segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Recado!

A quem?
Ora aí está a magna questão: a QUEM?
Quero que saibam caros ... (como é que vos hei-de tratar?! senhores? cavalheiros? responsáveis? dirigentes? ...? farão o favor de substituir as reticências de acordo com o vosso prestimoso "estatuto"), que hoje fui confrontada com uma situação que me deixou, enfim, muito feliz.
 
Vejam, se não tenho razão para tamanha felicidade.
 
Hoje,  uma cidadã - uma entre milhares - do vosso(?) MEU país, veio ter comigo,  em pranto, para me dizer esta coisa simples: "sabe? Não recebi o MEU subsídio de Natal!..."
Lágrimas, cara abaixo, era a  imagem da desolação.
 
Quero que saibam, caros (...) que a conheço há longos anos, que conheço parte do seu percurso de vida, razão pela qual tenho o maior prazer em partilhá-lo convosco.
 
 Casada com um engenheiro, sempre teve uma vida digna, sem qualquer espécie, quer de dificuldades, quer de ostentação. "Condenada" ao seu papel de mulher e mãe, deixou para trás uma vida profissional promissora. Assim era, nos tempos idos da sua juventude
A vida, por vezes bem madrasta, levou-lhe o marido, e em consequência da sua doença, as poupanças de uma vida.
Hoje, a sua única fonte de rendimento é a parca reforma deixada por ele, e essa, caros (...) foi-lhe ROUBADA.
 Pela primeira vez, foi-lhe ROUBADA.
Não, não só a ela, sei! Se os caros (...) sabem? Ah, isso, ignoro!
 
Os duodécimos? 
Pois, o RECADITO remete para esse ponto!
É que uma coisa é receber uma miséria de uma só vez, outra é dividir a miséria em várias misérias. É que as coisas são diferentes. Será que não percebem isto?
Já agora, e se me permitem, pedia-vos um favorzinho.
Quando tomarem uma QUALQUER MEDIDA, expliquem bem, mas muito bem o que pretendem fazer, de preferência, sem procederem a  alterações dia sim, dia não.
É que há uma coisita, de somenos, chamada RESPEITO, que seria bom respeitar. 
 
A responsabilidade deste descalabro social cabe a A, B, C, D? Não interessa! Mas, se  quem manda no nosso destino tem todo o direito a condenar milhares de cidadãos à miséria, aí, meus caros (...), aí...?
 
E nós, cegos!
 Obedecemos, e obedecemos, e obedecemos, e obedecemos. 
 
 
 

27 comentários:

  1. Já dizia o poeta - somos um povo pacificamente revoltado !

    Há muita situação dessas pelo país fora, que se vai agravar a partir de Janeiro. Infelizmente.

    Beijinho

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    1. Situação irreversível, tanto quanto me parece, o que é extremamente preocupante.

      Não duvido que no próximo ano a situação se agrave. Tudo remete para essa "esperança".

      Abraço.

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  2. Um abraço grande para si e para a sua amiga, não sei mesmo que escrever. É assustador.

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    1. Não duvide. É que é mesmo assustador!

      Assustador e revoltante.

      Abraço grande.

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  3. Eles comem tudo e têm porta-vozes, como o sinistro César Monteiro, sempre prontos a branquear a sua voracidade.
    Abraço

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    1. Branquear, enganar, destruir, humilhar, coartar sonhos, é a palavra de ordem.
      César Monteiro? Mais um, a juntar a muitos! Já nada me espanta, nada!

      Abraço.

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  4. É assustador tudo o que se passou até agora e aterrador o que estará para vir!...
    Denunciemos estas situações partilhando o máximo que pudermos uns com os outros, para que consigam chegar aos corações de pedra que nos governam e que comandam o nosso querido País.
    Obrigada GL, pela partilha e um abraço meu de solidariedade à sua amiga. Que a esperança não perca a esperança!
    Um beijinho

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    1. Maria Eduarda,

      É tão triste, tudo isto!
      É importante que a esperança prevaleça, mas é tão difícil!

      Beijinho.

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  5. E a questão dos duodécimos levanta uma outra - confiança.
    Quem é que confia??

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    1. Confiança, Pedro?
      A questão é mais, em quem confiar?!

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  6. Por falar em subsídio...sou uma das sortudas pensionista que teve direito ao subsídio de férias...(hoje)
    em pleno Novembro...pois o de Natal...repartido ao longo do ano..nunca entrou na minha carteira!
    E hoje fiquei super contente...pois o que recebi vai dar para substituir os pneus do meu clio...que já estão gastos no tempo e na pele...comprar um bacalhau para o Natal...e comprar mais umas meadas para fazer uns miminhos a ofertar aos familiares e amigos!
    As férias que já não gozo desde que estamos na TROIKA...e o Natal recheado de emoções de outrora...ficarão para dias melhores!
    AH...irrita-me olhar para a minha folha de vencimento e ver 15 parcelas de descontos...e aumenta a minha tristeza por saber que muitos...não poderão contar uma história igual à minha!
    Boa semana e bj

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    1. Parece que sim, que é uma sortuda!
      Bacalhau, "sapatinhos" para o Clio, meadas para fazer prendinhas, e ainda nos queixamos?

