Gente.
Gente que sofre, gente numa descida aos infernos.
Gente com FOME.
Gente (quanta?) que tem como último recurso buscar nos contentores do lixo qualquer coisa que a ajude a matar a fome. Isto num país dito civilizado, isto em pleno século XXI.
Gente sem rumo, sem fé e sem esperança.
Gente.
Gente. Gente a quem tudo foi roubado, até a dignidade.
Gente. Novos, e velhos, a quem resta um enorme vazio.
Gente, ainda criança que cedo conheceu a maldade do homem.
E eu numa raiva surda.
E eu a querer, a exigir responsabilidades.
E eu a pedir que se faça justiça.
Onde estão os responsáveis que nos conduziram até aqui?
Os senhores do mundo?
Os senhores do mundo a tratarem-nos como marionetas.
E os senhores do mundo indiferentes ao sofrimento.
Que lhes interessa isso? A sua zona de conforto não é intocável?!
E deixámos de ser gente.
E converte-mo-nos em números, qualquer coisa abstracta, qualquer coisa que se soma, subtrai, manipula.
Uma qualquer coisa sem importância.
E é a pobreza num crescendo.
E a minha raiva, num misto de revolta, igualmente num crescendo.
E é a desolação, a mágoa, e a mágoa !



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