sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Doença de Alzheimer - a Luz ao fundo do túnel.


O ser humano é acometido por medos, terrores, sustos e angústias quando perante a doença.
Contudo?! Contudo há medos e medos, dependendo das patologias e isto, porquê? Porque a morte é a presença maior em algumas delas, só que, e na minha perspectiva, há coisas incomparavelmente piores do que a morte. É que a morte é o processo natural do percurso de qualquer ser vivo, já as demências...

Respeito a opinião de cada um no que a este aspecto diz respeito mas, e se me permitem, não posso deixar de salientar aquela que apavora todos os que a conhecem bem, que sabem dos "estragos" que provoca, directos e indirectos: ao doente e à família.
Refiro-me às demências, todas elas,  e tendo origens diversas - que ninguém pense que estas se limitam apenas a uma ou duas variáveis, nada disso -, e que constituem um dos maiores flagelos que afligem o Homem actual.
Todos nós conhecemos - mas será que conhecemos ou pensamos conhecer?! - a Doença de Alzheimer, não por ser a mais grave, mas a mais temida, e, neste caso concreto, com que pertinência!

Haverá pior tragédia que perdermos a nossa identidade, o nosso Eu, logo, a nossa dignidade enquanto seres humanos? Penso que não! 



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Tiago Reis Marques

E agora, a boa notícia.
Numa entrevista interessantíssima dada à RTP, no programa "Grande Entrevista", que vos convido a ouvir aqui caso ainda não tivessem tido oportunidade de o fazer, o cientista português, Tiago Reis Marques que trabalha não só em Portugal, como também em Londres, no maior centro de pesquisa de psiquiatria do mundo, afirma que o tratamento/cura da Doença de Alzheimer vai ser uma realidade já nos próximos anos:  

"O tratamento pode acontecer nos próximos 5 ou 10 anos o que significa que na próxima geração já não haverá pacientes com esta doença."

Especializado em Psiquiatra, estamos perante um Homem que direcionou a sua investigação para duas patologias gravíssimas: a referida acima e a Esquizofrenia, esta numa fase de estudo ainda não tão desenvolvido.

A próxima geração já liberta do flagelo que é a "Doença de Alzheimer"?
Haverá notícia melhor?!

Resta-me desejar ao nosso cientista - quanto orgulho nele, quanto! - toda a sorte do mundo.
Resta-me agradecer-lhe.
Resta-me desejar que haja mais Homens com este empenhamento e entrega.

Não há dúvida! Cada vez mais a minha esperança na salvação desta sociedade doente, tão doente, está nas novas gerações.

O mundo é vosso, Jovens, façam dele algo de bom.

35 comentários:

  1. Esse tipo de esperança está constantemente a ser injectado na comunicação social.
    Inclusive li à pouco tempo que tinham feito uma descoberta... Não sei ao certo, porque até ler que é garantido, acho que se espalham muitas vezes a mesma informação de «está quase»...

    Não sei se é a doença degenerativa cerebral que é a pior. Todas são pouco «apelativas».... O parkison, por exemplo, parece-me terrível. A doença que acomedia o ator Robin Williams, não sendo nenhuma destas, também me pareceu pavorosa. Existem vários níveis de Alzheimer. Eu, pessoalmente, sempre achei que a pessoa que sofre deste mal tem sempre periodos de capacidade de entendimento, embora não de expressão. Dependendo do estado, é como estar dentro de um corpo que não responde, um pouco como um coma. A maior parte das vezes "não se está", mas tem alturas em que se está. Porque até se morrer, o cérebro vive.

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    1. A diferença é que neste caso estamos perante um cientista com provas dadas - basta pesquisar o seu percurso - que fala na primeira pessoa, que fala da sua experiência e dos avanços que tem conseguido alcançar.

      Todas as doenças do foro neurológico são dramáticas, todas elas, aí não me parece haver "escolha", mas as demências?!...

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  2. Ouvi e li a entrevista. A ciência é feita de passos do tamanho de um grão de areia mas muita coisa é mudada graças a estes investigadores que dão tudo de si e por vezes tão renegados no seu país. Sei do que falo perante esta classe e Portugal tem imensos tão dedicados...empenhados mas igualmente descartados. Não desistem e por vezes fazem omeletes sem ovos.

