domingo, 12 de janeiro de 2014

Surpresas, indignações!

Algum de vós saberá esclarecer-me uma dúvida?
Passo a explicar.
 

Hoje, numa visita à FNAC do C. C. Vasco da Gama, deparo-me, logo à entrada, com um enorme cartaz a publicitar máquinas de café.
Máquinas de café?
Avanço.
Num espaço generoso, lá estão elas, acompanhadas de máquinas de cozinha, as tais que fazem tudo. E eu, num espanto.
Será que entrei na FNAC? Provavelmente estou numa qualquer Worten, pensei, e não me apercebi. É que esta também vende livros, CD's, e...? E máquinas de café, o que não obsta a que tenham, ainda, lugar para os livros.
 
Não, aquela não era a minha FNAC! Na minha FNAC o livro era rei. Na minha FNAC falava-se em surdina, por respeito pelo espaço que guardava sabedorias e delícias.
Na minha FNAC as novas tecnologias estavam presentes. Claro, elas fazem parte da evolução da tecnologia, livro incluido. Mas máquinas de café? Mas máquinas de fazer "não sei o quê"?
 
Chegada a casa, em fúria, entro no site e lá está o separador: "Cozinha e Lar".
Será possível que estas mercadorias já se vendessem por lá sem que me tivesse apercebido? Como é que é possível que nunca tenha visto uma coisa daquela dimensão, exposta (como é óbvio!) num sítio estratégico?
Estou triste, muito triste. Mataram a minha FNAC, um espaço referência, um dos espaços onde o respeito pelo livro, pelo que significa e representa, nos fazia sussurrar, falar baixinho, andar em bicos de pés.
 
Cada vez mais maldigo o dinheiro, o poder que tudo destrói.

33 comentários:

  1. É raro lá ir. Prefiro a Livraria Barata apesar de ser um pouco mais cara.

    Abraço

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    1. Livraria Barata? Muito bem!:)).
      Não sei se falas da existente na Av. de Roma (haverá mais alguma?) não estou muito tranquila. Atravessaram, há uns anos, um período problemático mas que foi ultrapassado. Espero que resistam à "fúria" que assola a zona.
      Assisti, há dias, com imensa tristeza, ao despejar das cadeiras do antigo cinema Londres. Dói a alma com esta descaracterização, este acabar com referências.

      Abraço.

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    2. "Barata" só de nome, mas também sobrevivente. É um espaço acolhedor.
      :)

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    3. Conheço a dita, logo, confirmo a opinião. Um espaço bem simpático.:))
      Rezo para que sobreviva.

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  2. A Fnac aqui é quase insuportável, cheia de barulho e crianças a correrem. Há dias que mais parece uma feira. Fujo de lá ir. Gosto mais de ir à Bertrand.

    Mas máquinas? Qualquer dia também têxteis! Valha-me Deus!

    Beijinho

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    1. Aqui, quer no Vasco da Gama, quer no Colombo, não se nota muito isso. As pessoas falam, de uma maneira geral, baixo, com o intuito, penso, de não incomodar quem se passeia entre os livros, com respeito.

      Também vou com alguma frequência, à Bertrand, mas falta-lhe aquele ar quase "místico", que se sente, no Colombo, por exemplo. Será que é só quando lá vou?:))
      Ah, e ainda não vi lá as malfadadas máquinas!...

      Beijinho.

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  3. Faça como eu...direitinha aos livros...e nem olho para mais nada!
    Minto...por vezes...olho para músicas!
    Que saudades da livraria...alfaiataria...sapataria...retrosaria...padaria...
    Bj amigo

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    1. Essa é a forma inteligente de agir, só que para mim é impossível.
      Quantas vezes, quantas, não quero, mas os meus olhos percorrem tudo. Não por mera curiosidade, mas porque gosto de ver o facies quem está ali. Dizem tanto, aqueles rostos!

      Beijinho.

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  4. A Fnac de Coimbra sempre se assemelhou mais a uma Worten do que a uma livraria... mas, há muitas (livrarias) em ruas a sério fora dos centros comerciais desesperadas por clientes, há que visitá-las!

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    1. E são essas livrarias de rua que devem ter a nossa preferência, só que o Homem, esse tonto, é um triste animal de hábitos.
      Àquela FNAC garanto-te que nunca mais vou. A próxima que veja mascarada de "tudo vender" será, igualmente, eliminada.
      Quem sabe se esta política não vai devolver os leitores às lojas de rua?!

