quarta-feira, 12 de março de 2014

Velórios e quejandos.

Há comportamentos para os quais não encontro explicação/justificação.
Um exemplo?
Por que será que num velório o comportamento dos presentes remete mais para um ambiente de festa, um qualquer evento social?
Passo a explicar.

 
Há dias fiz questão de estar presente no velório de um familiar de uma amiga que muito prezo.
Lá chegada, deparo-me com o "respeito" costumeiro. Pessoas que riem, que falam de tudo e de nada, que se abraçam efusivamente num imenso alvoroço, ignorando de forma inconcebível (para mim) o caixão onde repousa o corpo daquela que partiu, e que era suposto ser o alvo primeiro de todas as atenções.
Sei que vivemos em sociedade, sei que há normas vs obrigações a cumprir, sei que as mesmas por vezes nos obrigam "a" se bem que nos custe.
Sei que já não estamos no tempo das carpideiras, da mesma forma que tudo me remete para a certeza que o respeito pela morte também pertence ao passado.
Não seria (é) suposto haver compostura, tendo em conta não apenas os familiares, mas o corpo, ainda presença física, da pessoa que acaba de partir? A presença de todas aquelas pessoas limita-se ao cumprimento de uma obrigação social?
Sim? Para mim, não, obrigada!
Detesto, de forma visceral, o "politicamente correcto", seja em que situação for. A sociedade obriga-me ao cumprimento de uma série normas? De acordo, assim deve ser, só que, ou as cumpro com o respeito que merecem ou, pura e simplesmente, não compareço. Não sei viver nesse limbo dos "nim".
 
Ah! Já agora espero que ninguém vá ao meu funeral!
Conversa mórbida, esta? Nada disso! É que o reverso da vida, é a morte, uma realidade que a maioria quer exorcizar o todo o custo.
Não estará aqui a resposta às minhas questões?!
 

31 comentários:


  1. Também me sinto sempre deslocada e por várias razões. Raramente levo flores e até parece que tenho de as levar; há um desrespeito pelo defunto(a) naquilo que, como dizes e muito bem, é "um alvoroço"; depois porque há uma necessidade de mostrar o carinho e o status da família com todos aqueles 'arrebiques' que possam ser comentáveis e, para me não alongar, detesto ver as pessoas de óculos de sol. Parece que têm de esconder os olhos... que tanto podem estar a olhar para aqui ou para ali, mas que não podem nem devem ser vistos com lágrimas, que tiram a compostura ou sem elas. No fundo, 'sacraliza-se' a vida e profana-se a morte.

    Por aqui, velório é sinónimo de feira de vaidades.

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A última frase diz tudo. Em síntese, é isso mesmo!

      Beijinho.

      Eliminar
  2. Respostas
    1. Ah!
      Confirmo: GL.
      Duvidava, menino Argos?
      Pios, pois!!!!

      Abraço grande? Que sei eu!...

      Eliminar
    2. Já me ri com gosto.
      Não queria dizer "pios", mas até nem fica mal! :))

      Eliminar
  3. Traduziste com palavras tuas aquilo que sinto em velórios (decisão que muito raramente tomo).
    Abracinho meu!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, maria teresa,

      Faço questão de ir quando a pessoa que partiu, ou os familiares, me dizem muito, quando há entre nós uma grande amizade, condição que se aplica também à minha própria família. Caso contrário não vou. Parece mal? Lamento!

      Beijinho SEM embrulho.

      Eliminar
  4. Bem pertinente o tema!
    Eu não vou a casamentos...nem funerais nem batizados ( não sei bem a razão desta minha atitude!)
    Relativamente a funerais...não gosto das flores e apenas dou condolências à família!
    Por isso...dou comigo a pensar...como me vou comportar...quando partirem as pessoas que amo (se isso acontecer)!!!bj

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vivi isso apenas duas vezes. Mas não foram precisas mais para saber que cada qual é diferente. Assim como as pessoas são diferentes e não existem duas impressões digitais iguais.

