terça-feira, 12 de agosto de 2014

Quando a análise, de tão lúcida, dói.


 
Com devida autorização da Amiga Helena, do blog Cabide de Simplicidades, deixo-vos(me) um texto de sua autoria que me prendeu do inicio ao fim.
Não vou classificá-lo - quem sou eu para o fazer! -, apenas registo o prazer que me dá ler quem assim escalpeliza o ser humano e o seu comportamento. 
Não é a primeira vez que publico textos que lhe "roubo", provavelmente não será a última.
 
"EXAGERO
 
Exagero para mim é a maioria das pessoas acharem tudo exagerado.
Quando pensamos de forma clara e concisa há duas atitudes por parte de quem nos observa:
1. verem-nos com um certo respeito
2. acharem que há exagero, falta de moderação e outros substantivos e adjectivos similares.
 
Sim, sou feliz se considerarmos que tenho livros para ler com palavras enfileiradas, linhas, páginas e folhas onde posso ler, absorver no cérebro pensamentos distintos, novos, diferentes, aquela coisa que os livros têm em simultâneo, algo de embriagante e anestesiante. Mas depois penetra em mim aquele sentimento que tenho contra a injustiça e a impunidade...
...E não percebo porque é que as pessoas preferem o silêncio, a comodidade imediata, a pega de cernelha em vez de encararem de frente os problemas.
A cobardia, o deixa andar, mesmo que disfarçado de bom feitio, do social-porreirismo, que se vai resolver, a ausência de dádiva e solidariedade são alguns atributos com os quais convivo mal.
O país vai-se destruindo com a ajuda de todos em parcelas desiguais embora e, tudo quanto seja crítica ao status quo, é severidade para muitos e ficam estolidamente sentados ou a andar e a viver como ovelhas a pastar  como se num prado estivessem, sem participar no mínimo que seja em seu redor.
Talentos unilaterais poder-se-ia chamar.
Sempre me atraíram as pessoas monomaníacas, fixadas numa única ideia, ao mesmo tempo que me causam repulsa. Fazem-me lembrar térmitas que constroem uma abreviatura do mundo curiosa e singular.
O meu país está a parecer um oceano negro de silêncio.
Esta resposta do povo, através do silêncio, corrói e destrói, este nada da oposição que não existe.
Nada, nada assemelha-se à loucura colectiva.
E membros há no meio deste mar que pugnam por menos severidade, maior relaxamento e outras doçuras.
RECUSO-ME."

 Uma vez mais, obrigada, Helena!

10 comentários:

  1. A oposição, quando devia ter o trabalho facilitado tal é o acumular de disparates de quem (des)governa, anda entretida em guerras de alecrim e manjerona :(

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    1. E onde está a oposição, Pedro?
      Mesmo com muito boa vontade, mesmo com um imenso esforço no sentido de a encontrar, onde está quem a represente, quem a cumpra nos seus princípios?
      Um deserto, um imenso deserto!

      Abraço.

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  2. Provavelmente não "exageremos"... se afirmarmos que o "exagero" abusivo...por parte de muita gente "exagerada" ...não é benéfico para o "exagerado"...e não só!
    Espero não ter "exagerado"!!!
    Gostei da opinião e reflexão! BJ

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    1. Gostei do seu não "exagero" nas considerações sobre o "exagero" que é este desnorte.
      Contudo, e sem querer "exagerar" considero que o "exagero" abusivo é o pior de todos.
      São todos abusivos, dirá. Talvez! Só que uns mais toleráveis do que outros.

      Beijinho.

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  3. GL,
    Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, o colectivo, e é deste que se fala não está ausente, há momentos de espera que são inevitáveis.
    (des)graça de sermos portugueses?
    Beijinho. :))

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    1. ana,

      É precisamente no colectivo que reside o maior problema. É que os momentos de espera que se eternizam, este "deixa andar", estas lamentações inconsequentes, não conduzem a nada a não ser ao desastre maior.
      Tal como a Helena, gosto de pegas de caras na mesma proporção em que abomino as de cernelha.
      Beijinho. :)

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  4. virei outro dia dizer do meu sentir em relação a este texto .

    Hoje venho , sómente , agradecer a sua simpática presença e palavras , no meu canto .

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    1. Escusado será dizer que é sempre muito bem vinda.

      Ir ao seu cantinho, tão rico na originalidade, é sempre um prazer. Gosto, e muito, do arco-íris, logo, o caminho é o "Lilazdavioleta".

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  5. Exagero umas vezes , desinteresse silencioso outras . . . não haverá aqui uma certa bipolaridade ?!

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    1. Respondo com outra questão.
      Não haverá antes um efeito de causa/consequência? É caso para dizer que, aqui, a ordem dos factores é arbitrária.

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