Uma vez mais - e desculpem a franqueza mas não sei ser de outra forma -, não gosto do Natal.
Abomino a hipocrisia que, em muitos casos, lhe está colada como uma erva daninha.
Não gosto da prendinha que se dá porque sim.
Não gosto do telefonema, da visita, do "olá", do suposto mimo apenas porque sim.
E sem querer ser "boazinha", longe, muito longe disso, não consigo esquecer que é nesta quadra que tudo tem mais peso, que tudo é sentido de forma muito mais intensa, o bom e o mau, com grande relevância para o mau.
Há dias a RTP transmitiu uma reportagem - mais uma! - de um almoço de Natal servido a um grupo de pessoas sem-abrigo. Nunca mais esquecerei a imagem do menino - teria, talvez 6/7 anos - que enquanto os pais (?) respondiam à questão "importante" sobre o que tinha sido o almoço, gritava, numa excitação e alegria sem nome: "e bolo, e bolo, e bolo!". Há quanto tempo aquela criança não teria tido o simples prazer de comer um bolo?!
Não, não quero! Enquanto tiver no meu país - para já não falar das tragédias humanitárias de fome extrema que grassam um pouco por todo o mundo - meninos que não têm direito ao mais básico do básico, não comungo com hipocrisias natalícias.
É que o Natal celebra-se num, dois dias, e as pessoas em questão necessitam de ajuda todos os dias, mais, necessitam que lhes sejam dadas condições para que possam viver com dignidade, e isto é transversal a toda a sociedade, a todos os grupos etários.
Sim, de forma pragmática sei que nada é linear. Sim, sei que há quem se aproveite, quem não tenha tanta necessidade como aparenta, mas também sei que há muitos que têm muito mais, que estão no extremo oposto: necessitam mas a vergonha, o que lhes resta de dignidade, impede-os de pedir ajuda.
Espero ter o meu Natal "normal", à semelhança da maioria de voz, mas acreditem, é um Natal dorido, tão dorido! É que não consigo abstrair-me de todos aqueles que nada têm.
Deixo-vos, como presente, o meu singelo Presépio.
SANTO NATAL PARA TODOS AQUELES
QUE TÊM A BENÇÃO DE O
PODER VIVER/TER.
Votos sinceros de um 2015 menos dramático que os anos antecedentes.