      Eliminar
    2. Ora aí está uma boa medida! Só que, e no que respeita a casamentos e baptizados, uma recusa do convite por vezes é pior que o sacrifício de ir. Uma "luta" que já tenho travado por várias vezes.
      Infelizmente já perdi as duas pessoas que mais amava. O que fiz? Não participei a ninguém, só os que me estavam mais próximo souberam. Aqueles últimos momentos eram meus, apenas e só, por isso não fazia sentido a presença de quem quer que fosse.
      Beijinho.

      Eliminar
  5. Também me choca imenso !
    Assisti a um caso que me arrepiou : Uma figura pública ( na altura ) a jogar à bola com os amigos no velório de uma tia !
    E mais não digo...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Lamentável, João!
      Há comportamentos absolutamente intoleráveis.

      Beijinho.

      Eliminar
  6. Sem dúvida que está! A dificuldade em lidar com a morte leva a comportamentos que tem como objetivo a seu afastamento.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Lamento, mas não compreendo essa incapacidade de lidar com a morte. É que a morte é uma inevitabilidade! É por isso, por esse não saber aceitar as inevitabilidades da vida, que quando surge qualquer problema - e não precisamos de remeter para a morte -, a maioria das pessoas tem a sensação que o mundo lhe foge.

      Eliminar
  7. Os meus avós maternos morram no espaço de 3 anos. O último a morrer foi o meu avô. Nunca mais me esqueço de estar a amparar a minha mãe, chorosa e alguém vir ter comigo e como se estivéssemos num café, perguntou: «Então, onde estás?» Queria saber onde eu estava a trabalhar e outras coisas. Eu respondo friamente «Estou no velório do meu avô e virei a cara. E a quantidade de pessoas que entravam na morgue e se acotovelavam para ver os meus avós? Já combinei com o meu pai que quando falecer a minha avó, que é só o meu amor maior, vamos optar por não ter o caixão aberto. Se a querem ver, é agora.

    Em relação ao velório e consequentemente luto cigano, é completamente diferente. O respeito impera e pode até tornar-se assustador para quem está de fora.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tens essa imensa capacidade de me deixar sem palavras!
      Quantos pensarão como tu? Quantos amam os seus - no teu caso particular, a tua avó - dessa forma tão autêntica? Quem tem a coragem desse: " Se a querem ver, é agora."? Quem tem coragem, diz-me?
      Conheço pouco, mas o suficiente para saber que as relações familiares, e até sociais, entre ciganos não têm nada a ver com a nossa.
      Um exemplo?
      Quando era pequenita assisti a uma situação/comportamento que ainda hoje guardo. A minha mãe levou-me ao hospital para visitar um familiar que estava hospitalizado. Uma enfermaria grande, com imensas camas, e numa delas uma mulher cigana. Imaginarás a aflição de todos eles? Imaginarás o número de ciganos que rodeavam a cama? (nessa altura não havia visitinhas contada)
      Acabada a visita saímos. Farás ideia do número de ciganos que estavam na rua à espera de notícias? Ainda hoje, passados estes anos, recordo com admiração aquela forma tão genuína de gostar, de ser solidário, aquela forma de estar do clã, clã no que tem de melhor. É verdade que quando se zangam também não é a brincar, mas tem uma qualidade que muito aprecio, são genuínos.
      Obrigada pela pessoa bonita que pareces (e acredito!) ser.

      Beijinho.

      Eliminar
  8. Não é esse o costume nas sociedades judaico-cristãs, nas quais o silêncio e o recolhimento são norma.
    Esse tipo de comportamentos é típico de outras civilizações e de outras religiões.
    Tenho a mesma opinião - para fazer figuras tristes, é melhor não ir.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sem dúvida, Pedro!
      Era melhor que não fossem, só que lá vem o "parece mal"! Cada vez mais se vive das aparências, e não dos sentimentos.

      Abraço.