    Descobrem a cura de umas e logo surgem mais meia dúzia...porque é a selecção natural feita pela natureza. Hoje apregoa-se com o chavão "a esperança média de vida subiu e com isso a qualidade de vida" claro que é bom, mas infelizmente para muitos...é tudo menos "com qualidade" pelos motivos que já falámos e em todas o que me preocupa mais é a apenas e tão o SOFRIMENTO versus DOR!

    Um bom sábado

    Beijocas

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    1. Ainda bem que ouviste, Fatyly, é que há Homens que vale a pena ouvir. A forma clara como expõe todo o processo, a evolução que já é uma realidade uma vez que, tal como explica, desde que se saiba o que motiva a alteração causadora da doença torna-se viável encontrar o medicamento que a combate, todo esse caminho já desbravado só nos pode encher de esperança.

      Essa da esperança média de vida, a par com a qualidade da dita, se não fosse dramática quase dava vontade de rir. Saberão essas alminhas que EXISTE um abismo entre uma coisa e outra? Não sabem, pois não? Já calculava!

      A ignorância neste domínio, por parte de pessoas que era suposto saberem do que falam é, no mínimo, lamentável, mas que causa uma revolta sem nome, ai isso causa. Sabes a sensação que dá? Que nunca estiveram no terreno. Saber livresco vs teórico, algum, saber de VIVER, estar presente, CONHECER, isso, Amiga, isso é outra conversa.
      Deus ajude estes Homens que tudo fazem em prol do Outro, que - quantos?! - quase abdicam da sua vida pessoal para se dedicarem àquilo que para eles é o essencial: acabar com o sofrimento de muitos.

      Beijinho.

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  3. A investigação científica é importante. Só é pena que nela se pense apenas quando se alcançam resultados positivos.
    Esta caminhada no sentido de acabar com a doença de Alzheimer é das melhores coisas que podem acontecer mas, há sempre um mas, que doença se seguirá, tão ou mais preocupante?
    É assim a vida, quando se atinge um objectivo, outros problemas surgem, a maioria dos quais criados pelo ser humano.
    Uns trabalham para o bem, outros no sentido inverso, para o mal.

    Beijinho, GL, um bom sábado.

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    1. António, calma, não podemos querer tudo de uma só vez! Achas que só se pensa na investigação quando os resultados são positivos? Então e o caminho percorrido até chegar até lá, não conta?! Valha-te Deus! A maioria das investigações, com mas também sem sucesso, levam na maioria dos casos anos e anos.
      Só temos que nos congratular com estas notícias. Eu, pelo menos, fiquei de coração em festa.
      Para terminar só mais uma questãozita. Conheceste alguém vítima de Alzheimer? Viveste todo o processo, do diagnóstico à morte?!

      Beijinho

      Sim, desgraçadamente, outras doenças virão, isso é uma inevitabilidade, mas ir tratando algumas tão, mas tão dramáticas não nos deve encher de alegria?

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    2. Desculpa, mas houve uma gralha. O último parágrafo ficou desinserido. :(

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  4. Acho que ninguém ficou indiferente a essa noticia. A centelha de esperança que se acende é de uma riqueza enorme.
    As demências são terríveis. A perda gradual e desvastadora de competencias é asustadora.
    Que assim seja, é que os nossos filhos e netos possam ter apenas de contar uma história de algo que acontecia há muito, muito tempo.

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    1. É isso mesmo, Boop! Também penso que não, e se ficou é porque desconhece a tragédia que esta patologia representa.
      Que as novas gerações sejam poupadas a este pesadelo, essa será uma das vitórias maiores do séc. XXI.

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  5. Uma notícia excelente.
    A mãe de uma amiga minha faleceu recentemente com esta doença
    e os seus últimos anos foram um calvário...
    Gostei muito de saber...
    Ótima semana, estimada MJ.
    Beijinho.
    ~~~

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    1. Também sei bem do que se trata, daí a alegria e a esperança que esta notícia constitui. Se tudo correr como o previsto, 5 a 10 anos e o medicamento será uma realidade.
      Não, não podia haver notícia melhor!

