domingo, 28 de julho de 2013

Help!!!

Querem saber a causa da minha ausência, querem?



A imagem é suficientemente elucidativa?

Estou num "subterrada" por livros, por móveis, por tudo o que é inerente a uma casa e que, quando retirado dos respectivos sítios, tem a capacidade imensa da multiplicação.

Logo que possa apareço. 
Os poucos momentos que tenho(vir) livres, serão para vos visitar. Posso não deixar rasto, mas visitar-vos-ei sempre.
Sim, sou "aditiva" de alguns de vós!

Até já!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Perdoam-me?

Perdoem-me, sim? É que ando tão ocupada, mas tão ocupada, que quase não tenho oportunidade de vir até aqui.

Garanto que não fugi, garanto que me lembro de todos vós, garanto que tenho saudades, garanto que sinto a vossa falta, garanto...



Em jeito de "penitência" deixo-vos este belíssimo dueto.


domingo, 21 de julho de 2013

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Com todo o respeito.



A mão num gesto que fica suspenso. A chave do carro na mão fechada.
Atrás de mim uma voz, calma.



- Mãezinha, com todo o respeito.

Viro-me. À minha frente, um homem parado, olha-me.
Africano, magro, um homem sem idade (que idade terá?) de olhos tristes, mas doces, ingénuos, uns olhos onde não há sombra, nem de raiva, nem de rancor, nada, apenas sorriem num misto de ingenuidade e inocência.
O fato de treino que enverga, enorme, gasto, desbotado, não esconde a magreza extrema, não disfarça o abandono, a carência, uma carência provavelmente de tudo.
Olho-o. Sorrio.
- Mãezinha, com todo o respeito, podia…
O meu gesto fê-lo parar, expectante. 
- Mãezinha, com o todo o respeito.
Pausa.
Olho-o, olhos nos olhos.
- Mãezinha, com todo o respeito, estou com alguns problemas. Será?...
Nova pausa.
- Mãezinha, com todo o respeito, será que me podia ajudar? Mãezinha, com todo o respeito…
À introdução de uma nova fala, sempre, o para mim já adivinhado: “Mãezinha, com todo o respeito”.
Continuo a olhá-lo, continuo a sorrir. Quero que se sinta à vontade, quero que saiba que estou a ouvi-lo, quero que sinta que há alguém que lhe dispensa um pouco do seu tempo.
E a frase suspensa.
- Mãezinha, com todo o respeito, po…
Não o deixo concluir. Abro a carteira, engulo raivas e fúrias que não quero adivinhadas. 
Ele? Ele, num sorriso de menino, num sorriso doce, tão doce!
Estendo a mão. Olha-me. Estende a mão, abre-a. Deposito na concha que forma, a tão desejada “ajuda”.
E o sorriso de sempre, e o ar de menino de sempre, e de sempre o agora:
- Mãezinha, com todo o respeito, muito obrigado.
Afasta-se.
Cruza-se com um jovem que passava. Ainda o ouço dizer:
- Paizinho, com todo o respeito, podia…
Entro no carro. Arranco. E aquela frase que me acompanha o dia todo.
“Mãezinha, com todo o respeito…”


Que dizer da abordagem deste Homem?!




quinta-feira, 18 de julho de 2013

PARABÉNS!

OBRIGADA!

Um imenso e sentido OBRIGADA.
PARABÉNS pela vida longa, uma vida em prol da Paz.




Para um Homem, para Este HOMEM único,
duas palavras que queria sintetizassem, 
a gratidão, 
a admiração, 
o respeito, 
o imenso respeito que o mundo lhe deve.

Obrigada, MADIBA.

Obrigada pela força do sorriso.
Obrigada pela lição de vida, pela entrega, pela luta por um mundo melhor.

OBRIGADA!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Verdades. Verdades de uma imensa lucidez!


Numa das passagens obrigatórias pelo blog da Helena, o "Inverno em Lisboa - Um lugar de brumas azuis" (aqui) deparo-me com este belo poema de Bertol Brecht.

Estamos perante um "retrato" fiel dos tristíssimos dias que vivemos. Por isso, e com a devida autorização, não resisto a partilhá-lo convosco. 



"O ELOGIO DA DIALÉTICA... 

 A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos 
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã."

Bertolt Brecht

Palavras para serem lidas e pensadas, muito pensadas!


Obrigada, Helena!




terça-feira, 16 de julho de 2013

Um corre, corre.

Um "entra" e "sai".

Este que reúne com aquele, e vice versa.

Este que diz que assim é que é.

Outro que diz que assim deveria ser.

Outros que não dizem isto nem qualquer outra coisa.

Eles fala, falam, falam, falam.

Nós?
Exaustos!

Nós já não ouvimos nada!
E tudo isto, todo este frenesim,  por uma boa causa:
a salvação nacional




Porque merecemos paz, ouçamos!


sábado, 13 de julho de 2013

Sophia de Mello Breyner vs Chopin


Este é o tempo

Este é o tempo
Este é o tempo 
Da selva mais obscura 
Até o ar azul se tornou grades 
E a luz do sol se tornou impura 

Esta é a noite 
Densa de chacais 
Pesada de amargura 

Este é o tempo em que os homens renunciam. 

Sophia de Mello Breyner
in, Mar Novo (1958)
(aqui) 


Se bem que não haja nada que nos faça esquecer a selva, tentemos um pouco de paz ouvindo Chopin.


 

Fica o convite!

