terça-feira, 19 de maio de 2015

Quem é capaz de explicar?



Que tipo de fenómeno é este que assola o nosso País, e não só?

Diariamente, através de todos os meios de comunicação social, somos "bombardeados" com notícias extremamente "animadoras". 

Hoje foi notícia:

- mais um caso de uma criança vítima de violência por parte dos colegas, que desta vez o amarraram a um poste, tendo sido depois despido e, obviamente, vexado na sua dignidade. É que não sei se já perceberam mas as crianças também têm dignidade.

- a morte de mais um homem assassinado, à queima roupa, por um cliente no café de que era proprietário.

Agora a questão que se impõe: os cidadãos andam todos armados?

Depois.

- a polícia não sofre de excesso de zelo? Será que a atitude repressora não é excessiva em determinadas situações como a verificada há dias com o espancamento de um indivíduo perante a aflição/desespero dos filhos, ainda crianças?

Para onde caminhamos? Que mundo é este? Que tipo de cidadãos criámos e continuamos a alimentar?

A violência e o desrespeito passaram a ser a palavra de ordem?

Ouvir um qualquer telejornal tornou-se um exercício só destinado a pessoas, não só corajosas como masoquistas.

Qual é o interesse, caríssimos responsáveis pelo conteúdo informativo, em repetirem, à exaustão, as notícias que contenham maior violência?
A quem aproveita isso?

E as redes sociais? Não terão qualquer responsabilidade no facto de tornarem certas imagens/notícias virais? Que prazer tiram de tudo isto? E não são responsabilizados pelos danos que causam?

Muita da violência, particularmente a que se verifica nas escolas, não terá por finalidade primeira proporcionar aos seus responsáveis os tão desejados cinco minutinhos de fama?

Penso que urge acordar, e o mais rapidamente possível. 
Andam todos muito distraídos, atenção aos sinais.

27 comentários:

  1. As notícias que me chegam aqui desde Portugal são absolutamente deprimentes :(

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    1. Deprimentes e vergonhosas.:(

      Abraço, Pedro.

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  2. Subscrevo inteiramente e como a minha memória não é curta, recuo um pouco atrás, porque para mim a história repete-se e vivemos os mesmos tempos conturbados e precariedade a todos os níveis como da década de 80 a 86. Só que os telemóveis hoje são réis e senhores de uma propaganda doentia do vale tudo.

    Beijocas

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    1. Infelizmente para todos nós, sim, a história repete-se, só que os "métodos" utilizados nesses período não eram, nem de longe, tão graves.
      A divulgação sistemática destes casos é um drama acrescido.
      No caso do menino amarrado ao poste, aquela situação teve lugar há uma ano. Muitos de nós apercebemo-nos desse dado? Porquê remexer numa situação, que até para o próprio adolescente poderia estar mais ou menos resolvida?

      Beijinhos

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  3. Aviso: vou ser bruto.
    Serei, logo a abrir, radical. O fenómeno que assola o nosso país, não é um fenómeno. É, se virmos bem, uma intenção. De quem sente saudades do passado e a ele quer regressar. Os sinais que temos visto são exactamente sinais. De que há muita coisa mal. O que é fácil de constatar, quer pelo que assistimos no nosso dia-a-dia quer através daquilo com que jornais, televisões e rádios (estes menos) nos impingem sem dó nem piedade.
    Perguntar-se-á se tem que ser assim, se aqueles são os formatos indicados para deixar que a malta leia, veja, oiça, sem correr o risco de uma apoplexia. Respondo que não deveria ser mas é. Porque os 'media' são cada vez mais órgãos comercias e menos informativos. Entendendo como informativos, o conteúdo e a forma que os grupos financeiros que gerem os meios impõem para que se venda.
    Aqui, chamo culpados aos que compram, leem, consomem a informação e a não informação como autênticos alarves. Eu avisei que ia ser duro.