      Beijinho, Majo.

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  6. GL,
    Associo-me às suas congratulações pois é uma excelente notícia. Tinha lido a entrevista.
    Sei bem quanto difícil é ver os entes queridos perderem a sua identidade, viver sem sentido.
    Beijinho grato pelas suas palavras no meu cantinho. :))

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    1. Ana,

      Estamos perante uma patologia que envolve não só a pessoa afectada, como a família. Uma situação dramática, em que o sofrimento é transversal a todos os que com ela lidam.

      O seu cantinho continua a ser um refúgio, logo...

      Beijinho, Ana.

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  7. Que notícia boa, GL! Hei-de ver a entrevista. Obrigada por partilhar!
    Assim seja. Deus permita!
    Beijinho. :-)

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    1. Muito boa, mesmo! Se tiver oportunidade veja, garanto-lhe que vale a pena.

      Beijinho, Sandra.

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  8. Uma notícia extraordinária.
    A confirmar-se transformará os protagonistas em sérios candidatos ao Nobel da Medicina.
    Boa semana

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    1. E que merecido será o Nobel! O optimismo do investigador, baseado nos resultados obtidos, faz-nos crer no sucesso que todos desejamos.

      Abraço.

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  9. Conheço a doença de próximo ,porque o meu irmão mais velho sofreu dessa doença .
    Mas essa nóticia dá esperança para o futuro .
    abraço

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    1. Então ninguém melhor para testemunhar do que se trata, da gravidade e implicações que essa doença acarreta.
      Que as novas gerações sejam poupadas, é isso o que todos nós devemos desejar.
      Abraço.

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  10. grato pela presença amiga!
    gostei de a "ver" pelo meu espaço.

    abraço

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    1. Não tem que agradecer. Posso não ser muito assídua, mas há cantinhos que nunca esqueço.:)

      Abraço.

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  11. Uma doença que desgasta imenso uma família!
    Ainda bem que a medicina evolui na esperança de se cuidar deles!
    Bj

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    1. Tens razão quanto à "carga" que é viver/sofrer de uma diabetes grave, se tens, mas sabes, costumo dizer que só temo o que é do pescoço para cima, aquilo que nos rouba tudo, não só a consciência/lucidez como essa coisa básica: a dignidade enquanto seres humanos.
      A eutanásia? Pois, lá está, para seres tu a decidir o que queres fazer com a tua vida tens que estar no pleno uso das tuas faculdades. Os outros, sejam eles quem forem, a decidir por nós, não, nunca.
      O testamento vital vem dar uma ajuda nesse aspecto, a minha dúvida é se quando chegar a hora da verdade o mesmo é tido em conta.
      Beijinho.

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Numa coisa concordo contigo: a legalização da eutanásia é, apenas, uma questão de tempo.
      Oro para que nunca tenhas que tomar uma decisão dessas relativamente à tua Luz, o mesmo para os teus filhos. Deve ser a pior decisão que alguém tem que tomar relativamente àqueles que ama.
      Os meus pais já partiram, como sabes, mas era incapaz - tenho a certeza absoluta disso - de tomar uma decisão dessas. Os meus velhinhos estariam comigo, como estiveram, até que Deus entendesse. Hoje, olho para trás e agradeço o ter-me sido concedida essa graça.

      A esquizofrenia é uma doença do foro psiquiátrio, terrivel, sim, mas segundo alguns estudiosos não entra no campo das demências.
      Uma das coisas que o esquizofrénico não perde é, ao contrário dos doentes demenciais, precisamente a memória.
      Há várias teorias acerca problemática mas, tanto quanto sei, a maioria defende que se trata de patologias distintas.

      Abraço apertado.:)

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    2. Curioso, porque eu teria imenso gosto em terminar com o sofrimento da minha Luz, da minha Mãe e até de um dos meus filhos. ALiás, ainda há pouco tempo um menor foi eutanaziado.

      Os meus velhos não os quero comigo se estiverem em agonia, em estado vegetativo, sem memória, seja como for que lhes tire toda a dignidade.