      Eliminar
  9. Os velórios e os funerais são uma chatice. O enterramento/cremação é necessário, o chamado "velório" não. É um "tempo" chato, não adianta nada, nem o morto teria medo de ficar sozinho num qualquer canto que houvesse reservado para isso. Como sabes, em certos velórios (sobretudo nas aldeias) são fornecidos petiscos e bebidas para ajudar a "aguentar" aquele período. Acontece também que o velório acaba por ser um local onde se encontram muitas vezes pessoas que já não se viam há muito. É então natural "a alegria" do reecontro. E há quem seja mais expansivo e acabe por dar largas à sua alegria, esquecendo o local onde se encontra. O morto (se o não fosse) até ficaria contente por contribuir para esses reencontros.
    E mais se poderia dizer. Compreendo perfeitamente o teu ponto de vista, mas também acho que se deve "aliviar" o luto do momento difícil sobretudo para os familiares e amigos muito próximos. Mas a morte é morte e não há nada a fazer. Concluindo: levamos a morte muito a sério e fazemos do respectivo cerimonial uma coisa complicada. Por mim, se cumprirem as instruções, não haverá lugar a isso.
    Morte, velório, luto, funeral e um dia de sol tão bonito lá fora...
    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Carapauzito,

      Não posso estar mais de acordo. Velório para quê? Para se assistir àqueles espetáculos?
      Nas aldeias penso (atenção: penso) que a situação, apesar de tudo, é diferente. Para já são meios mais pequenos, depois as relações de vizinhança ainda vão funcionando. Essa dos petiscos, não sei. Sei, isso sim, que há aldeias em que os vizinhos fazem as refeições, e levam a casa dos familiares daquele que partiu.
      É verdade que há pessoas que se encontram e já não se viam há imenso tempo. Mas não podem ter compostura? Coitado do morto! Se visse a festarola morria de novo!
      Saber estar de acordo com as circunstâncias será assim tão difícil?
      ""Aliviar" o luto do momento difícil"? Querido Carapauzito, não quero desanimar-te, mas a maior parte daqueles "amigos" tão queridos, assim que põem os pés na rua nunca mais se lembram daqueles que estão, de facto, a sofrer com a perca que acabam de sofrer.

      Espero que cumpram as tuas instruções. Ah, mas abre uma excepção para o funeral!
      Está sol, e depois?

      Abraço (vou cortar-te essas malvadas barbatanas!)

      Eliminar
  10. Antes demais obg pela visita no meu cantinho. Segui para cá e não me arrependi, pois assim que li este post já senti a vontade de comentar e debater temas - que é o bom da blogosfera.

    Noto a tua grande indignação. Mas vejo de forma diferente e igual ao mesmo tempo. O tema da morte é um que já debati mais de uma vez no meu blogue, aflorando o aspecto dos funerais e dos comportamentos. Nomeadamente a necessidade de algumas pessoas em chorar a prantos ou fingir consternação que na realidade está a ser levada ao excesso. O que a meu ver revela que a pessoa está mais preocupada com as aparências e o julgamento dos outros do que a sentir a perda com o coração. Não que não a sinta a perda mas esta é secundária perante o «medo» do que os outros pensarão de si se não chorar muito, se não gemer, se não recusar alimento e se se ausentar do local? Algumas pessoas não querem arredar pé diante do caixão para não fazer "feio" diante dos restantes parentes mais resistentes. Como se fosse uma competição!

    A mim não me faz confusão perceber um sorriso ou um riso entre os que aparecem para prestar a última homenagem. Pelo contrário. Claro que existem formas e formas. Alguns descontraem demais e estão claramente noutra realidade que não a presente. Mas julgo serem poucos. A necessidade de relaxar e de relativizar o que TU tão corretamente apontas como uma certeza da vida faz com que as pessoas engatem em conversas e mudem o rumo para algo mais leve e feliz.

    Na minha opinião deviamos estar a pensar um pouco assim, sim. Sentir luto mas por uma perspectiva construtiva ao invés de uma egoísta. Olhar para a pessoa que já não vive e recordar que teve uma vida. Amou, chorou, lutou, criou filhos, venceu e perdeu batalhas e agora o ciclo se completou. Isso é bonito, não é? Perceber isso fez com que esboçasse um discreto sorriso no último funeral. Senti plenitude. E fiquei muito mais próxima da alma da pessoa (creio eu) e honrei aquilo que foi em vida, não centrei a sua existência no facto de não mais existir materialmente.

    Tem outro aspecto interessante de ser analisado em todo este tema da morte e funerais. Não, não creio que a resposta às tuas questões resida no facto das pessoas quererem negar a morte como uma realidade inevitável e sim abraçar o bom da vida.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Em síntese. Vivemos numa sociedade em que o que balançamos entre o "parece bem", "parece mal".
      O que importa o que os outros pensam? Só que muitos, de facto, não conseguem libertar-se desse preconceito.
      Um sorriso até pode ser um bálsamo, mas daí à gargalhada, enfim!...

