terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Eutanásia, sim, ou não?


Questão que me inquieta, mas...?...
Depois de uma aparente acalmia, ei-la que volta, a ideia. Ideia, ou ameaça?
Voltámos á "carga", nada a fazer!

"Do grego euthanasía, «morte doce e fácil», pelo latim eutanasĭa-, «idem», pelo francês euthanasie, «eutanásia».
Fonte:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa-aao/eutan%C3%A1sia

A definição «morte doce e fácil» até é simpática. Mas será que a "simpatia" tranquiliza alguém?! 



Apenas um alerta.
Cuidado, muito cuidado com as "caixas de Pandora"!
É bom que não nos esqueçamos de uma coisa, simples, muito simples, chamada não retorno.

32 comentários:

  1. Respostas
    1. Não duvido, Graça! Já passei por isso, sei bem o que é.:(

      Beijinho

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  2. Sempre fui pelo SIM em situações de grande sofrimento e em que não há volta a dar e já expressei noutros espaços o que penso e sinto sobre o assunto. Ir a um hospital e ouvir gritos de sofrimento é algo que todos deveriam ouvir porque infelizmente os paliativos e ou continuados são escassos e não há vagas.

    Ontem faleceu um vizinho da minha filha. Um cancro severo e irreversível. Negou qualquer tratamento, apenas algo para colmatar/tirar as dores. O filho tentou demovê-lo sem sucesso e ficou em casa. Foram três meses num declinar assustador e acamou no último mês. Partiu em paz.

    Acho que o assunto deve ser pessoal e é nessa base que digo SIM porque é muito bonito falar sobre a longevidade, quando o cenário de muitos é estar amarrado a uma cama a desfazer-se dia a dia e ou a fazer tratamentos que irão dar a nenhures. Conheço alguém que fará em Abril dez anos de um sofrimento que nem imaginas e...fico por aqui!

    Beijocas



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    1. Não consigo ser pelo sim, e olha que também conheço o sofrimento, e escrito com letras bem grandes.:(

      Esta relutância resulta do medo, pavor mesmo, das consequências que uma medida dessas poderia acarretar.

      Há dias encontrei um individuo, com o qual me cruzo frequentemente nas idas ao café. Começamos a conversar e, a determinada altura, a pergunta de chofre: "o que me diz sobre a legalização da eutanásia"? Antes da resposta, continua: "sabe, ando um pouco apreensivo, é que se tenho o azar de cair, partir uma perna, um braço, sei lá, corro o risco de quando chegar ao hospital me darem a tal injecçãozita. Que anda cá a fazer um homem com 95 anos, dirão eles?"
      Bem tentei acalmá-lo, mas em vão.
      Este medo era genuíno, Fatyly, muito genuíno. Estamos a falar de uma pessoa com 95 anos, óptimo, com uma saúde invejável, mas com medos bem genuínos e, como este há n.
      As consequências da tal "caixa de Pandora" que refiro no post, assusta-me seriamente.
      Sei bem o que quero para mim. O Testamento Vital, se bem que tenha uns itens menos "simpáticos", permite que sejamos nós, e repito, nós, a decidir que práticas pretendemos nos sejam aplicadas.

      Muito complexo e delicado tudo isto, mas pesando bem os prós e os contras, Amiga, opto pelo NÃO.

      Beijinho.


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  3. Foi o tema do meu paper de fim de estágio de advocacia.
    Muitos anos depois continuo a defender o consentimento informado, a liberdade de escolha, a dignidade da vida humana.

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    1. Sabes, Pedro, é que não consigo perceber essa coisa da "dignidade da vida humana". O sofrimento é uma indignidade? Tem que ser minimizado e atenuado por todos os meios, qualquer pessoa tem direito a isso, aliás, é um direito absoluto e inquestionável que lhes assiste, mas daí à eutanásia?!... Até poderia aceitar, mas apenas se alguém me desse a certeza, a garantia, de que essa prática seria apenas executada por decisão do doente, e isto se o mesmo estivesse no pleno uso das suas faculdades.
      Talvez por ter assistido à inversa, ou seja, muitas pessoas a implorarem aos médicos que lhes prolongassem a vida porque queriam acompanhar os filhos, vê-los crescer, etc., etc., não entenda esta ideia.:(

      Bom fim-de-semana.
      Abraço

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  4. A questão da eutanásia não se pode resolver com um sim ou com um não.
    Carece de uma análise profunda, coisa impossível de fazer com um simples referendo.
    Beijinho, GL.

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    1. E quem realiza essa análise, que se quer extremamente lúcida e rigorosa? A que critérios obedece? Que itens vão ser considerados? Que princípios a orientam, etc, etc, etc.? Caro Observador, observa bem e verás a complexidade, o perigo real de tudo isto.

      Bom Domingo, ótima semana.
      Beijinho.

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  5. É uma questão muito sensível e que não pode ser tomada de ânimo leve...
    Beijinhos

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    1. O perigo reside precisamente aí. As medidas a tomar(?) serão devidamente avaliadas, analisadas na sua complexidade? Ah, pois!...

      Beijinho.

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  6. Vivo rodeada de médicos (familia, amigos) a maioria por principio contra a eutanásia.
    Eu... consigo conceber que haja um ponto, sem retorno, em que se possa aliviar o sofrimento do doente (e por consequência dos prestadores de cuidados também). Mas é tão melindroso encontrar esse ponto sem retorno... quem decide qual é?

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    1. O problema, Boop, é que uma vez legalizada a eutanásia, não há retorno, mas não há mesmo. E, ainda que conscientes disso, continuamos rumo a essa "aventura"?

      Beijinho.

