Decididamente, e sem hipótese de erro, sou estúpida, completamente estúpida.
A Bélgica, segundo parece, está muito orgulhosa: é o primeiro país a legislar a favor da eutanásia aplicada em crianças.
Em crianças? Quando ouvi não acreditei!
Quando se discute a eutanásia destinada a adultos, repito, ADULTOS, uma das condições é que os mesmos estejam no pleno uso das suas faculdades e conscientes da decisão que querem tomar.
Muito bem, nada contra! Cada um deverá ter o direito de decidir o que quer, até que ponto está disposto a arrastar uma situação que ele sabe não ter retorno. Mas uma criança?!
Segundo o Expresso
(aqui), a lei belga determina que a autorização deverá ser dada pelos dois pais, acrescentando:
"A lei estipula a possibilidade do recurso à eutanásia quando esse seja o desejo do menor de idade, desde que em estado terminal e de grande sofrimento, que a sua capacidade de discernimento sobre o assunto seja comprovada por um psiquiatra ou psicólogo, e que a decisão tenha o apoio dos pais."
A minha questão é esta. Será que uma criança, mesmo um adolescente, tem maturidade para saber exactamente o que quer? Será que lhe disseram que vai morrer, que já não há esperança para ela? Como é que se diz uma coisa destas a uma criança?
Será que vai compreender o porquê daquela condenação (é disso que se trata!), à morte, a razão de ser da opção de escolha?
A sensação com que se fica é que aquelas criaturas nunca estiveram em contacto com crianças vitimas de doença grave, incurável.
Sim, sou estúpida, muito estúpida, mas sempre vos digo, ilustres senhores. A criança perante uma doença incurável - isto em linhas gerais, sem generalizar -, reage desta forma: as mais pequeninas, as que ainda não tem percepção do que se passa com elas, quando o desconforto ou a dor diminuem gostam de brincar, ou seja, gostam de viver. No seu universo, nem sequer vocabular, a palavra morte não existe.
As mais velhas, as que já compreendem, querem ir à luta, seguir em frente, não baixar os braços.
Pois, já sei qual vai ser a vossa questão: "até quando"? O "até quando" vai até que a morte os vença, mas nunca porque eles a procuram.
Sabem da existência de um Serviço chamado "Cuidados Paliativos"? Pois este, destina-se exatamente a minimizar o sofrimento, a prestar os cuidados necessários a que o doente tenha uma melhor qualidade de vida. Será que na Bélgica ainda não existe? Talvez não!
Tinham dúvida sobre a minha estupidez? Pois aqui têm a prova! É que não entendo como é possível tomar "medidas" destas.
Sou estúpida e má. Gostaria que os "inteligentes" responsáveis por este atentado se vissem, um dia, confrontados com a situação de ter que decidir sobre quando um dos seus filhos tinha que morrer.
A minha maldade tem limites.
Não, não desejo que seja quem for sofra a perca de um filho, mas que passasse por uma qualquer situação que os despertasse para uma realidade que, segundo parece, desconhecem.
Nota: Negrito e sublinhado meus.