Quanto mais alto se sobe na admiração, maior é a queda no desencanto.
Sempre admirei Lobo Antunes.
Tenho quase toda a sua obra. Sempre o li com o maior prazer, nalguns casos com verdadeiro encantamento, mas... ?!
Tenho quase toda a sua obra. Sempre o li com o maior prazer, nalguns casos com verdadeiro encantamento, mas... ?!
Dá que pensar a situação agora surgida. Faz-nos questionar sobre o entendimento, ou não, daquilo que se lê.
Será que Lobo Antunes alguma vez LEU Fernando Pessoa? Quase de certeza que não.
Será que Lobo Antunes alguma vez LEU Fernando Pessoa? Quase de certeza que não.
O que pode fazer desmoronar, matar mesmo, uma admiração imensa? Dá que pensar - uma vez mais - a importância da palavra, não só dita, mas escrita, aquela que nos entra casa dentro sem autorização.
Neste caso concreto, para mim a "morte" de Lobo Antunes, como um dos eleitos, está nas palavras por ele escritas, que transcrevo no excerto abaixo.
"O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor".
A causa deste desencanto não está na última frase que chocou muitos de nós, isso é um fait divers muito ao jeito de Lobo Antunes, o que choca é a forma como vê/trata um dos nossos maiores. Pode não gostar, está no seu direito de criticar, assim como está no seu pleníssimo direito, e diria mais, até "obrigação" de mostrar, de forma inequívoca que, de Fernando Pessoa, nunca entendeu nada.
NOTA: Fotografia e texto retirados do Observador.
















