... duas palavras onde queria coubesse a amálgama de sentimentos que me assaltam/aram ontem, aquando da visualização do filme: "Os gatos não têm vertigens".
Sem querer minimizar o desempenho de qualquer outro actor participante no filme, felicito de forma muito especial, Maria do Céu Guerra e João Jesus. Para ambos os parabéns tão merecidos.
Maria do Céu Guerra, uma Mulher de talento que fez do teatro/cinema a sua vida. João Jesus o menino que, tanto quanto parece, vai longe.
Por favor, senhores responsáveis pela Cultura do nosso País, não deixem perder estes valores, não deixem que se percam por falta de verba, o já tão estafado argumento/justificação.
Não, não podia esquecer António-Pedro Vasconcelos.
O que é que lhe hei-de dizer, Amigo, deixe que o trate assim?!
Obrigada pela ternura daqueles dois - histórias que se poderiam repetir se a sensibilidade e a ausência de medo o permitissem! - e que tão bem captou.
Obrigada pela denúncia(?) da hipocrisia que grassa nas nossas sociedades, muita dela vinda dos próprios filhos, pelo lembrar a solidão de tantos, dramas vividos por muitos mais do que seria tolerável.
Obrigada pelo tirar de máscara àqueles que se julgam superiores só porque têm dinheiro.
Obrigada pela denúncia do mundo cão em que tantos vivem, jovens, menos jovens, velhos.
Algo de novo? Não! Mas triste, tão triste!
Obrigada, apenas e só, uma vez mais, obrigada.
Obrigada pelo pedaço de ternura, pelo testemunho de que o amor ainda não passou a quimera. Obrigada por esse contribuir para que acreditemos que o Homem ainda é possível.
As palmas com que o público premiou realizador e actores, no final do filme, falam por si.