      Quando dizes que se deve ter em conta factores inerentes à vida, como: " Amou, chorou, lutou, criou filhos, venceu e perdeu batalhas e agora o ciclo se completou", não posso estar mais de acordo. Se bem que haja pessoas que não cumpriram todas essas etapas, o que não invalida que se tenham realizado.

      Este tema levar-nos-ia muito, muito longe, por isso agradeço os teus comentários tão bem desenvolvidos e fundamentados.

      Eliminar
  11. Em todo o planeta as pessoas têm formas culturais MUITO diferentes para viver o luto. Sabias que num país qualquer o morto fica em casa do parente até este conseguir reunir uma fortuna enorme em dinheiro para pagar a festa do funeral? É verdade. Por vezes cinco anos, ou mais - no caso de famílias muito pobres. Mas a cultura deles torna impossível agir de forma diferente. Imagina o dinheiro que é necessário para uma ostentosa festa de casamento cá connosco e é isso que todos eles, ao imaginar o momento da sua morte, esperam obter. Caso contrário o espírito não encontra paz e vai assombrar a família. Enquanto isso apodrecem a olhos vivos, dentro dos caixões, na casa dos familiares que nascem, crescem, num eterno perpectuar de velório, com altares, velas, flores.

    Tens ainda os funerais americanos que vemos no cinema. São acompanhados de catering (alias, também por cá antigamente, antes da morte ser um negócio exclusivo de funerárias, era costume receber as pessoas para velar o falecido e facultar alguma espécie de alimento pelas longas horas que leva o velar). Não achas estranho que as pessoas a seguir a um funeral, no caso americano, sigam para a casa do defunto ou de um familiar porque têm direito a um come-e-bebes? A pessoa que perdeu o ente querido sente-se na OBRIGAÇÃO de organizar uma recepção à medida e anda de rosto em rosto a perguntar se a pessoa está satisfeita, se tem tudo o que precisa, se necessita de uma bebida..

    Mas ainda tem outra realidade - para mim mais interessante, que é aquela dos funerais acompanhadas de uma banda de música. Já deves ter visto nos filmes. É muito típico no sul da América, numa cultura mista americana e africana.. Aliás, a música é tocada em funerais por lá. Aqui julgo que seria sacrilégio ou quase...

    Mas agora faço-te uma confidência: um parente meu sempre diz, quando o tema é morte, que no seu funeral não quer ver ninguém triste, quer é que as pessoas se alegrem e recordem as coisas boas em que esteve envolvido e não quer cá choros copiosos. Diz que quer que toquem música no seu enterro. Até sei que músicas são! Repete isto sempre que o tema é a morte. Eu disse que sim e pretendo se não morrer antes, cumprir o prometido, na medida do possível. Não sou menos por isso, não sofro menos nem faço mal a ninguém. Se será possível é outra história - porque aqui entra o costume e o tal POLITICAMENTE CORRETO de que falas que tens aversão. Claro, tudo ficaria mais simples se a pessoa fizesse testamento onde especificasse que este era o seu último desejo... Mas as pessoas recorrem pouco a este recurso. Eu penso em deixar um testamento mas como não tenho pressa também sei que a morte pode antecipar-se! :D

    Levo a sério os ULTIMOS DESEJOS. Mas infelizmente sei por experiência que na altura a conveniência e a praticabilidade e os interesses de cada um falam mais alto que a última vontade do morto. E pelo que observei são exatamente essas pessoas que choram bastante, se descabelam, se assoam como carpideiras e quem fazem "chiu" constantemente as primeiras a não ligar aos últimos desejos do falecido, não os honrando, de tão fechadas que estão nas suas próprias necessidades e crenças absolutas.

    PS: desculpa o longo texto mas é um tema que tem muito que se lhe diga! bjs.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Claro, cada povo tem a sua cultura, as suas crenças, a sua forma de lidar com a morte.
      Se o teu parente manifesta esse desejo é bom que o cumpram, só que deveria, como dizes, fazer testamento nesse sentido.
      Não tens que pedir desculpa pela dimensão do texto.
      Gostei de te ler.

