quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Inocências!

O que gosto desta marcha!...
Uma das peças interpretadas no Concerto de Ano Novo, de Viena. Deixo-vo-la para que "bebam" desta beleza, da força que faz a união/participação de todos quantos a ouvem.
 
 
A propósito do maestro recordei um diálogo, ouvido há tempo, entre mãe e filha, à saída de um Concerto.

- Mãe, que pauzinho era aquele que o senhor da música tinha na mão?
A mãe sorri, explica.

- Mãe, aquele senhor é o pai dos outros senhores?
A mãe, ar de espanto: porquê?

- Porque os outros senhores só tocam quando ele manda. Não viste, mãe? Ele aponta o pauzinho  para uns senhores e eles tocam, depois para outros, e eles tocam, depois, faz assim com os braços (abre os bracitos num gesto largo) e eles param.
Uma vez mais, a mãe sorri,  explica.

- Mãe, aquele senhor é pai dos senhores e meninos que estavam a ver?
A mãe, dá uma bela gargalhada, e, pergunta, uma vez mais: porquê?

A menina, de resposta rápida.

- Não viste que ele mandava bater palmas, depois levantava a mão, mandava parar. Mãe, aquele senhor é o  pai de...

Assisti a parte deste diálogo absolutamente delicioso.

Mãe e filha, seguiram, afastámo-nos.
Interrogo-me sobre se haveria respostas que satisfizessem as dúvidas daquela pequenina.


 

28 comentários:


  1. Um diálogo delicioso, GL. Em que momento perdemos nós a inocência? Sou uma saudosista e guardo na memória bons momentos. A inocência perdia-a não sei quando e, certamente, por achar isso um facto irremediável e trágico, apaguei da memória esse momento...

    Beijinho

    (gostei de ouvir!)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Em que momento perdemos a inocência? Não tenho resposta!
      Tenho, isso sim, uma outra questão. Será que a perdemos mesmo, irremediável e totalmente?! Se olharmos bem para dentro de nós, se fizermos uma simples introspeção, não encontraremos nada, nem sequer resquícios?

      Beijinho, Laura.

      Eliminar

    2. Seremos capazes de encontrar alguma coisinha. E de que nos serve? Apenas para nos apercebermos que ainda temos capacidade de nos interrogarmos e deslumbrar. Quem se interroga não é feliz, GL. Quem se deslumbra é visto como fora do normal...

      Beijinho

      Eliminar
  2. Eu também...

    Um fantástico ano para ti.


    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, JP!
      Tudo de bom também para ti.

      Beijinho.

      Eliminar
  3. Olá GL,

    Obrigado por partilhares a marcha e o diálogo, momentos lindos.
    Eu não me recordo do 1º concerto a que assisti, mas reza a história que eu gostei tanto que tentei acompanhar a música. Resultado? Só voltei a salas de espectáculos muitos anos depois!

    Abraço grande

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Argos,

      Por vezes sou bafejada com momentos destes.:))

      Pelo que descreves portaste-te muitíssimo bem! Basta ver a duração do "castigo", penitência, o que se queira.
      Valha-nos Deus!:))

      Abraço grande.

      Eliminar
    2. GL,

      Li num dos teus comentários uma referencia a ser possível encontrar resquícios de inocência dentro de nós.
      Serão esses resquícios o que nso leva a acreditar mesmo sabendo que não é possível?

      Abraço grande e desculpa a minha intromissão

      Eliminar
    3. Argos,

      Estás à vontade, a porta está sempre aberta nem necessitas de bater!:))
      Que resposta dás à questão que colocas? Calma, não te zangues!...
      Pois, já sei que queres uma resposta.
      Aqui a tens: acredito que sim! Sem inocência, sem essa espécie de "inconsciência", como lutarias contra ventos e marés? Como ultrapassarias aquilo que à partida te parece intransponível?
      Não, não estou a misturar conceitos!
      Pensa lá um bocadinho. Não terei razão?!

      Nunca é intrometido, percebeu? Ui, que coisa!

      Abraço grande.

      Eliminar
    4. Mas eu acredito, GL, sempre, mesmo quando se riem de mim. E prefiro que lhe chamem inocência que outra coisa!

      Abraço grande

      Eliminar
  4. Que diálogo delicioso.
    Julgo que a menina teve as respostas para as suas questões.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Delicioso, mesmo!
      Tenho a certeza que sim. A mãe parecia estar muito atenta:)

      Eliminar
  5. Respostas
    1. Obrigada, Pedro.
      Tudo de bom também para ti, melhor, para vós!

      Abraço.

      Eliminar
  6. Adoro, adoro, ador, esta marcha.
    Convicta que seria de tarde, como sempre, e/ou em diferido na RTP2, o meu desejo não foi realizado quando verifiquei que tinha passado em directo de manhã, na RTP1.
    Acabei de ouvir aqui.
    Obrigada.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também o ia perdendo. "Apanhei-o" por mero acaso, mas penso que no youtube está na integra.

      Abraço.





      Eliminar
  7. a marcha é fantástica, mas a história é uma delícia.
    e olá neste dia chuvosoooooooooooooo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, bem-vinda!

      Uma delícia, mesmo! No início nem estava a perceber o que era o "pauzinho"...:))
      Curiosa a forma como associa a autoridade do "homem do pauzinho", à do pai. O pai enquanto autoridade? Enquanto orientador? Enquanto alguém a quem é obrigatório obedecer? O que gostava de ter participado naquele diálogo!

      Dia chuvoso? E o solinho tímido, não conta?!

      Eliminar
  8. Uma ternura

    Tudo pelo melhor
    a despertar relâmpagos
    Bj

    ResponderEliminar
  9. Obrigada, mar!
    Que a trovoada seja benfazeja.

    Beijinho.

    ResponderEliminar
  10. Também adoro. Que pena não conseguir assistir pessoalmente.
    A conversa entre mãe e filha foi deliciosa.
    Bj.
    Irene Alves

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um dia que vá(?) a Viena gostaria de assistir a um concerto. Quem sabe?!:))

      Beijinho.

      Eliminar
  11. Já ouvi/li algumas histórias sobre o "pausinho" do maestro, mas espremi os 2 neurónios e eles recusaram-se a colaborar. Lembrei-me sim do que dizem antigos alfarrábios sobre a minha primeira ida a uma sala de cinema. A acreditar no que dizem esses velhos papiros a frase foi: "quero 3 cadeiras para me deitar".
    Se isto não era inocência, era sono de 3 noites... :)
    Bom 2014!
    Bjo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Só dois neurónios? Pobrezinho!
      Querer três cadeiras era inocência? Por favor, Carapauzito! Das duas uma. Ou o menino já media três metros (um por cadeira, mal dividido!), ou então? Olhe, então não sei...:)
      Bom 2014, de preferência com muitas idas ao cinema.:)
      Beijinho.

      Eliminar
  12. Que delicia. Como é bom ver as coisas de um jeito mais simples, verdadeiro e tranquilo.

    amei tudo e a orquestra é simplesmente fantástica.
    bjs nossos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Maravilhosos sempre, estes concertos de Ano Novo.

      Beijinho para todas.

      Eliminar
  13. Estou de regresso, mas sem respostas...
    A música é excelente.

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bem-vinda!
      Se bem que a ausência tenha sido por uma boa causa, a verdade é que sentimos a sua falta.:)

      Beijinho.

      Eliminar