    Nas redes sociais encontramos uma faceta dupla. A de dar a conhecer como alerta, divulgando à exaustão mas, outrossim, o formato de causar pânico exagerando quando não há necessidade.

    Não tenhamos dúvida de que a violência e o desrespeito comandam a vida. É triste constar tal coisa mas é verdade. Culpados? Um pouco em todo o lado. Nos órgãos governamentais e, desde logo, nos agentes da autoridade que estão sob a sua tutela, ao povo comum que dá razão à velha máxima de que violência atrai violência. Naturalmente que isto acontece, muito por culpa da tal autoridade que não dá o que devia dar, um sentimento de confiança diante de quem muitas vezes de si precisa.
    Casos como o de domingo, em Guimarães e em Lisboa (Marquês de Pombal), há muitos, só que não são apanhados pela voracidade das gentes que dizem que informam e passam em branco.
    Casos como os referidos, levam-nos a pensar que a actual autoridade se está a transformar progressivamente em autoritarismo, começando a imitar métodos dos tempos que pensávamos idos. Está à vista e só não vê quem não quer.

    Nas escolas, em casa, nos empregos e por aí fora, a incerteza impera, transformando os diversos intérpretes em vândalos/assassinos.
    É urgente actuar mas, para isso, muita coisa terá que mudar, a começar por cima. E esse trabalho dá devia ter sido feito 'ontem'.

    Aguardemos e, entretanto, façamos a nossa parte.
    Um abraço, GL.

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    1. Penso que sim, nada disto é inocente. Camuflada, ou não, a intenção está lá, e não sei se será apenas de saudosistas do passado, não sei! Quer-me parecer que é muito mais do que isso.

      Os órgãos de comunicação também não servem interesses? Então?
      Inocentes? Não, nada do que fazem é inocente, e só não vê isto quem não quer.

      As redes sociais são um flagelo, cada vez estou mais convicta disso. Daqui a uns anos, penso que não muitos, talvez os mais optimistas vejam as consequências das ditas.

      Mais uma vez estou de acordo. A violência é a palavra de ordem, seja em que sector for da sociedade. Todos os dias, todos, de uma ou outra forma, somos confrontados com essa realidade.
      Como colmatar isso? Que medidas tomar por quem de direito?
      Autoritarismo? Não, obrigado!
      Estamos a atravessar um período altamente conturbado, mas parece que muitos poucos se apercebem disso.

      A incerteza, a insegurança, a desesperança, fazem parte do nosso presente, gostaria que não fizessem parte do futuro, mas...?

      Obrigada por este comentário. Obrigada pela análise lúcida e pragmática, que subscrevo na integra.

      Abraço.

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  4. O FB e os meios da comunicação social ao darem esta "publicidade" aos criminosos, vai fomenta outros casos !
    Tudo à custa de uma alegada !

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    1. Está mais que provado que a divulgação - muito em especial se for exaustiva -, deste tipo de casos potencia situações semelhantes.
      Pois é, todos sabem, mas isso evita alguma coisa?

      Beijinho

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  5. Penso que isto é um sinal dos tempos... e da crise (também de valores)...
    Pais que acumulam empregos para sustentar a família, sem tempo para os filhos...
    Filhos, que entregues à própria sorte, se auto-educam nas redes sociais, jogos de playstation, em frente à televisão, ou em saídas em grupos de amigos...
    Professores que não podem fazer milagres e não se podem substituir aos pais, em matéria de educação, e fazem aquilo que é da sua competência exclusiva, que é a transmissão de conhecimentos... porque não terão tempo nem capacidade para mais... sobretudo, se tiverem um sem número de testes para corrigir, aulas para preparar, e se estiverem colocados a não sei quantas milhas longe de casa...
    Precariedade de condições de vida, das classes média e baixa, em que a mínima situação, mais inesperada, pode conduzir a verdadeiras situações explosivas ou dramáticas...
    Desemprego crescente... apesar dos números e estatísticas dizerem que está tudo cada vez melhor...
    Falta de vergonha da classe política, com medidas de puro terrorismo social...
    Banqueiros corruptos... cujas consequências... anda toda a gente a pagar por elas...
    Enfim... sinais dos tempos...
    Beijos GL! Como sempre um post bem pertinente...
    Ana