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  7. Eutanásia, sim, ou não
    A Bélgica já tem um lei
    abraço

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    1. A Bélgica e não só. Talvez fosse interessante saber quais os resultados nesses países. Penso que talvez ajudassem a clarificar alguns pontos sombrios, muito sombrios.

      Abraço

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  8. É um tema que me perturba. Tenho imensas dúvidas sobre a questão.

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    1. Perturba todos nós, Luísa, os que temos consciência do perigo real que uma medida dessas significaria.

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  9. Não pedimos para nascer
    mas podemos pedir para morrer

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    1. Se formos NÓS, não outros, sejam eles família ou médicos.

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  10. Este assunto perturba-me!

    Abraço grande

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    1. Não é fácil, não, logo seria de estranhar que o abordássemos de ânimo leve, indiferentes.

      Abraço grande, Amigo.

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  11. Eu sei que não gostaria de morrer em agonia, dor e sofrimento...
    Sorte dos que adormecem... e não acordam... mas como isso não é para todos... acho que nos deveria ser dado a escolher...
    Beijinhos! Bom fim de semana!
    Ana

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    1. Ninguém deseja um fim de vida em sofrimento, Ana.
      O Testamento Vital vem dar uma ajuda nesse aspecto. Pelo menos permite-nos dizer quais as práticas a que NÃO queremos ser sujeitos. É que uma coisa é prolongar a vida sabendo, de antemão, que o processo é irreversível, como estar ligado a máquinas, etc., outra é matar, ou não será disso que se trata?!

      Beijinho, Ana.

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  12. evito que o Estado se meta na minha vida
    e desejaria que não me chateasse na minha morte.
    bom fim de semana.

    bjs

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    1. Pois! O pior é encontrar o caminho certo, aquele que não nos vai roubar o direito a um fim natural, um fim sem medos.

      Beijinho.

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  13. Quanto a este assunto penso que não há muito mais a dizer da minha parte, tivemos uma grande e interessante troca de opiniões. Penso que em assuntos destes, sérios e importantes, as pessoas não deveriam ser parcas nas palavras. É um assunto que precisa de ser discutido por todos, será um assunto que incomoda, porque realmente é, mas a malta em sendo adulta encara de frente a vida, não existe uma outra forma de o fazer, penso eu. Isso de enfiar a cabeça no buraco par fugir aos problemas é mesmo e só para as avestruzes, embora eu ache que isso é mito.

    Tenha um bom fim-de-semana, GL.

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    1. Não, não estamos perante um assunto que se compadeça com "nins", aquela posição ali entre um nada e coisa nenhuma, só que...?!
      Assuntos que incomodam? Ui, a maioria foge deles como o demo da cruz! Para muitas/os só é digno de discussão o "diz que diz", o fogo fátuo, o oco que não interessa rigorosamente nada. Banalidades, e mais banalidades e banalidades uma vez mais, eis o temo preferido de muitos. Há pessoas que vivem em função da festa, do lado fácil e bonito da vida, só que ela, a vida, é muitíssimo mais do que isso.
      Já deu para perceber que não funcionamos, nenhuma de nós, nesse registo. Gostamos de pegas de caras, nunca de cernelha, daí as discussões saudáveis que temos tido lá no seu "amanhecer", aquele que nunca é "tardio".

      Faça o favor de continuar a escancarar janelas, ainda que, por vezes, as "correntes de ar" sejam bem fortes.

      Tenha uma boa semana, Maria.

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  14. Achas mesmo que fui parco em palavras, que fugi do assunto porque perturba?
    Olha que não!
    Sei muito bem o que penso, só que não me parece que aqui seja o local adequado, até porque há sempre um, digamos que politicamente correcto, embora digas que não, que vai limitar a troca de impressões.

    Abraço grande

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    1. Também sei o que pensas, logo, não é necessário dizer mais nada.
      Essa do politicamente correcto é algo que nunca me preocupou, não ia ser agora e, muito menos com um problema destes.
      Uma "conversa" franca entre pessoas que se respeitam, que respeitam as opiniões do outro quer concorde ou não com ele, não pode ser enriquecedora? Quer-me parecer que sim.

      Abraço grande.

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    2. peço desculpa pela insistência (ou reincidência), mas as tuas palavras "...direito a um fim natural, um fim sem medos.", sugerem-me que diga que a cultura judaico-cristã "mitificou" a morte para melhor "controlar" as vidas concretas.

      devíamos ser educados para a morte, para assim melhor podermos compreender a vida

      bjs

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    3. Pois, mas não fomos. Não fomos e nunca seremos. Fomos educados a fugir a tudo aquilo que incomoda, que não respeita os cânones idealizados.
      O preocupante, o trágico, é que a maioria não se apercebe que lhe foi roubada a capacidade de viver por inteiro.

      A teu último parágrafo contém uma verdade inquestionável. É por aí, o caminho é esse, mas... O egoísmo, o medo, a fuga de tudo o que incomoda falam mais alto.
      Quando ouço argumentos baseados nessa coisa, para mim estranhíssima, de que a eutanásia deve ser legalizada tendo em conta, também, o sofrimento da família do doente, aí, Manuel, penso que ficamos - ou deviamos ficar - esclarecidos.

      Beijinho

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  15. Um tema difícil. Ainda estou com algum cansaço para o debater, requer profundidade.
    Gostei, no entanto, dos seus apontamentos.
    Beijinhos. :))

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  16. Muito, Ana, e quanto mais me debruço sobre o mesmo mais me inquieto, mais vou sedimentando o meu NÃO, salvo nos casos em que seja, comprovadamente o próprio a decidir o que quer para si. Outros a decidir? Um atentado e um perigo bem reais.

    Sei que não está muito bem, logo o meu agradecimento redobrado por ter vindo até aqui.
    Beijinho.:)

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