sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tu, sempre!


A minha Amiga que já partiu há tanto tempo, mas que continua tão presente.

Sabes? 
Ainda te "sinto" ronronar. Ainda te "sinto" a meus pés. Ainda te"sinto" atrás de mim. Ainda te "sinto" a querer partilhar tudo o que fazia. Ainda te "sinto" à minha espera quando chegava.
Ainda...
Ainda "vejo" os teus olhos magníficos. Ainda te "vejo" nessa posição, a olhar para trás, para confirmar que não me tinha ido embora.  

Por que é que ainda "te sinto" com tanta intensidade? 
Chama-se a isto saudade, sabias?!


A Amiga Ana, do blog (In)Cultura (aqui) tendo-se apercebido do meu amor - um amor que também conhece -  por estes tão dedicados Amigos, teve a amabilidade de me enviar o conto, que publico abaixo.

Porque me diz muito, pela gentileza, aqui fica com um grande Obrigada à Ana.

"Luva Branca
(Poderia arrumar em prosa a poesia deste conto.
Apeteceu-me alinhar em verso a prosa dele)

O meu gato está velho,
tem dezoito anos.
Deixou a um canto
há muito
o seu novelo de trapos.
Ele tem frio,
tem frio nas suas luvas brancas.
Luvas brancas, sim, luvas brancas,
porque ele é fidalgo
o meu gato.
Mas agora está cansado e velho,
tem dezoito anos.
Ali está, a um canto,
o seu novelo de trapos.
O ratão clássico da fábula
é agora único
e todo-poderoso
senhor das águas-furtadas.
Já lá vai o tempo
-só de lembrar estremece-
em que temia a luva branca
(luva branca de fidalgo,
não esqueçais)
do meu gato.

O meu gato tem frio,
frio nas suas luvas brancas.
A custo pulou para a cadeira
onde costuma dormir a tarde inteira
e lá ficou que tempos
a filosofar.
Porque o meu gato
está velho
e com velhice
tornou-se filósofo.
Pensa muito, creio bem,
no calor de um raio de sol,
do sol que ele outrora desprezava
quando corria
-que ridículo!-
atrás do novelo de farrapos.
O deus do meu gato é o sol.
Porque pensaram também os homens
que o sol é que era Deus?
Deixai o sol ser o deus dos gatos
e procurai
o deus que aquece as almas.
O sol é o deus do meu gato,
mas às vezes,
quando não há sol,
ele põe-se a filosofar
sobre o calor
dos meu joelhos...
e assaltam-no então
tão sérias dúvidas!

O meu gato
está velho
filósofo
tem dezoito anos
e frio nas suas luvas brancas.
Veio ter comigo.
Digo-lhe:
"Pede a um raio de sol
que te aqueça".
Há um fio de sol,
um pobre doirado fio de sol
que coa pelo vidro partido
e vai cair
num degrau da escada.
Ali se enroscou
o meu gato.
Mas, quando o raio de sol
fugiu,
veio a correr
pedir calor
aos meus Joelhos.

Fernando Campos"

14 comentários:

  1. Fico feliz por ter gostado.
    Beijinho afectuoso.:)

    ResponderEliminar
  2. Sei bem do que fala e do que sente:

    http://leblancseing.blogspot.pt/2006/05/um-ano.html

    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A bela Sacha?
      Não é ela que faz as honras desse espaço?

      Abraço

      Eliminar
  3. Agora até me caiu uma lagrimita.
    Lindo gato, lindo poema! Não consigo dizer mais...
    Obrigada pela partilha da foto, que é espectacular.
    Beijinho às duas, à GL e à Ana.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Linda, sim, a minha companheira.
      Quem gosta destes amigos não fica indiferente à sua partida.
      Obrigada pelas suas amáveis palavras.

      Beijinho.

      Eliminar
  4. Também fiquei emocionada com este lindo poema de saudade e que linda que era a sua Amiguinha, branca como a neve! Estes nossos Amiguinhos de quatro patas quando partem deixam um grande vazio dentro de nós. É uma saudade sempre presente.
    Há pouco tempo perdi a minha gatinha bebé toda pretinha: "http://asminhascriatividades.blogspot.com/2012/12/Adeus-minha-querida-gatinha-Pipi.html"... foi um desgosto enorme, por isso percebo-a bem e solidarizo-me consigo nesta saudade! Nesse período tão triste que atravessei contei com a sua amizade e com as suas palavras de conforto que muito lhe agradeço.
    Obrigada também à Ana pelo lindo conto que lhe enviou e que tão gentilmente partilhou connosco. Não conhecia e gostei imenso.
    Um beijinho às duas e obrigada pela partilha de ambas.

    ResponderEliminar
  5. Olá GL,
    O comentário "Unknown" acima é meu, só que saiu de um outro endereço de e-mail que tenho e só me apercebi que não estava no endereço do blogue depois de o ter publicado e também se passou qualquer anomalia com o texto que não percebi... Coisas do sistema!?
    Um beijinho grande e bom fim de semana.
    Maria Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Maria Eduardo,

      Tinha-me apercebido que algo se tinha passado, mas identifiquei-a de imediato. Aliás não era difícil: lembro-me muito bem do que sofreu com a partida da sua Pipi.

      Obrigada.

      Um beijinho.

      Eliminar
  6. Percebo perfeitamente. Os nossos amigos de quatro patas deixam uma saudade enorme.

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Poderá parecer estranho, mas é mesmo isso: uma saudade que não passa!

      Abraço.

      Eliminar
    2. Era suposto que com o decorrer do tempo a saudade começasse a apaziguar-se, só que não é isso que sucede.

      Abraço.

      Eliminar
  7. Respostas
    1. Obrigada, um obrigada muito sentido, acredite!

      Abraço grande.

      Eliminar