      É uma tristeza sim, pensar naqueles que pouco (ou nada) receberam. Situações como a da minha amiga não são inéditas, muito antes pelo contrário.

      Beijinho.

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  7. Talvez por isso inventei uma romã
    e o Dique
    que se recusa a ser um cão de barro

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  8. Indignação absoluta!
    Não tenho mais palavras, GL.

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    1. Bem-vinda, ao "olhares"!

      Lutar?
      E a força anímica? E a coragem? E a esperança?

      Ai, Tétisq!!!!!

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  10. Há tantos mas tantos problemas e desigualdades na distribuição de tudo e até nos cortes, que o único comentário é mesmo de lamentação e solidarização com tanta gente que sofre assim, e alguns ainda mais :(

    Um suspiro e a vontade de se querer continuar a acreditar em dias MUITO melhores...

    beijinho, querida amiga...

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    1. Olá, Lobinho!

      Não há palavras!
      As desigualdades são cada vez maiores, o fosso agrava-se, a esperança esvai-se. O que resta a tantos milhares de cidadãos?

      Dias melhores? E quantas décadas demorarão a chegar?
      Entretanto...?

      Beijinho grande, Amigo.

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  11. Não podemos perder a dignidade e ela reside em cada um, um que precisa acreditar que não foi abandonado pelo seu país. Justiça e paz, Sastipê thaj Mestipen(saúde e liberdade) eis a nossa esperança a tods.

    bjs nossos, das cozinheiras.

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    1. Bem-vindas, amigas cozinheiras!

      Não, não podemos, mas para muitos é muito difícil mantê-la. É que a maioria foi, literalmente, abandonada à sua sorte.

      Esperança? QUERO, QUERO a todo o custo mantê-la! Mas quantas décadas serão necessárias para minimizar todo este descalabro?

      Beijinhos.

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  12. Aqui também, amiga, a situação de (DES)respeito por parte dos governantes é algo que revolta a quem nada pode fazer em relação aos desmandos. Quando o famoso 13º salário chega ao bolso (quando chega na data 'certa') do trabalhador mal dá para pagar alguma dívida pendente. E a esperança vem na frase: dias melhores virão! Mas quem pode dizer que data esta em que os "dias melhores virão?"
    Situação triste a de tua amiga (minha solidariedade a ela) que, como milhares de cidadãos trabalhadores e cumpridores do dever, deverão sofrer com a ausência do subsídio de Natal... que na certa não seria tanto assim para tornar o Natal um VERDADEIRO NATAL.
    Com certeza aí, como aqui, todos os 'subsídios', adendos, 13º salário, 14º salário, e não sei mais quantos décimos de salários, já chegaram (de há muito) aos bolsos já recheados dos nossos governantes que na certa terão 'o melhor Natal' de suas vidas... como em todos os anos!
    Lastimável, amiga, mas infelizmente verdadeiro!
    Parabéns pelo protesto vindo na postagem, pelo menos mais uma oportunidade de manifestarmos nossa indignação com este estado de coisas que, infelizmente, faz parte do histórico de muita gente.
    Nos sorrisos que aqui deixo ficam também as estrelas, com meu carinho,
    Helena

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  13. e pronto decobri o famoso GL. o meu recibo de vencimento
    teve 14 parcelas de desconto e deu quase tanto de roubo como o que recebi. Sou um nº dos aposentados ricos para estas bestas governativas

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    1. Só podemos chegar a uma conclusão. Estes senhores apenas zelam pelo nosso bem estar. Receavam que os aposentados tivessem uma overdose de bolo-rei!
      Haja paciência!!!!

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  14. Não sei como me não apercebi deste texto. De facto, há uma galopante desumanidade em quem manda. Por aqui, os casos de carência e miséria aumentam. Todos os dias sei de um ou dois casos e, cá dentro, cresce-me a revolta.

    Beijinho

    Laura

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    1. Já não há palavras que classifiquem este desastre social, porque é disso que se trata.
      Poderá alguém ficar indiferente ao que se está a fazer a uma grande parte da população, pessoas que são, literalmente, empurradas para a miséria?
      Quantas décadas, quantas, vão ser necessárias para que seja devolvida alguma dignidade a este triste país?!

      Bom Domingo.

      Beijinho.

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