Assim como fica o resultado do "desafio" lançado ao amigo João Méneres, do "Grifo Planente" (aqui) de fotografar as belas andorinhas em pleno voo.



Obrigada, João! 

Voto de bom fim-de-semana para todos.


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tu, sempre!


A minha Amiga que já partiu há tanto tempo, mas que continua tão presente.

Sabes? 
Ainda te "sinto" ronronar. Ainda te "sinto" a meus pés. Ainda te"sinto" atrás de mim. Ainda te "sinto" a querer partilhar tudo o que fazia. Ainda te "sinto" à minha espera quando chegava.
Ainda...
Ainda "vejo" os teus olhos magníficos. Ainda te "vejo" nessa posição, a olhar para trás, para confirmar que não me tinha ido embora.  

Por que é que ainda "te sinto" com tanta intensidade? 
Chama-se a isto saudade, sabias?!


A Amiga Ana, do blog (In)Cultura (aqui) tendo-se apercebido do meu amor - um amor que também conhece -  por estes tão dedicados Amigos, teve a amabilidade de me enviar o conto, que publico abaixo.

Porque me diz muito, pela gentileza, aqui fica com um grande Obrigada à Ana.

"Luva Branca
(Poderia arrumar em prosa a poesia deste conto.
Apeteceu-me alinhar em verso a prosa dele)

O meu gato está velho,
tem dezoito anos.
Deixou a um canto
há muito
o seu novelo de trapos.
Ele tem frio,
tem frio nas suas luvas brancas.
Luvas brancas, sim, luvas brancas,
porque ele é fidalgo
o meu gato.
Mas agora está cansado e velho,
tem dezoito anos.
Ali está, a um canto,
o seu novelo de trapos.
O ratão clássico da fábula
é agora único
e todo-poderoso
senhor das águas-furtadas.
Já lá vai o tempo
-só de lembrar estremece-
em que temia a luva branca
(luva branca de fidalgo,
não esqueçais)
do meu gato.

O meu gato tem frio,
frio nas suas luvas brancas.
A custo pulou para a cadeira
onde costuma dormir a tarde inteira
e lá ficou que tempos
a filosofar.
Porque o meu gato
está velho
e com velhice
tornou-se filósofo.
Pensa muito, creio bem,
no calor de um raio de sol,
do sol que ele outrora desprezava
quando corria
-que ridículo!-
atrás do novelo de farrapos.
O deus do meu gato é o sol.
Porque pensaram também os homens
que o sol é que era Deus?
Deixai o sol ser o deus dos gatos
e procurai
o deus que aquece as almas.
O sol é o deus do meu gato,
mas às vezes,
quando não há sol,
ele põe-se a filosofar
sobre o calor
dos meu joelhos...
e assaltam-no então
tão sérias dúvidas!

O meu gato
está velho
filósofo
tem dezoito anos
e frio nas suas luvas brancas.
Veio ter comigo.
Digo-lhe:
"Pede a um raio de sol
que te aqueça".
Há um fio de sol,
um pobre doirado fio de sol
que coa pelo vidro partido
e vai cair
num degrau da escada.
Ali se enroscou
o meu gato.
Mas, quando o raio de sol
fugiu,
veio a correr
pedir calor
aos meus Joelhos.

Fernando Campos"

terça-feira, 9 de julho de 2013

Globalização da indiferença.


A indiferença, na classificação do Papa Francisco, uma classificação inquestionável.


Quem se preocupa com o drama, a morte e o sofrimento de milhares de imigrantes de Lampedusa? 
Estamos perante um dos maiores dramas dos nossos dias, mas...?
Quem procura ajudar aqueles milhares de pessoas? Quem os ajuda a minimizar a miséria em que vivem e da qual procuram fugir?

«Imigrantes mortos no mar, nesses barcos que em vez de ser uma via de esperança se transformaram num caminho de morte», afirmou o papa. Francisco disse ainda que o ser humano actual está imerso na cultura do bem-estar, «que nos leva a pensar em nós mesmos, nos torna insensíveis ao grito dos outros».
in, http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=643266 

O olharmos apenas para nós, para os problemas que nos afligem,  a preocupação com a nossa própria  sobrevivência, (uma heresia, esta classificação!) esta visão limitada ao nosso "mundinho", este centralizar de preocupações, torna-nos cada vez mais pobres: pobres de bens, mas pobres essencialmente de sensibilidade, de solidariedade, de amor pelo Outro.   

Por tudo isto não posso deixar de me regozijar com a iniciativa do Papa Francisco em visitar Lampedusa. 
Esta visita é muito mais do que isso. É um alertar de consciências ao qual nenhum de nós devia ficar indiferente.

NOTA: Itálico e sublinhado meu.


sábado, 6 de julho de 2013

Um voto, um desejo.

Tentemos esquecer(?!), tentemos acreditar em dias melhores, tentemos... Tentemos voar com a liberdade dos pássaros, com beleza/leveza das minhas amadas andorinhas, essas criaturinhas, tão frágeis e tão fortes. Que nos seja permitida essa centelha de loucura. Bom fim-de-semana.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dizem?!

Ele diz, eles dizem. Nós não dizemos. Ele desdiz,eles desdizem. Nós não desdizemos. Ele conclui, eles concluem. Nós? Nós tontos, abismados, aflitos. Ele indiferente, eles indiferentes. Nós?!...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Queda livre

Sai:


Entra:



Que se abram os pára-quedas!

A uma desgraça não sucede outra?

Quem é o senhor que se segue?


Por favor, atapetem-nos o chão!...