sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Quando o sonho ainda comanda a vida!

Recebi, através de mão amiga, este pedacinho de sonho, da autoria de José Gomes Ferreira, que muito me sensibilizou, que muito agradeço.
Quantas recordações, quantas imagens, quantos "amiguinhos" construi a partir de uma simples nuvem.

Querem recordar?

Aqui está.

Aquela nuvem 
Aquela nuvem
Parece um cavalo...

Ah! Se eu pudesse montá-lo!

Aquela?
Mas já não é um cavalo,
É uma barca à vela.

Não faz mal.
Queria embarcar nela.

Aquela?
Mas já não é um navio,
É uma torre amarela
A vogar no frio
Onde encerraram uma donzela.

Não faz mal.
Quero ter asas
Para a espreitar da janela.

Vá, lancem-me no mar
Donde voam as nuvens
Para ir numa delas
Tomar mil formas
Com sabor a sal
- Labirinto de sombras e de cisnes
No céu de água-sol-vento-luz concreto e irreal...
José Gomes Ferreira (1900-1985), in Poesia IV

Fotografia de minha autoria.

Ao ler este singelo poema não voltamos a ser crianças, não voltamos ao imaginário da nossa infância?
Algum de vós não idealizou que aquela nuvem, AQUELA, era a vossa nuvem, aquela com que podiam brincar, que seria aquilo que quisessem que fosse?  
Não? Não acredito! É que a ser assim nunca foram verdadeiramente crianças. 

Uma vez mais um grande Obrigada para ti, Amigo.

12 comentários:

  1. Um dos grandes trabalhos de José Gomes Ferreira.
    Beijinho, GL, bom fim de semana.

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    1. Um singelo, mas lindo poema.:)

      Bom Domingo, boa semana.
      Beijinho.

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  2. Gl,

    Se possível, devemos manter num cantinho dentro de nós aquela esperança inocente, aquele acreditar e o faz de conta que até se transforma em verdadeiro . Manter a todo o custo, para aqueles momentos mesmo maus.

    Abraço grande

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    1. Olá, Ricardo,

      Penso que o segredo está aí, em preservar uma certa inocência, em saber transformar a nuvem má, aquela que todos temos em algum momento das nossas vidas, em algo que faça a diferença, algo que se metamorfoseei em esperança.
      Palavras vãs, estas? Olha que não!...:)

      Bom Domingo.

      Abraço grande.

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  3. Quando deixarmos de sonhar morremos um bocadinho.
    Boa semana

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    1. É isso, Pedro, mas sem dúvida!

      Continuação de boa semana.

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  4. É mesmo! E num instante a nuvem se transforma levando-nos a sonhar outra história. :)

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    1. É isso, Luísa. Aliás, esse é o "milagre" mais fascinante que nos oferecem!:)

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  5. Gostei imenso do poema e também da tua foto. Sempre fiz esse "jogo" com as nuvens e ainda hoje o faço e muitas vezes com os netos:)

    Beijocas e um bom dia

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    1. O poema é lindo na sua singeleza. Tão simples e ao mesmo tempo tão rico de significado, não é?
      Imagino-te, feliz, a fazer este "jogo" com os netos. E assim que se regressa à idade da inocência.:):)

      Beijinho.

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  6. A virtude da vida não está apenas em não deixar morrer a criança que há em nós, está na perspectiva com que vemos as coisas, as que nos acontecem e as que provocamos.
    Por isso, chamem-me Peter Pan e eu ficarei de sorriso de orelha a orelha.

    Abraço apertado.

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    1. Uma perspectiva e visão da vida sábias, muito bem.
      Por isso, e para que conste: elego-te, por mérito, Peter Pan. Agora que venha esse sorriso, o tal de orelha a orelha.:):)

      Abraço apertado.:)

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