sábado, 26 de janeiro de 2013

O Pai e o seu Menino


A  praia quase deserta.

Chegam.
Encostam-se ao paredão, olham o voltear do para pente. 
De repente, uma mão pequenina estende-se, ao mesmo tempo que levanta os olhos.

- Pai, dá-me…
E a frase em suspenso.

O pai coloca, em fila, os carrinhos adivinhados. Tenta fazê-los correr, deslizar na pedra áspera.

Olha-o.
 - Não, aí não, grita, aqui.
Agora na areia, o menino quer fazer da mesma a sua estrada.
E o pai, docemente.
-  Não, não pode ser, a areia não deixa andar os carrinhos.
Silêncio.

O menino olha a areia, olha o pai.
 Pára, pensa.
De repente, num frenesim, começa com os seus pequenos, pés a tentar fazer a tão desejada “estrada”.
O pai, espera.
E o menino, num frenesim que vai num crescendo, não desiste.
O pai, devagar, salta. 
Dois ou três passos, bem firmes, são suficientes para endireitar um pedaço de areia.
O menino olha-o, pega nos carrinhos, coloca-os na sua “estrada”, e fá-los deslizar. E lá vão eles, correndo.
Levanta bem a cabeça, olha o pai e…
- Vês? Vês como andam?!
O pai, num misto de orgulho e cumplicidade, baixa-se, abraça-o.
 E assim se ensina vida, e assim se ensina perseverança.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Recordando para apaziguar

Recordando algo de maravilhoso: a voz inesquecível de Elis Regina.


   

 Tentando ESQUECER o intolerável: o desemprego que sobe em flecha, a pobreza sua consequência. 
O que tem a ver uma coisa com a outra? 
NADA!
Então? Então é uma tentativa (infrutífera) de, ainda que por momentos, me/nos apaziguarmos. 

Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

FOME!

FOME 


                           FOME

FOME 


                     FOME 



                                      FOME 


                                                        FOME



                                                                           PORTUGAL

FOME


              FOME

                                     FOME


      E A NOSSA IMENSA VERGONHA

SERÁ QUE AINDA TEMOS CONSCIÊNCIA?!

HÁ RESPONSÁVEIS, OU NÃO?!!!!!


NÃO À F O M E 

NÃO!!!!



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Chuva!

E o céu cinzento, triste, a desmanchar-se numa chuva que não pára. 
E o dia a pedir aconchego. 
Um dia triste, demasiadamente triste, um dia em que a sensação é de tempo parado.  
E a necessidade de algo que nos apazigúe, nos aqueça, nos faça sentir vivos. 

A música. 
É isso, a música!
A música em surdina, como se só para mim. 

Chopin. 

 

Apetece-me ouvir Chopin.

Apetece-me um chocolate bem quente.

Apetece-me...


sábado, 12 de janeiro de 2013

Ler

O acto de ler tem qualquer coisa de mágico.
Quando crianças, começamos por aprender o significado de uns "desenhos estranhos", uns "desenhos" que nos ensinam chamar-se letras, mas que nossa pouca idade não nos permite entender. 
Depois, lentamente, devagar, entramos de mansinho nesse novo mundo. E aprendemos o significado de cada letrinha, e aprendemos a juntá-las uma a uma. E aprendemos e ler uma palavra, e depois outra e outra e outra e mais outra.
Depois?
Depois é o deslumbramento!
Depois é querer ler, mais e mais, de forma sôfrega, louca. 
Depois é o querer agarrar o mundo através da leitura.
Depois é querer conhecer o Homem, o Mundo, conhecer tudo como se tempo nos escapasse.

Depois?
Depois aquilo que é um prazer começa a funcionar como se fosse um vício. 
E são os livros que se compram uns a seguir aos outros. 
E é a estante a abarrotar.
E é o frenesim de querer ler tudo de uma só vez!

E é o prazer único de ler Homens maiores. Homens de nos escacaram as portas da Alma, Homens que nos arrastam, que nos fazem mergulhar, partilhar das suas dúvidas, certezas, visões do mundo, visões do Homem.




Acabei de ler A ilha, de Sándor Márai. 
Notável, belíssimo. Atrevo-mo a salientar o último Capítulo e o espantoso diálogo com Deus.

Um pequeníssimo excerto:

"Sentou-se na margem da clareira, em frente da cidade e do mar aberto (...). Invadiu-o uma satisfação peculiar: agora que estava finalmente sozinho podia falar com Ele em privado (...). 'Sabes, na realidade não tenho passado bem, disse em tom confidencial', (...) 'Não é verdade que as grandes dores são insuportáveis... O que não se pode aguentar são as pequenas (...). 'Separadas nem se notam, insisto, apenas em conjunto são insuportáveis.' (...) A tua obra, no seu conjunto, é capaz de ser perfeita, não sei. Mas os pormenores são imperfeitos."

in, Márai, Sandór. (2012). A ilha. (pp. 147-149). Alfragide: D. Quixote.


sábado, 5 de janeiro de 2013

"O possivel é o futuro do impossível "

Por desnecessário, escuso-mo a acrescentar uma única palavra ao belíssimo texto de José Luís Peixoto. Este, encarrega-se de nos explicar o poder da Ideia, a força da Ideia.

   

E assim se diz Esperança, e assim se acordam consciências para o Poder que é o nosso.

Porque é importante, ouça-mo-lo!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Amizade, o sentimento mais nobre.

Há dias tive - e certamente muitos de nós -, oportunidade de rever esse filme único, intitulado Papillon.




Estamos perante um magnifico hino à Amizade, uma Amizade incondicional entre dois prisioneiros, uma Amizade inabalábel. 
Para além deste aspecto, trabalhado/interpretado com mestria, somos questionados sobre qual o limite do Homem quando confrontado com toda a sorte de sofrimento.
A luta pela sobrevivência, a tenacidade, a coragem, a determinação, fazem deste filme O filme, um dos melhores, um dos que ficarão para a história do cinema.

A rever, sempre!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013