      Crianças, adultos ou velhos, todos têm direito a viver sem dor! Viver com dor nem sequer é viver, é somente sobreviver.

      A minha Mãe viu a Mãe dela definhar durante quase dois anos, com dores inimagináveis. A minha avó chorava todos os dias e pedia à minha Mãe para fazer qualquer coisa no sentido de lhe tirar a vida.

      Oro a Deus pela liberalização da eutanásia o mais depressa possível. Ainda hoje a minha Luz falou nisso. E sim, terei imenso gosto em acabar com o sofrimento da pessoa que mais amo.

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    3. Sim, o esquizofrénico não perde a memória. É pena, porque é uma doença tremendamente assustadora e que acarreta um sofrimento sem nome. Sei do que falo, um amigo meu sofro dessa doença e já tentou por três vezes o suicidio, e estava lúcido nesses momentos, tal como está lúcido quando fala comigo e pede encaredecimente a eutanásia. E eu oro por isso e ficarei feliz quando ele partir de acordo com a vontade dele e de forma digna.

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    4. As Unidades de Cuidados Continuados e Paliativos não dão já uma óptima resposta a esses doentes? Há, actualmente, justificação para a pessoa estar nesse sofrimento imenso?
      Ainda há, desgraçadamente, e sabes porquê? Por culpa do médico que não encaminha/esclarece/informa o doente e a família como é seu dever.
      Soube de um caso, ainda há poucos meses, de um homem que morreu no maior dos sofrimentos, e isto porquê? Porque nem o próprio, nem a família - estamos a falar de pessoas simples, pessoas nada esclarecidas - sabiam da existência das Unidades da Dor.
      Isto é que considero criminoso, isto é que não se admite.

      Sabes, filha do coração, a par dos exemplos que dás há também os outros, o da mãe no maior sofrimento e a pedir, não que acabassem com aquilo, mas que a salvassem porque tinha os filhos ainda pequeninos. Por mais anos que viva jamais esquecerei aquela Mulher, recordo-a como se a tivesse visto hoje, agora. Há imagens que, pelo que significam, marcam para a vida.
      Com tudo isto não quero dizer que não respeite a tua opinião, era só o que faltava, posso não concordar mas isso é outra coisa.

      Todos estes aspectos são de uma delicadeza extrema e como tal devem ser tratados.

      O suicídio? Ui, é melhor não irmos por aí!:(
      Apenas duas palavritas: quem quer mesmo sabe o que fazer, quem quer "assim-assim" também sabe, logo...?!

      Estamos perantr problemáticas que mesmo tratadas com pinças são perigosas.:(

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    5. Presumo que essa Mãe estivesse em estado terminal ou demente, é isso? E pedia para a salvarem? Se a pudessem salvar, certamente que o fariam. Caso contrário, para quê continuar viva? Que Mãe seria para os filhos? Só os faria sofrer.

      Cuidados paliativos? A minha avó materna teve direito a isso e a única coisa que fizeram foi prolongar-lhe o sofrimento.

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    6. Estado terminal, morreu passados dois dias. Mas a aflição, a aflição era bem outra.

      Os cuidados paliativos ajudam, filhota, e a vários níveis: físicos e psicológicos.

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  14. GL,
    li com atenção este tema, as opiniões dos teus amigos e as respostas aqui deixadas.
    Nao me vou pronunciar publicamente sobre o que penso porque seria provável expor demasiado os meus sentimentos.Mas a troca de mensagens por mail foi gratificante.
    Só quero deixar um abraço bem apertado com muito respeito. Respeito esse que cresceu imenso depois de ler uma das tuas respostas. Bem hajas!

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    1. Pois é Ricardo, trata-se de um tema demasiadamente sério que não pode, não deve, ser abordado de ânimo leve.
      Tenho um respeito imenso por todos os que sofrem destas patologias, pelos familiares que, quantos vezes, além de se sentirem impotentes para ajudar - como é que se ajudam estas pessoas? - se vêem sózinhos. Os amigos, até a própria família, só não desaparecem mais depressa se não puderem.
      Mundo hipócrita e desumano, este!

      Abraço grande.

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  15. http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT83322

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