quarta-feira, 17 de julho de 2013

Verdades. Verdades de uma imensa lucidez!


Numa das passagens obrigatórias pelo blog da Helena, o "Inverno em Lisboa - Um lugar de brumas azuis" (aqui) deparo-me com este belo poema de Bertol Brecht.

Estamos perante um "retrato" fiel dos tristíssimos dias que vivemos. Por isso, e com a devida autorização, não resisto a partilhá-lo convosco. 



"O ELOGIO DA DIALÉTICA... 

 A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos 
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã."

Bertolt Brecht

Palavras para serem lidas e pensadas, muito pensadas!


Obrigada, Helena!




10 comentários:

  1. Eu é que agardeço. A partilha de gostos e a referência ao meu blog.

    Beijinho

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  2. Não tem que agradecer.
    A pertinência da sua escolha deve(ia) ser partilhada.

    Beijinho.

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  3. Gostei do "Elogio da dialética".
    Obrigada a ambas pela excelente partilha.
    Beijinho para ambas

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    1. Palavras certeiras, lúcidas e pertinentes.
      Tão pertinentes, tão actuais!

      Beijinho.

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  4. Os poemas de Brecht foram de ontem, são de hoje e serão de sempre.

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  5. A mensagem poética tem mais força.
    Grata por esta partilha. :))
    Beijinho.

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  6. E onde estamos "nós"?

    Abraço grande

    (costumo passar por esse cantinho, não comento mas passeio por lá)

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    1. Nós?
      Nós estamos presos no olho do furacão.

      Há muita forma de pecar, sabia? Passar pelo cantinho da Helena e não deixar rasto afigura-se-me...
      E mais não digo.

      Abraço grande.


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