quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Estranhezas.

O mundo da blogosfera não deixa de ser curioso, não pára de me surpreender.
Vejamos.
Expliquem-me, por favor, porque é que há blogues interessantíssimos, muito bons, com uma qualidade impar que, ou não têm comentários (para já não falar de seguidores), ou, se têm, são pouquíssimos.
Será porque as pessoas se inibem? Será por o consideram demasiado erudito? Será por que não têm disponibilidade, para ler/saborear um texto um pouco maior, mesmo que muito bem escrito?
Será, será, será? 
Que sei eu!
Sei, isso sim, que quando me deparo com algum desses blogues nunca mais o largo.
Exemplo disso, é o "cabide de simplicidades".
Com a devida autorização da autora, deixo-vos este belo diálogo.

Fica o convite.
Sentem-se, acomodem-se, saboreiem.

"A ALMA- diálogo

Chegou o teu dia, o dia de falar de ti, só de ti minha querida.
Para já e tu sabes muito bem, és altamente contraditória, às vezes até és mal aparada como um lápis curto e rombudo outras vezes, pareces uma caçadora de borboletas sempre de rede na mão.
Tens uns olhos negros, convergentes (às vezes), estrábicos e congestivos e penso se não serão os olhos da Justiça e por isso lhos vendaram.
Não sei se sabes que dizem que tu não existes.
Pois não sei, se és da classe dos constructos. Para mim como sabes, tens corpo, mãos, cabeça, pés, etc..
Já te vi, inclusivamente, com lágrimas nos olhos, pálida.
Já te vi em bairros de má fama, excêntricos como agora se diz.
Outras vezes e tu sabes muito bem, percebo-te o jogo e narro-te sem dó nem piedade e tu dizes com aquele teu ar pergamináceo, hebdomadário (estas palavras aqui não querem dizer o que querem dizer, convém referir, não vá alguém ler-nos, sabes que agora estamos editadas, ri-te, ri-te...).
Pronto, já me mudaste de lugar outra vez - "Aqui à minha esquerda...sim?"
Sabias que apontar é pecado, é tabu.
Mas olha como te estava a dizer, antes dos piropos, há pessoas que dizem que tu não existes, vê lá tu!
Algumas até me perguntam quando lhes marco um encontro contigo, a rirem-se de nós.
Nessas alturas, eu digo-lhes: é verdade que a Srª Alma está mais anquilosada e já não possui a agilidade necessária para trespassar indiscretamente as pessoas e os factos que as consciências interrogam e condenam. Isso é verdade, no entanto ainda aponta, 'mesmo assim'...
Lá estamos nós a falar ao mesmo tempo, como duas velhas, como toda a gente, ao mesmo tempo e sem se ouvirem ou ouvindo-se a si próprias apenas, certos de que ninguém os escuta.
Achas que já estamos a monologar em coro?
Sei, eu ouvi.
Retorno à simbólica da minha infância quando rezava o terço com a minha avó.
Queres dizer-me que eu sou a tua neta feliz?
Não, agora que já sou avó, somos da mesma idade e por isso te trato por tu.
É engraçado isto, não achas?
De te tratar por tu. Foste tu que rejuvenesceste ou eu que envelheci?
Como é possível dizerem que tu não existes, como é possível?
Pronto, já sei, é tudo possível nesta vida, nós é que não sabemos.
Até logo Alma, já sei que não és alminhas, eu não disse isso, sua pergaminácea hebdomadária!
Eu sei que tens autoridade, mas não exageres nos afectos, nos arrebiques."
 
 
A minha noção de partilha não me permite deixá-lo só para mim.
É bonito demais!
Um grande obrigada, Helena!
 

Nota: Itálico meu.

 
 

23 comentários:

  1. Respostas
    1. É um prazer.
      Gosto desses termos ciganos:))

      Beijinho para todas.