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  5. No fundo acho que as coisas acontecem assim em todos os lugares do mundo. Piorando que agora as pessoas ainda falam no celular em todos os lugares, então.......chamam isso de modernidade, isso se chama falta de educação e ganancia.
    Deixei de ir a FNAC daqui, vou a Livraria Cultura, onde a direita se ve pessoas tomando café e lendo e num canto reservado, apenas quando comunicado, recitam poema, apresentam autores e fazem pequenas interpretações de peças.
    A mudança muitas vezes agride, me sinto assim.

    bjs

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    1. Ganância, ganância pura! A juntar a isto, o desvirtuar de um espaço único na sua essência.
      Começa a haver em Lisboa alguns espaços desse género, o que é extremamente gratificante, só que a oferta, a abrangência de temas é menor dada a e exiguidade de espaço.

      Beijinho

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  6. Ainda te surpreendes?
    Vai à Bertrand aí ao lado, a última vez que lá fui ainda não tinha sofrido invasões dessas!

    Abraço grande

    ( Quantas livrarias viste "morrer" na nossa cidade?)

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    1. Não, não surpreendo! Irrito-me, que é uma coisa bem diferente.
      Por enquanto, não, mas se a moda pega...

      A "morrer" tens muita coisa, com a agravante de ser, regra geral, espaços que faziam a diferença pela positiva.

      Abraço grande.

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  7. Mercantilismos puro... vergonha! Não há dignidade para espaços próprios...

    grande bijinho

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    1. É triste chegarmos a essa conclusão, triste e revoltante.

      Beijinho, Lobinho.

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  8. Nunca tal vi na fnac em Coimbra.
    Mas nunca é tarde....
    Boa semana!!

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  9. Escrevi o oposto.
    Óbvio que já lá vi à venda telemóveis, computadores....
    Segunda-feira convida ao disparate.

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    1. Daqui a pouco vende-se de tudo.
      Haja paciência, porque tolerância, essa é impossível.

      Abraço.

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  10. Queres um segredo? Só entrava na FNAC para ver os preços....depois ia a outro lado comprar, sempre mais barato :)))

    Mas o poder do dinheiro, podes crer que é o mal dos tempos que correm.

    Beijinhos

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    1. Será que alguém duvida, JP? Só que um bocadinho de bom senso nunca fez mal a ninguém!

      Esse processo nem é mau.:)) Ver preços e optar pelo mais simpático?! Ora aí está uma boa medida!

      Beijinho.

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  11. GL,
    Fiz a mim mesma essa pergunta. Claro, que corro para os livros, os discos e os filmes.Lamento esta invasão e desligo-me dela. Prefiro as livrarias tradicionais. Mais choca-me que os livros vendam objetos do quotidiano para se tornarem atrativos, estou a lembrar-me de alguns romances que proliferam nas bancas.
    Beijinho.:))

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    1. ana,

      Há coisas um pouco patetas, assumo, mas a revolta que senti quando vi aquilo é indiscritível.
      Quanto à qualidade da "literatura", aos meios encontrados para vender, sobre isso nem me quero pronunciar. Triste, Ana, tão triste!
      Por que é que se teima, cada vez mais, em apostar na mediocridade? Todos sabemos a resposta!

      Beijinho.

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  12. A FNAC não vende só livros, nem especialmente livros. Muito provavelmente o principal volume de negócios não vem dos livros (claro que não conheço a distribuição dos volumes de negócios pelos diferentes ramos). Então por que não vender máquinas de café? Até podemos encontrar uma certa ligação ente um cafezinho e os livros…
    Portanto a mim isso não me choca. Já me choca o facto de certas “livrarias” (entre elas a FNAC) venderem (e promoverem) livros, que nem esse nome deveriam ter.
    E por aqui me fico.
    Abraço.

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    1. Quem gere(?!) a FNAC devia saber que não é aconselhável misturar "alhinhos com bugalhinhos". Pois! Só que apenas sabem, e sem espaço para qualquer dúvida, que importa fazer negócio. O resto? Que importa isso?
      Concordo, em absoluto, com o segundo parágrafo. O problema, querido Carapauzito, é que há leitores para os ditos. Uma lástima, uma mágoa imensa o retrocesso a que estamos a ser conduzidos.

      Posso dar-te um abraço duplicado? É que estou mesmo tristita!

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  13. Também me entristece, mas não me espanta nada.
    Espantam-se os outros, quando eu digo que o melhor presente que me podem dar são livros (se for uma viagem também não me importo).

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    1. E és criteriosa nas escolhas, já me apercebi!
      Espantam-se por esse teu gosto por livros? Provavelmente conhecem-te mal.
      Viagens? Muito bem! Ou muito me engano ou se pudesses nem desfazias as malas.

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  14. Respostas
    1. Ou o triunfo do caminho para a mediocridade.

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  15. Ganhar dinheiro, vender, vender, vender,...seja o que for...talvez daqui por uns tempos também vendam acessórios de moda!
    Abracinho meu!

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  16. Por este andar é só uma questão de tempo. Haja paciência!
    Beijinho.

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