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    1. Infelizmente assim é, Ana! Entram aqui uma série de factores que, em conjunto, resultam no desastre a que assistimos com uma frequência assustadora.
      Beijinho

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  6. Um dia será outro dia

    se nos indignarmos hoje

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    1. Há quem se indigne, mas são tão poucos!...

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  7. ~ ~ A situação de crise
    económica contribui muito para este incremento de situações violentas...

    ~ ~ A falta de recursos
    materiais fez aumentar bastante o número de famílias disfuncionais.
    As crianças provenientes destes meios turbulentos, são agressivas.

    Com turmas escolares enormes, os alunos não são objeto de devida
    atenção que talvez pudesse minimizar a falta dela em casa.

    ~~ Quanto aos policiais, também lhes chegam as faturas pelo correio...

    ~~~~~~ Abraço amigo. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. A situação económica é a razão primeira deste descalabro, sem esquecer a ausência quase total de valores, falta esta transversal a toda a sociedade, família incluída.
      Dramático, Majo, dramático!
      Beijinho

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. GL,
    Tudo lamentável.
    Não consigo dizer mais nada. Um país sem flores.
    Beijinho.:))

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    1. Ana,
      Sem flores e sem horizonte.
      Beijinho.

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  10. Faço minhas as palavras do Observador!

    Bom fim de semana

    Beijocas

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    1. E somos duas.:(

      Bom fim-de-semana.
      Beijinhos

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  11. Cada vez está pior e também não consigo compreender porquê.

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    1. Diana,
      As causas estão à vista, basta estarmos atentas.
      Bom fim-de-semana.

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  12. lucidez e inteligência
    reconfortante ler o teu texto e comentários...

    grato.

    beijo

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    1. Eu diria angústia, aflição, e saber olhar à minha volta, só isso heretico.

      Os comentários são extremamente enriquecedores, só tenho que agradecer aos amigos que assim complementaram o post.

      Beijinho

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  13. GLamigo

    Venho por aqui fora na blogosfera e chegado aqui deparo-me com um blogue muito interessante, linear., bem arrumado e com este texto fabulástico. Está lindamente escrito, cheio de ideias que são correctas. E não te estou a passar a mão pelo pêlo.

    Se fores à minha TRAVESSA poderás ver que passei uma grande parte da minha vida a escrever. Por isso é com um grande prazer que faço este comentário. O tema é complexo, melhor diria complicado. Como "velho" jornalista pasmo quando encontro a apologia da violência porque vende mais papel ou aumenta o "share".

    Mas . como evita-lo? Diz-se que é falta de civismo; eu digo que é falta de educação. E, podes crer, não sou puritano, bem pelo contrário. Sofri na pele e na carne a violência da PIDE que então ainda não era DGS.

    Quando falas em angústia, aflição tens carradas de razão. Mas, não podemos esquecer que o Povo diz De pequenino é que se torce o pepino. Na I República de quem se tem dito tanto mal, uma das primeiras leis promulgadas foi a do Ensino. Cito de memória e resumindo: "o Ensino compete às escolas; a Educação compete às famílias..."

    Se atentarmos bem nisto talvez a violência não seja tão grande e tão difundida; se não fizermos nada, com os braços cruzados, seremos Pilatos...

    Qjs = queijinhos = beijinhos do Pernoca Marota


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    1. Obrigada pela visita, Henrique, foi um prazer.
      As minhas desculpas por ainda não ter agradecido, trata-se de um lapso lamentável.

      Irei visitar o teu espaço, mas com calma.:)

      Beijinhos.

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