domingo, 7 de fevereiro de 2016

Gente(s) e...

... vida(s), e "carnaval", este que se desenrola diariamente perante os nossos olhos. E nós, actores participantes desta "comédia" que é a vida.
 
 
Olho os que passam, muitos são.
Muitos os que são indiferentes àquilo que os rodeia. Passam, simplesmente, passam!
Mas?!...
Mas há o homem triste, sozinho com a sua menina que do tampo da mesa faz a caminha da sua boneca. Ele, o homem magro, esquelético, olha-a, ar enternecido onde se lê amargura. E ele a querer estar ausente da realidade que é a sua.
É a rapariga de saia super justa, com uma racha que lhe descobre a perna até à coxa. E ela indiferente à deselegância que aquilo representa.
Há os que conversam, poucos.
Há os que não veem o mundo. O mundo deles resume-se ao telemóvel, smartphone, tablet, portátil. E eles longe do mundo real, a ausência a que as novas tecnologias os condenou.
Indiferença? Comodismo? A que se deve este comportamento?
 

 
Mas...?
Mas também há - benza-as Deus! - crianças que riem, brincam, saltam, falam, correm, sonham. Crianças, meninas(os) que ainda são gente.
E são joaninhas, e fadas, e sevilhanas, e ursinhos, e palhaços, e reis, e pajens, um mundo de sonho que torna estes dias únicos para elas.
Depois...?
Depois há os outros, os velhos que tudo fazem para mascarar a idade. E aqueles que já mal andam, porque a idade ou a doença a isso os obriga.
E há os solitários, homens e mulheres de rosto sem expressão, olhar vazio, gente quase sem idade definida. Gente do avesso, gente que se esconde dentro de si própria, gente/casulo.
Que aprendizagem, mas ao mesmo tempo que dramático por vezes olhar, com olhos de ver, o mundo que nos rodeia.
O Ser humano como que constitui um mundo novo sempre a desbravar. Gratificante? Na maioria das vezes, não.
 
 

12 comentários:

  1. Um excelente e assertivo texto, GL !

    Na mouche !

    Um beijo amigo.

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    1. Obrigada, João!
      Quando se olha o(s) Outro(s)com olhos de vêr, a conclusão só pode ser esta.

      Continuação de boa semana.
      Um beijinho, Amigo.

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  2. Fiquei com um nó na garganta.
    Um texto com esta dimensão só pode ser escrito por alguém muito grande.

    Um beijinho, Gl.

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    1. Este exemplo é simples, não demasiado grave, mas quantas vezes acontece ficarmos sem chão quando perdemos - ou ganhamos?! - algum do nosso tempo a olhar o mundo que nos rodeia.

      Beijinho, António.

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  3. Palavras repletas de sabedoria escritas com a alma de quem sabe! Bj e obrigada pela visita

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    1. Palavras de quem está atenta ao que a rodeia, isso sim.

      Bom Domingo, Graça.
      Beijinho

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  4. Um abraço Gl, eu depois venho aqui, mas sabes que tocaste, não sabes?

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    1. Sei, olá se sei!:)

      Bom Domingo.

      Abraço, Amigo.

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  5. Um texto recheado de verdades dolorosas e façamos o que pudermos para marcar a diferença, porque uma diferença aqui, ali e outra acolá poderá inverter/mudar a imagem de um mundo em decomposição!

    Um abraço de bom dia

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    1. Tens razão Fatyly, só que por vezes essa coisa aparentemente simples é bem complexa.
      Beijinho

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  6. Aí pelo meio há alguns vícios que confesso não suportar.
    Sobretudo os ligados aos abusos das novas tecnologias.

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    1. A obsessão por tudo o que é nova tecnologia, a começar por telemóveis e similares, afigura-se-me a doença do século, e isto não é em sentido figurado. Que leitura fazer de duas - ou mais - pessoas que estão à volta de uma mesa, onde era suposto estarem a conversar uma vez que são amigas(?), e nem sequer se olham, estando cada uma a viver no seu mundo virtual? Isto já entra no patológico, o que é muito grave.
      Bom Domingo.
      Beijinho

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