzamento de ideias.
    Beijinho e obrigada por esta postagem.

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    1. ana,

      Cada vez mais esquecemos o Outro, espezinhamos, desrespeitamos, viramos a cara porque há coisas que incomodam. Não sou melhor nem pior que ninguém, só não entendo esta forma de estar na vida.
      Quanto a Tomasi de Lampedusa? É sempre bom recordá-lo!

      Beijinho.

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  3. espero que não solte os diabos. que nos habitam braço dado com os anjos...

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    1. Seja como for, é um bom indício!
      Quantos responsáveis(?) se preocupam com esta, e outras situações semelhantes?!

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  4. Também acho que o Papa Francisco está a marcar a diferença e a despertar as consciências deste mundo onde a indiferença, a insensibilidade e a desumanidade estão a ultrapassar todos os limites. É um exemplo a seguir por toda a humanidade.
    Gostei muito desta abordagem.
    Um beijinho e uma boa quinta-feira
    p.s. Já vi a multiplicação do seu comentário, mas não tem importância.

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    1. Tenho uma certa esperança que este Homem não fique indiferente à desgraça, à miséria que aflige milhares e milhares de Seres humanos, e nas mais diversas situações.

      Beijinho.

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    1. Talvez alguém, alguns, lhe sigam o exemplo!
      Esperança remota, mas esperança.

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  6. GL,
    Venho do blogue Presépio com vista para o cana, só para dizer que adorei saber que partilha o gosto por gatos. Já tive uma gata siamesa e outra persa. neste momento tenho dois que são o negativo um do outro, o mais velho é o retrato do Silvester mas com nariz preto e ela é amorosa. São uma companhia. Aqui fica um poema que adoro. Beijinho.:)


    Luva Branca
    (Poderia arrumar em prosa a poesia deste conto.
    Apeteceu-me alinhar em verso a prosa dele)

    O meu gato está velho,
    tem dezoito anos.
    Deixou a um canto
    há muito
    o seu novelo de trapos.
    Ele tem frio,
    tem frio nas suas luvas brancas.
    Luvas brancas, sim, luvas brancas,
    porque ele é fidalgo
    o meu gato.
    Mas agora está cansado e velho,
    tem dezoito anos.
    Ali está, a um canto,
    o seu novelo de trapos.
    O ratão clássico da fábula
    é agora único
    e todo-poderoso
    senhor das águas-furtadas.
    Já lá vai o tempo
    -só de lembrar estremece-
    em que temia a luva branca
    (luva branca de fidalgo,
    não esqueçais)
    do meu gato.

    O meu gato tem frio,
    frio nas suas luvas brancas.
    A custo pulou para a cadeira
    onde costuma dormir a tarde inteira
    e lá ficou que tempos
    a filosofar.
    Porque o meu gato
    está velho
    e com velhice
    tornou-se filósofo.
    Pensa muito, creio bem,
    no calor de um raio de sol,
    do sol que ele outrora desprezava
    quando corria
    -que ridículo!-
    atrás do novelo de farrapos.
    O deus do meu gato é o sol.
    Porque pensaram também os homens
    que o sol é que era Deus?
    Deixai o sol ser o deus dos gatos
    e procurai
    o deus que aquece as almas.
    O sol é o deus do meu gato,
    mas às vezes,
    quando não há sol,
    ele põe-se a filosofar
    sobre o calor
    dos meu joelhos...
    e assaltam-no então
    tão sérias dúvidas!

    O meu gato
    está velho
    filósofo
    tem dezoito anos
    e frio nas suas luvas brancas.
    Veio ter comigo.
    Digo-lhe:
    "Pede a um raio de sol
    que te aqueça".
    Há um fio de sol,
    um pobre doirado fio de sol
    que coa pelo vidro partido
    e vai cair
    num degrau da escada.
    Ali se enroscou
    o meu gato.
    Mas, quando o raio de sol
    fugiu,
    veio a correr
    pedir calor
    aos meus Joelhos.

    Fernando Campos

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    1. Ana,

      Obrigada, muito obrigada!
      Penso que só quem os ama como nós entende este amor incondicional, porque reciproco.

      Vou tomar a liberdade de postar este poema (espero que não leve a mal) e uma fotografia da minha amiga de sempre.

      Beijinho.

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  7. Sobre esses imigrantes: uma imagem que nunca esquecerei e em que as palavras do Papa Francisco servem, na perfeição, de legenda.
    Uma praia ao pôr-do-sol. Dois cadáveres - "Imigrantes mortos no mar, nesses barcos que em vez de ser uma via de esperança se transformaram num caminho de morte"- cobertos com plástico. Um polícia com ar entediado e muito perto, demasiado perto, duas toalhas de praia esperam por um jovem casal que joga ténis de praia.

    Abraço grande

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    1. E não nos devíamos envergonhar?
      A indiferença perante a miséria e o sofrimento alheio é quase obscena. No caso que refere nem a presença, ali ao lado, da morte, alterou comportamentos, acordou consciências.

      Perdoe-me, mas apetece-me gritar: QUE RAIO DE MUNDO É ESTE?????

      Abraço grande.

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