Escrevo.
Uma tentativa de desenhar
a letra, desenhar várias, uma a uma, letras que juntas cumpram aquilo para que
foram criadas. E de seguida? De seguida virá a palavra.
A palavra veio, mas sem
nexo, zangada.
Onde estarão as palavras
certas, aquelas que façam um qualquer sentido, que digam verdade? E escapam,
sem pudor nem remorso, para um qualquer lugar desconhecido.
Palavra fugidia, palavra
que se recusa a cumprir aquilo para que foi criada, palavra cúmplice do vazio,
palavra que se recusa a sê-lo.
Autoria de Gustave Klimt
Hoje, é dia da não
palavra.
E a página em branco.
E o silêncio que se
impõe sem pedir autorização.
