segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

De mim para mim!

De mim para vós, numa partilha que me faz sentir bem.

Para que conste.
Hoje, comprei:
"Isto".



Eis uma das faixas:




E mais "isto", uma reposição (uma, entre tantas) de um desaparecido na voragem da mudança.


Abro, ao acaso, e:
 
"Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor à minha ideia de os achar belos.
Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos (...)"

Pessoa, Fernando (2014). Livro da Desassossego. Lisboa. Tinta de China, pág. 74

Depois? Bem, depois era inevitável!

 
Igualmente ao acaso:
 
" - Dama de quê?
     a minha irmã feia, eu assim assim que a beleza não é o nosso forte, nenhum namorado que eu saiba, os homens não a olhavam na rua, a minha avó com pena
- Infelizmente não tem gracinha nenhuma
      parecia sempre fevereiro em torno dela no género dessas paragens de autocarro que os transportes esquecem com uma criatura de saquito de supermercado o dia inteiro à espera no banco como esperam nos hospitais, nos correios, tanto sítio para esperar neste país, tao pouca coisa que vem  e quando vem é engano
- Não é para o senhor desculpe"
 
Antunes, António Lobo, (2014). Caminho como uma casa em chamas. Lisboa. Publicações D. Quixote. pág. 224.
 
 
 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Que tal recordar?!

Há vozes de sempre, a da Nana Mouskouri é uma delas.




Aqui fica, espero que gostem.
 
 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Coisas dos afectos!

A vida é assim, composta de momentos bons, mas também menos bons.
Surpresas que surgem, e com elas espantos e medos.
Como é que se matam, umas e outros? Como é que se diz, acreditando, "não vai ser nada, vai correr tudo bem"? Que sabemos nós do que vai acontecer?!
Uma coisa sei, apenas uma: eu QUERO que tudo te corra bem.
Eu QUERO que tudo isto não passe de um susto, um susto que enfrentaste como se se tratasse de uma coisa simples, banal. Não, não é, nem uma coisa nem outra, e sabes isso. E olhas-nos, a todos, num ar de desafio, o desafio com que tratas a ameaça que paira sobre ti. Olho-te e quase te ouço murmurar: "vem, atreve-te a roubar-me àquilo/aqueles que mais amo, vem, atreve-te..."
Não virá, não virá, não virá, não...
Tendo conhecimento deste facto, um Amigo que muito prezo, da blogosfera, enviou-me este belo poema de Eugénio de Andrade.


"Os Amigos"

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"
 
Que bem escolhido foi este poema! Só vens comprovar que neste nundo virtual cabem aspectos menos bons - penso que a maioria de nós já foi "premiada" com alguns -, mas também, e sem sombra de dúvida, há lugar para a amizade verdadeira, para a partilha, seja qual for a situação.
 
Para ti, Amigo, o meu muito e muito obrigada.
 
 
 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Coisas inimagináveis.


Ainda na sequência do atentado de Paris, bem como todos os outros que se têm praticado um pouco por todo o lado, dei comigo a pensar.




Quando falamos em bombistas, terroristas - seja qual for a classificação que se lhes aplique -, estamos a falar de homens e mulheres, jovens ou menos jovens que, de uma maneira geral, têm pais, família, muitos deles até filhos. Quero crer que muitos destes familiares nunca estiveram ligados a qualquer tipo de grupos, seja qual for a ideologia em causa. Assim sendo, o que sentirão perante a monstruosidade praticada por um dos seus?
Não imagino, aliás, penso que ninguém consegue imaginar a dor, o espanto, a revolta, a mágoa!

Para esses, os também vítimas, a minha solidariedade.
Não, não imagino a vossa dor!
 
 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Luto!

Estamos todos - os minimamente conscientes -, de luto.
E faltam-me as palavras.
E falta-me a esperança em dias melhores.
E choro esta sociedade profundamente doente.


Estou(amos) de luto por TODOS, mas TODOS os inocentes que morrem em nome de "ideais" que de ideais têm apenas o nome, assim como estou(amos) de luto por todos aqueles que morrem em nome de nada, em nome de um qualquer acaso que os "elegeu" como vítimas.
 
Quero a pomba.
Quero a Paz.

 
 

Quero a nossa esperança de volta. Devolvam-nos a confiança no Homem. 
Quem o poderá fazer? Deus?!

Mas que Deus é este em nome do qual se fazem as maiores atrocidades?
Que Deus é este - ai, que tocar de sinos no nosso peito perante este caso! - que dá uma coragem, incompreensível para nós, simples mortais, à menina vitima do  acidente em que morrem todos, excepto ela, que a guia/conduz através da floresta, descalça, sem conhecer a zona, até à casa mais próxima para pedir auxilio, e deixa que morram milhares de inocentes, crianças, homens e mulheres, em nome das coisas mais inconcebíveis?
Aos crentes, não me canso de perguntar: que Deus é este?
Certamente este não é o "deus" da guerra, o "deus" da ganância,  o "deus" do dinheiro, o "deus" do petróleo", o "deus" da maldade, o "deus" da ignomínia.

Devolvam-nos a Paz.

 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Concerto de Ano Novo (Adenda)


Ora muito bem!

Respondendo à pertinente questão do Amigo João Menéres, do blogue Grifo Planante, aqui fica o Programa do Concerto, mas desta vez completo.


 
E como a teimosia é uma das minhas "virtudes" primeiras, deixo-vos o vídeo que ontem não consegui localizar.
 
Eis o meu Maestro, com o seu estilo muito próprio, em plena actuação!
 
 
 
Que tal?
Gostaram?
 
 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ontem "vi" música.


Dia 1 de Janeiro, CCB, Concerto de Ano Novo. Grande Auditório esgotado.
O Concerto de Ano Novo ia ser interpretado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, com direcção de Sebastian Pertowski.
 
 
 
Executantes nos seus respectivos lugares, entrada do maestro.
Calça preta, camisa igualmente preta, levemente ajustada, fora das calças, num à vontade que convidava, desde logo, ao intimismo, ao à vontade, à cumplicidade.
Primeiros acordes da Abertura da Ópera La Gazza Ladra, de Rossini.
E eis que começa o deslumbramento. Quem dirige a Orquestra não é um vulgar (com o que esta classificação possa ter de discutível) maestro, é alguém que vai muito para além disso. Estamos perante um maestro que é, ele próprio, música, todo ele, desde a expressão facial, passando pela corporal. Aquele Homem é a personificação da música, aquele Homem é música.
Que gosto, que imenso prazer dá assistir a direcções desta craveira.
Desconheço a opinião dos melómenos ditos puristas. Será que gostam desta forma de dirigir? Não sei, nem isso é relevante. Sei, senti, vivi, em comunhão com todas as pessoas que enchiam o auditório, momentos de pura magia.

Nota: Não era este vídeo que pretendia só que...? Não estou a conseguir localizar outro.