      Beijinho.

      Eliminar
  12. Ah! Esqueci de referir que antigamente era culturalmente aceite fotografar os mortos, nas suas melhores roupas, por vezes não dentro de caixões mas a simular posições como se fossem vivos. Não me choca. Choca-me mais que estejamos a caminhar para tudo nos chocar quando cada qual sabe dentro de si se está em desrespeito ou não. Se sente ou não.

    PS: recentemente existiu uma polémica nas redes sociais porque uma adolescente que foi a um funeral tirou uma selfie ao lado da pessoa dentro do caixão... É socialmente incorrecto, certo? Mas porquê se tiram fotografias a tudo e mais alguma coisa e não se pode tirar aos mortos? O incorrecto foi a adolescente se meter na foto com um sorriso no rosto e o PUBLICAR na rede social... Também não tinha de estar em lágrimas. Simplesmente não tinha de estar, talvez. Mas tirar uma fotografia respeitosamente como última oportunidade de guardar uma imagem daquela pessoa não é algo que ache ilegítimo. Assim como não seria guardar uma mecha de cabelo. Se calhar o fazer ou não fazer PUBLICIDADE disso é onde esta o mal!

    Quando um parente meu faleceu deixando todos surpreendidos eu tinha-lhe tirado uma fotografia apenas uns dias antes. Andaram todos a me pedir essa fotografia. E agora pergunto: não será também morbidez? Porque vão associar sempre como sendo «a última antes de morrer».

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Redes sociais, coisas que se publicam nas ditas, etc., tudo isso pode ser contestável, (ou não) quer se trate de vivos ou mortos. Há situações extremamente delicadas, portanto, é necessário bom senso e respeito.
      Quem é que te pediu a fotografia desse teu parente? Se forem outros elementos da vossa família por que não? Não te parece ser natural que queiram ficar com uma recordação? Não me parece que seja mórbido.

      Eliminar
  13. Tal e qual Gl.
    Chama-se hipocrisia
    Eu já nem vou a esses, no outro dia tinha um que imaginei que assim fosse não fui, fiquei em casa recolhida, eu mais a morta, já não tenho paciência, cada vez sou mais autêntica e concomitantemente mais incumpridora das regras sociais, mas enfim... ou cara ou coroa :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Helena,
      A hipocrisia, seja em que situação for é intolerável, neste caso concreto, é obscena.
      Não tenho paciência, e esgotei a tolerância relativamente a determinados comportamentos.

      Abraço.

      Eliminar
  14. Eu só vou a casamentos, batizados e funerais de pessoas que me digam muito, ponto. Sou, neste aspecto e noutros também, politicamente incorrecta. ;-)
    Achei este seu post muito pertimente, GL. Hoje, parece que não se pode falar em doença e morte que somos logo apelidados de mórbidos. Acaso não fazem ambas parte da vida? Não teremos, tarde ou cedo, de passar por isso? Não será mais saudável viver as emoções no seu tempo próprio para ficarmos melhor connosco, sem recalcamentos e situações mal resolvidas?E concordo consigo no que toca à compostura também. É uma questão de respeito por quem já partiu e pelos familiares e amigos que realmente estão tristes com a partida do seu ente querido, embora, reconheça que na alegria de reencontrar um parente que não via há muito, possa ter manifestações mais exuberantes, mas aí prefiro afastar-me do caixão para um local mais recatado e continuar a conversa.
    Beijinho, GL :-)

    ResponderEliminar
  15. Olá, GL
    de regresso após uma pequena ausência, aqui estou.
    Creio, sem me armar em freud-de-trazer-por-casa, que esse comportamento é uma forma de celebrar a vida, ou de fugir à ideia da morte, o "que não é a mesma coisa, mas é igual", como se diz numa canção conhecida.
    O que me chateia um pouquinho é a hipocrisia. Se é para celebrar a vida, então que se faça em grande, com festa e boas memórias que quem morreu tenha deixado.
    Apenas assisti a algo parecido com isso, no S. Luis, quando Miguel Portas morreu. Mas foi uma escolha clara dele. E bem respeitada, por familiares, amigos e camaradas.


    Beijinho

    ResponderEliminar