O mundo da blogosfera não deixa de ser curioso, não pára de me surpreender.
Vejamos.
Expliquem-me, por favor, porque é que há blogues interessantíssimos, muito bons, com uma qualidade impar que, ou não têm comentários (para já não falar de seguidores), ou, se têm, são pouquíssimos.
Será porque as pessoas se inibem? Será por o consideram demasiado erudito? Será por que não têm disponibilidade, para ler/saborear um texto um pouco maior, mesmo que muito bem escrito?
Será, será, será?
Que sei eu!
Sei, isso sim, que quando me deparo com algum desses blogues nunca mais o largo.
Com a devida autorização da autora, deixo-vos este belo diálogo.
Fica o convite.
Sentem-se, acomodem-se, saboreiem.
"A ALMA- diálogo
Chegou o teu dia, o dia de falar de ti, só de ti minha querida.
Para já e tu sabes muito bem, és altamente contraditória, às vezes até és mal aparada como um lápis curto e rombudo outras vezes, pareces uma caçadora de borboletas sempre de rede na mão.
Tens uns olhos negros, convergentes (às vezes), estrábicos e congestivos e penso se não serão os olhos da Justiça e por isso lhos vendaram.
Não sei se sabes que dizem que tu não existes.
Pois não sei, se és da classe dos constructos. Para mim como sabes, tens corpo, mãos, cabeça, pés, etc..
Já te vi, inclusivamente, com lágrimas nos olhos, pálida.
Já te vi em bairros de má fama, excêntricos como agora se diz.
Outras vezes e tu sabes muito bem, percebo-te o jogo e narro-te sem dó nem piedade e tu dizes com aquele teu ar pergamináceo, hebdomadário (estas palavras aqui não querem dizer o que querem dizer, convém referir, não vá alguém ler-nos, sabes que agora estamos editadas, ri-te, ri-te...).
Pronto, já me mudaste de lugar outra vez - "Aqui à minha esquerda...sim?"
Sabias que apontar é pecado, é tabu.
Mas olha como te estava a dizer, antes dos piropos, há pessoas que dizem que tu não existes, vê lá tu!
Algumas até me perguntam quando lhes marco um encontro contigo, a rirem-se de nós.
Nessas alturas, eu digo-lhes: é verdade que a Srª Alma está mais anquilosada e já não possui a agilidade necessária para trespassar indiscretamente as pessoas e os factos que as consciências interrogam e condenam. Isso é verdade, no entanto ainda aponta, 'mesmo assim'...
Lá estamos nós a falar ao mesmo tempo, como duas velhas, como toda a gente, ao mesmo tempo e sem se ouvirem ou ouvindo-se a si próprias apenas, certos de que ninguém os escuta.
Achas que já estamos a monologar em coro?
Sei, eu ouvi.
Retorno à simbólica da minha infância quando rezava o terço com a minha avó.
Queres dizer-me que eu sou a tua neta feliz?
Não, agora que já sou avó, somos da mesma idade e por isso te trato por tu.
É engraçado isto, não achas?
De te tratar por tu. Foste tu que rejuvenesceste ou eu que envelheci?
Como é possível dizerem que tu não existes, como é possível?
Pronto, já sei, é tudo possível nesta vida, nós é que não sabemos.
Até logo Alma, já sei que não és alminhas, eu não disse isso, sua pergaminácea hebdomadária!
Eu sei que tens autoridade, mas não exageres nos afectos, nos arrebiques."
A minha noção de partilha não me permite deixá-lo só para mim.
É bonito demais!
Um grande obrigada, Helena!
Nota: Itálico meu.