sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ainda Paris, numa partilha, esta muito especial!

Hoje?
Hoje deixo-vos um texto que me fez pensar - aliás como tudo o que é publicado por lá - roubado à Amiga Helena, do blogue "Cabide de Simplicidades" e com sua permissão, como é óbvio.

Aqui fica.

"Analisemos com a cabeça"

RACIOCINANDO:
A França já não dispensa um "inimigo interno", Manuel Valls associou alguns islamistas a um inimigo interno.
Qual é a política externa da França?
Que tipo de democracia é a francesa?
Quem são estes jovens radicais que se tornam máquinas de matar?
A política externa francesa está alinhada com a dos Estados Unidos, "lider do mundo livre" como bem dizia Dominique de Villepin e ao dizer isto, diz-se tudo, diz da sua hipocrisia suprema. Tem reagido sempre com intervenções armadas e lições de moral, com reacções pavlovianas. Ainda ontem o Embaixador de França em Portugal confirmava a política externa agressiva a reboque dos neoconservadores americanos em relação à Síria e ao seu Presidente, dizendo que a França queria ver Bashar al-Assad fora da Síria.
A França foi um país colonizador, não tem um passado, a esse nível, de que se possa orgulhar, antes pelo contrário.
Hoje a França está transformada pelas migrações e representa a diversidade do mundo e dos seus conflitos
A democracia francesa não tem qualidade, é a autoridade e a austeridade, medrosa.
Não tratam (eles e todos os outros povos europeus) das causas políticas A França não tem um diplomacia política, dos povos, povo a povo.
Estes jovens radicais, são jovens que vivem em guetos, sem esperança de futuro, desempregados, sem acesso aos bens culturais da bela França. São jovens que nada têm a perder.
Fazem vítimas e são vítimas.
Quem está por detrás do tal estado islâmico, quem lhes fornece armas, a quem interessa?
Quais são os grupos de interesse?
A globalização destruiu, dissolveu os Estados-nação, deixando-os expostos às histerias raciais, confessionais, etc.
Onde está a Soberania dos Estados?
A ordem ocidental (E.U./Europa) é contestada, cria conflito, desagregação.
Na verdade estamos num mundo sem regras.
Não encontremos a justificação para o que aconteceu em Paris apenas nos jovens tornados máquinas de matar. Temos obrigação de analisar globalmente, de perceber o que se está a passar, de não atirar as culpas para os primeiros que nos aparecem.
DEVEMOS TRATAR AS CAUSAS POLÍTICAS SEMPRE OU QUASE SEMPRE ESQUECIDAS:
TODOS ESTAMOS NO MESMO BARCO."



 

O espaço da Helena, um espaço que visito há uns anos - quantos Helena, recorda-se? Recorda as belas aves que nos davam os bons dias? -  tem características muito peculiares. Quando se entra apetece fazê-lo em bicos de pés para não perturbar,  descalços para não o conspurcar com a sujidade do mundo que levamos agarrados aos sapatos, à alma.
 
Intimista, um espaço de confidência, aquele com quem partilha mágoas, dores, desgostos e aflições, mas também beleza, e paz, e serenidade.
 
 A Helena fez do seu cantinho um refúgio, um espaço onde acontece o monólogo sentido, onde acontece confidência, mas também análise.
Análise do Homem e das suas idiossincrasias, das aves amigas, suas companheiras de eleição e que conhece como poucos. O que aprendi consigo, Helena, no que respeita às nossas amigas que nos ensinam liberdade!

Por vezes, e apesar do intimismo que se vive, que se "respira" por lá, entreabe uma porta - sem nunca a escancarar! - num deixar a nossa imaginação à solta. 
E assim somos livres de sonhar futuros, mas também passados. Outroras que foram belos, que carregam, até hoje, magias de bom gosto e requinte e sonho.
 
"Conversas" com o bloguinho, como carinhosamente trata o seu espaço, por vezes curtas, duas três frases, nada mais, mas quanta verdade, quanta alma?!

Os roubos? Bem, para a Helena estes já têm acontecido, logo...
 
Obrigada Helena, obrigada sempre, pelos belos momentos que me tem proporcionado.

Para si, e para todos os que por aqui passarem, fica, também uma das novas vozes francesas que muito aprecio. 
 
