terça-feira, 8 de julho de 2014

Médicos e greves, algo que se afigura incompatível!



Muito bem, ou melhor, muito mal!

Obviamente que podem os médicos fazer todas as greves - como qualquer  trabalhador - que acharem por convenientes.
É um direito que vos assiste, caros doutores, e que ninguém contesta. Há apenas um pequeno pormenor que parece ficar esquecido. É que neste caso os lesados, aqueles que são realmente prejudicados, são os doentes, e estes, meus amigos, deviam merecer-vos o maior respeito por uma simples razão. Já pensaram que a grande maioria destas pessoas não têm voz para dizer o que quer que seja? Já pensaram que estas são as vítimas primeiras, as únicas, da vossa ausência?
Quaisquer que sejam os vossos motivos, e sei de alguns, não seria viável organizarem-se, quer nos Centros de Saúde, quer nos Hospitais, por forma a não atingir aqueles que estão, literalmente, nas vossas mãos?!
 
Ora pensem, ou antes, repensem melhor as vossas lutas laborais e respectivas consequências, qualquer que seja o motivo das mesmas, pode ser?
Agradeço, desde já, em nome de todos aqueles que não o podem fazer.

17 comentários:

  1. Não se pode defender o direito à greve

    e ao mesmo tempo condena-las
    A questão é saber acerca dos provocadores
    sendo certo que uma greve provoca danos

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  2. Não condeno a greve, nunca condenei e penso que a minha postura acerca disso está bem explicita no post.
    Claro que os médicos podem e devem fazer greve mas, e tal como sugiro, não haverá processo de se organizarem por forma a não prejudicar o doente? É que não estamos a falar, por exemplo, do transporte que não há, etc., etc., não, o que está aqui em causa é a saúde das pessoas.
    É evidente que a greve provoca sempre danos, dizes bem, mas não aceito que esses danos sejam recaiam sobre doentes, isso não.

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  3. Aqui ele está hoje de greve, depois mete uns dias de baixa e depois férias... consultas só lá para meados de Agosto... e entretanto as pessoas nem receitas... são dos últimos a terem razões para fazer greve, estivessem todas as profissões neste país valorizadas como as deles e isto não estava tão mau... como dizia hoje a administrativa, ela está lá até às 17h para receber 700 euros e ele vai lá (quando vem) umas horitas para receber 3000 euros...

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    1. Admito que a vida de alguns médicos não seja fácil, mas encontrem forma de reivindicar sem prejudicar precisamente aqueles que não têm culpa nenhuma no processo.

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  4. Ia dizer qualquer coisa, mas a Ana disse tudo.
    Só tenho a acrescentar: medo. Muito medo.

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    1. Mas é mesmo de ter medo, não duvides!

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  5. Totalmente de acordo contigo, GL!
    Organizar para não atingir os mais frágeis. As greves e as manifestações são um direito, como tal, há responsabilidades e o respeito pelo outro.

    Abraço grande

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    1. Pois é, Argos, e queres maior prova de desrespeito?!
      Sentido da responsabilidade, respeito pelo outro? Em teoria é muito bonito, na prática? Uma utopia!

      Abraço grande.

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  6. Compreendo-a mas só com a greve é que se pode lutar pelos direitos. Eles são os que mais força têm na greve pois mexe com a vida/morte das pessoas.
    Não são os que mais têm sofrido com este governo mas é um direito que lhes assiste.
    Beijinho. :))

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    1. Desculpar-me-á, Ana, mas é precisamente esse poder sobre a vida e morte de outrém que os devia fazer pensar em alternativas reivindicativas, formas que nunca fossem atingir o elo mais fraco, ou seja, os doentes. É que a vida vs saúde devia ser sagrada para todos, particularmente para aqueles que prestaram juramento sobre a defesa da mesma.
      Têm todo o direito em se manifestar da mesma forma que têm o direito, e a obrigação, de colocarem os interesses do doente acima de quaisquer outros.

      Beijinho.

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  7. não se pode servir a dois senhores ....
    quando não é branco, nem preto corre-se o risco de ficar no cinzento ... pardo!

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    1. Não, não pode!
      Aqui não há nuances, é tudo bem claro: prejudicar os doentes, nunca. Se seguido este principio não haverá lugar a cinzentismos, muito pelo contrário.