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  2. GL,

    Não sei se sabes que costumo visitar a tua lista de blogs que aparece do lado esquerdo do teu cantinho e tirando um com que "embirro visceralmente"...está bem, um e meio, os outros fazem parte de um circuito de visita diária obrigatória!
    No caso do "cabide de simplicidades" , confesso que a primeira vez que lá fui, senti-me atraído pelas fotos das aves, mas depois comecei a ler os textos e gostei muito.
    Se comento? se exceptuarmos o teu...
    Não sei porque é que as outras pessoas não comentam e não me cabe julgar os outros, até porque posso estar a formar um conceito totalmente errado, quem sou eu?
    Só posso responder por mim, não comento por inibição, assumindo todo o significado da palavra.

    Abraço grande






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    1. Não acredito! O que sucedeu para a resposta ao teu comentário ter descido para o patamar seguinte?!
      Querem ver que o blogger me quer irritar de novo!:(

      Abraço grande.:(

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    2. Foi castigo pelo que escreveste na última frase!
      Grande blogger :)

      Abraço?


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    3. O que é que tem a última frase? Será, porventura, mentira?
      Peste, tu!

      Abraço? Nem pensar!:)

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  3. Dada a quantidade de blogues que visito e onde, por norma, deixo um comentário, não me é possível ler textos longos.

    Mas este li, por consideração a ti.

    Um beijo.

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    1. Compreendo, João, de facto não é fácil! A "solução" é utilizar diferentes formas de ler.:))

      Beijinho.

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  4. Muito bem, fico contente por saber que visitas alguns dos blogues que sigo.:))
    O "cabides"? Fascinou-me desde o início, pelos textos e pelas aves, pela organização, pela ternura. Já reparaste como a Helena se despede do blogue: "até amanhã bloguinho", a forma como começa, com um passáro a quem dirige uma palavra. Há - que me perdoe a ousadia de avaliar - como que uma projecção de si própria no blogue. Todos fazemos isso, dirás! Sim, mas não com aquela cumplicidade. Por vezes leio-a, e o que leio é um diálogo, raramente um monólogo
    De manhã é tão engraçado ir até lá ver qual foi a ave eleita. Hoje não havia ave, "reclamei" e, mais tarde, lá estava ela.
    Quanto às pessoas não comentarem, atenção, não estou a criticar, nada disso, apenas estranho.
    E tu não comentas por inibição? Aí está uma coisa que não entendo. É caso para dizer: a cada um as suas incapacidades!

    Abraço grande.

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  5. Este mundo virtual tem uma oferta longa, variada, diversificada.
    É difícil perceber porque "ficamos" nuns blogs noutros não. Para além da circunstância óbvia das empatias estabelecidas.
    Mas porque é que uns lemos diariamente, outros não?
    Porque é que uns comentamos, outros não, para além da (para mim) estimulante interatividade? Eu não tenho respostas. nem sei se é assim tão importante tê-las...
    :)

    Beijinho e bom fim de semana de solstício.

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    1. Help, Helena,
      Não há dúvida, o blogger quer mesmo irritar-me!;)
      É a segunda vez que me acontece. Respondo logo a seguir ao comentário, só que a dita vai parar ao "rés-do-chão".
      Se não se importa, desça ao último andar;)

      Ai, valha-me Deus!

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  6. É tempo de ler as linhas da mãos, com sabedoria e altivez,
    com humildade e discernimento.
    Se a sorte te visita,
    não a deixe fugir,
    Se a tristeza te acompanha,
    te esforça para recordar os momentos felizes,
    a sabedoria sempre encontra o caminho,
    a serenidade sempre recobra os sentidos,
    a magia sempre ilumina a alma
    o céu te protegerá por teto,
    as estrelas por manto,
    e que a liberdade seja sempre gaiola aberta
    a guiar serenamente,
    as estradas que se abrem.
    Porque são nas linhas da tua mão
    que se contam as vitórias,
    que se tece o tempo,
    que se constrói o presente
    que se aprende com o passado
    que se colhe o futuro.


    Nevo Bersh e Lacho Krechuno

    (Feliz Natal e Próspero Ano Novo)

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    1. Obrigada!
      Que dizer? Lindissímo!

      Votos de Feliz Natal para todas.

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  7. Feliz Natal, GL! Com muita paz e saúde! Beijinho!

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    1. Obrigada, Sandra.
      Votos de Santo Natal também para vós.

      Beijinho.

