A
praia quase deserta.
Chegam.
Encostam-se ao paredão, olham o voltear do para pente.
De repente, uma mão pequenina estende-se, ao mesmo tempo
que levanta os olhos.
- Pai, dá-me…
E a frase em suspenso.O pai coloca, em fila, os carrinhos adivinhados. Tenta fazê-los correr, deslizar na pedra áspera.
Olha-o.
- Não, aí não, grita, aqui.
Agora na areia, o menino quer fazer
da mesma a sua estrada.
E o pai, docemente.
- Não, não pode ser, a areia não deixa andar os
carrinhos.
Silêncio.
O menino olha a areia, olha o pai.
Pára, pensa.
De repente, num frenesim, começa
com os seus pequenos, pés a tentar fazer a tão desejada “estrada”.
O pai, espera.
E o menino, num frenesim que vai
num crescendo, não desiste.
O pai, devagar, salta.
Dois ou três passos, bem firmes, são suficientes para endireitar um
pedaço de areia.
O menino olha-o, pega nos
carrinhos, coloca-os na sua “estrada”, e fá-los deslizar. E lá vão eles,
correndo.
Levanta bem a cabeça, olha o pai
e…
- Vês? Vês como andam?!
O pai, num misto de orgulho e
cumplicidade, baixa-se, abraça-o.
E assim se ensina vida, e assim se
ensina perseverança.