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  8. O bem-estar dos doentes deve estar acima de tudo. Organizem-se lá como quiserem, mas sem pôr a saúde dos mais frágeis em risco. Haja noção das prioridades, sensibilidade e bom senso.
    Beijinho, GL! :-)

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    1. Sandra, desculpe, mas a resposta ao seu comentário aparece a seguir ao do PM, em vez de ter ficado aqui."Mistérios" que me ultrapassam. :(
      Beijinho.

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  9. Este problema do direito à greve por parte de certas profissões é velho e sempre controverso.
    Uma greve é em princípio feita para defender certos direitos ou obter alguma coisa contra “alguém”. Esse “alguém” é a entidade empregadora e o princípio é este: “ou me dás isto” (seja lá o que for o “isto”) ou prejudico-te. Foi assim que nasceu a greve. Depois a lei veio a consagrá-la e nasceu o “direito à greve”.
    Quando são médicos (e outras profissões que têm por “patrões” uns mas prestam serviços a outros), a situação complica-se, porque os prejudicados são sempre os “outros” e a entidade patronal até é beneficiada (não paga ordenados durante a greve e não tem outras despesas).
    Então terão de ser estes grupos profissionais prejudicados nos seus “direitos”? Também parece que não, mas só com muito bom senso se pode resolver esta equação. E o bom senso é coisa que não abunda, quer duma parte quer de outra.
    E também não quero meter todos no mesmo saco, porque nesse saco também não cabem todos.
    Adiantei alguma coisa com este palavreado? Acho que não, mas é um tema em que tenho pensado muitas vezes.

    Este comentário aparece com atraso, não porque tenho feito greve (nunca fiz greve), mas porque estive a retemperar forças.
    Abraço.

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    1. Ora muito bem PM, vamos lá ver!
      O primeiro parágrafo não suscita quaisquer dúvidas, o problema começa a colocar-se com o segundo, senão vejamos.
      'Obter alguma coisa contra "alguém".' Claro que o "alguém" é o patrão, seja o Estado, a empresa, o "zé da esquina", etc. Até aqui estamos de acordo, certo?
      Pois, só que isto não é assim tão linear.
      Dificilmente encontras uma greve que visa o "zé da esquina", ou seja, nestes casos a relação é entre trabalhador e empregador e, a haver problemas, a resolução dos mesmos é apenas entre eles.
      Estás a acompanhar-me? Então continuemos!
      As greves dignas desse nome, as que envolvem patrões, trabalhadores e sindicatos (ai, os sindicatos?...) prejudicam sempre umas criaturas - leia-se, nós - que não têm nada a ver com tudo aquilo.
      Até aqui concordas? Óptimo!
      Vamos a um exemplo. A greve dos transportes. Queres greve que tenha mais efeito sobre a população? Já estive presa no trânsito- meu Deus, quantas vezes! - horas, de motor desligado, condutores fora dos carros, todos indignados, a clamar que não havia direito, etc. Se não transtorna a vida de muita gente? Claro que sim, mas nunca me constou que tenha morrido alguém.
      Greve dos meninos da EDP. Vamos supor que chegas a casa e não tens electricidade. Acendes uma vela e resolves o problema. Falta a água? Não tomas banho nesse dia. A panificadora, uma grande empresa, fez greve. Temos pena, nesse dia não comes pão.
      Mas?...
      ... sentes-te mal, ou estás hospitalizado, necessitas de cuidados imediatos naquele momento, o momento que pode fazer a diferença entre a vida e a morte, entre ficares bem ou com sequelas graves, em caso de AVC, por exemplo, e és condenado porque aqueles que te deviam prestar a assistência necessária resolveram que fazer greve era mais importante? Têm direito a fazer todas as greves que tiverem por convenientes, mas organizem-se por forma a não deixar os serviços a descoberto.
      Já agora só mais uma coisita simples. Para a próxima vejam se arranjam um motivo mais convincente. Esse da defesa do SNS já não convence ninguém.

      Abraço pequeninito. É que estou quase a bater em alguém!...

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  10. Porque será que não percebem o óbvio?
    Dói, Sandra, dói ver castigados aqueles que já o estão por motivos que os ultrapassam.

    Beijinho.

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