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  8. obrigada pela sugestão (é difícil estar atenta a novos blogs quando já sigo um número muito elevado mas, este já vai para a lista)

    Bom Natal!

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    1. Ora essa! Já sabe que um dos meus lemas de vida é a partilha!
      Sem dúvida que é difícil seguir muitos, daí a minha lista tão reduzida:).

      Bom Natal, bom Ano.
      Beijinho.

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  9. Penso que ficamos naqueles que nos dizem alguma coisa, daí a minha estranheza. Será que aqueles que considero muito bons - o que não deixa de ser relativo! - não dizem nada a quase ninguém?
    Há alguns viciantes, sim!:)

    Beijinho.

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  10. Tinha-me esquecido de comentar, mas ainda venho a tempo de escrever que gostei do que li.

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  11. Não sei como agradecer GL, mas a sensibilidade não se agradece, pois não? É de cada um e fica com cada um.
    Eu, por não visitar muitos blogues, muitos blogues não me visitam a mim, penso eu de que :)
    Houve aqui um amigo seu, penso que de nome João que também disse uma grande verdade: não costuma ler textos longos. Os meus não o são, mas as pessoas não costumam ler textos, gostam mais de imagem,. são raros os que o fazem, só os mais curiosos na descoberta, os mais singulares é que apostam em gente desconhecida, normalmente segue-se o que nos dão por acharmos que se os outros leem é porque é bom, é normal.
    Também alguém disse que há alguma timidez ou algo semelhante, quem o disse tem razão. Não pretendo divulgar-me muito, nem ter seguidores, nem nada. Houve um amigo que já morreu, que me pediu para escrever no blogue para ir sabendo do meu estado de espírito e fiz-lhe a vontade, além de que é mais organizado do que nos cadernos onde escrevo desde os 14 anos, fica mais arrumadinho, mas às vezes lá volto ao caderninho que anda sempre comigo e não venho aqui ou porque me esqueço ou porque me apetece ficar só no caderninho fechadinha.
    Quanto a ser projectivo, é e não é. Nem sempre escrevo o que sinto naquele preciso momento, mas não deixa de o ser em certo sentido, mas isso levar-nos-ia a uma longa conversa. Penso que toda a gente que não é literata nem faz literatura, acaba por se projectar e é esse um dos perigos e por isso continuo bem rectiva a este meio. Digamos, que acertaram todos. O meu bem haja para si e seus amigos pelo feedback proporcionado

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  12. Claro que não tem que agradecer!:)
    É como diz. Há como que uma troca de visitas de caráter obrigatório, algo que abomino. Visito, leio, comento, se gosto, porque gosto, porque me identifico, porque me dá prazer. Se quem posta responde fico satisfeita apenas por gostar de uma boa troca de impressões, mas, se eventualmente não diz nada, não é esse aspecto que me faz não voltar a visitar o blog. É que a beneficiada sou eu, o prazer é meu.
    Há um blogue que sigo há bastante tempo (por razões óbvias não refiro qual), onde raramente comento e que, quando comento, na maioria das vezes não tenho resposta. Acho isto de uma honestidade/verticalidade sem nome. A resposta "porque sim" é qualquer coisa que me incomoda.
    Posto isto...
    O João põe o dedo na ferida. Textos longos, (ou menos longos, digo eu!) dificilmente são lidos, e é este aspecto que me surpreende. A blogosfera não pode ser um meio de troca de saberes? Não se pode considerar até didática? Claro que sim, só que aí os leitores desaparecem. Esfumam-se à primeira visita.
    Depois, temos aquele amigo que refere a timidez como factor inibidor. É verdade, também há quem não comente por timidez, disso não tenho a menor dúvida, só que há pessoas que é uma pena que não o façam. Seriam elementos enriquecedores da opinião/posição/questão abordada no post visado.
    Quanto a si? Posso fazer-lhe um pedido? Por favor, não perca o caderninho confidente, aquele que a acompanha há anos, mas não deixe de estar por aqui.
    É um favor que faz a todos nós, os que a lemos.

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  13. Penso não ser merecedora de tanta generosidade, mas só tenho a agradecer o tempo que gastam ao ler o que vou 'escrevinhando'.

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