 
 
 
 

11 comentários:

  1. O que dizer, GL.
    Há tanta hipocrisia em tudo. França foi um dos baluartes da liberdade Moderna...
    Em Nice onde estive por duas vezes não senti xenofobismo. Em Paris, já não posso dizer o mesmo. Todavia, gosto de Paris e estou solidária com as famílias e as pessoas que perderam os seus entes queridos. Sou contra o terrorismo, como somos todos, a falta de tolerância e a falta de compreensão pelos direitos dos outros, não escrevi intolerância de propósito. Sei que não se pode colocar todos os muçulmanos no mesmo saco, sei que nem todos são fundamentalistas e lêem o Alcorão como o livro do amor e não do ódio e da vingança ou da prepotência.
    Tanta coisa se pode dizer, mas as pessoas que morreram não as podemos trazer de volta.
    Os interesses económicos e políticos que alimentam estas mentes debilitadas são responsáveis e todos os Estados que interagem com eles.
    Inventem novos recursos energéticos, independência do consumo a que nos habituámos, talvez assim, esmorecessem as guerras e a religião não fosse um escudo.
    Contra mim falo que preciso do carro, do aquecimento da casa, da máquina de lavar roupa e louça para ter a liberdade de tempo para trabalhar, ler e ter tempo (algum) de lazer.
    Desculpe se não estou a ler de forma correcta a sua mensagem
    Tenho que visitar o cantinho da Helena.
    Beijinho. :))

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  2. Nunca devemos falar das consequências sem, primeiro, analisarmos as causas.
    E por aí caminhando, encontramos um sem fim de disparates que se arrastaram no tempo e se transformaram em males profundos.
    Beijinho, GL.

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  3. Segui a pista, GL, e... finalmente encontrei alguém a falar das coisas sem ais e comoções, alheia a qualquer propaganda... A isso chama-se lucidez.

    Um bom final de domingo :)

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  4. Subscrevo inteiramente e abençoados todos e todas tenham "tomates" (desculpem) para pôr as pintas nos "is".

    Um abraço às duas

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  5. Uma análise sempre lúcida, GL, como eu gosto muito de ler! Parabéns! Concordo com o que escreves!

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  6. Sejam quais forem as causas, e são complexas, NADA justifica a barbárie.
    Beijinhos, boa semana

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  7. GL, fui visitar a sua amiga Helena, andei por lá a espreitar :)

    O texto é intenso e escrito com alma. Isso nota-se à distância.

    Boa semana para esse seu lado :)

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  8. GL,
    Acerca do poema que gostou e do livro, aqui tem como pode chegar até ele.
    Em Lisboa encontra só na Livraria Ler Devagar e na Férin.

    Também podem ser pedidos online, sem custos adicionais de envio, pelo preço normal, neste endereço da editora

    http://poetica-livros.com/loja/index.php?route=product%2Fproduct&product_id=426

    O autor
    «Em alguns casos, peço à editora que me mande exemplares e com o desconto que me faz permite-me enviá-los por correio, pelo preço normal. »

    Só assim conseguirá GL. Penso que irá gostar.
    Um beijinho. :))

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    1. O meu agradecimento, Ana, fico-lhe muito grata pela informação.:)
      Vou proceder ao pedido on line, é-me bastante mais fácil.

      Atitude simpática - e fora do comum! - a do autor.:)

      Vou gostar de certeza, não tenho dúvida.

      Um beijinho, Ana.:)

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  9. Uma coisa é certa... concertam-se estratégias de bombardeamento, em cima do joelho, e às pressas... mas não se concertam estratégias de ajuda...
    Muita hipocrisia rodeia este problema... em relação ao qual, a Europa foi cúmplice e conivente, e fez que não viu... desde o inicio da década de 90... com as acções pouco concertadas dos Estates... desde aí... o radicalismo cresceu em espiral...
    O texto... não poderia estar mais certo...
    Existe uma geração destes jovens... espalhados na Europa... e à deriva no seus países... destruídos numa teia de interesses variados... nasceram, viveram e sofreram como mártires, de todas as formas possíveis... e são-no... porque é só isso, que lhes foi permitido ser... e vão sê-lo até ao fim... como só agora nos estamos a aperceber... com décadas de atraso... mesmo levando uns quantos inocentes atrás...
    E eu deixo a pergunta... Quem ousou fazer alguma coisa por eles?... Para que não se tornassem, no que são?...
    Cuidamos dos nossos filhos... mas desprezamos os filhos dos outros... sem nos lembrarmos que um dia, os filhos dos outros, poderão vir ter com os nossos... é nesta lógica, que a Europa cuida... dos seus, e dos outros... que por acaso... até vivem mesmo ao lado...
    Beijinhos
    Ana

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  10. A todos vós apresento o meu pedido de desculpa por não responder individualmente aos vossos comentários, todos eles enriquecedores da temática abordada.
    Dado o texto não ser da minha autoria, considero ser este o procedimento mais correcto.

    Um abraço para todos.

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