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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Ascensão e queda


Quanto mais alto se sobe na admiração, maior é a queda no desencanto.



Sempre admirei Lobo Antunes.
Tenho quase toda a sua obra. Sempre o li com o maior prazer, nalguns casos com verdadeiro encantamento, mas... ?! 

Dá que pensar a situação agora surgida. Faz-nos questionar sobre o entendimento, ou não, daquilo que se lê. 
Será que Lobo Antunes alguma vez LEU Fernando Pessoa? Quase de certeza que não.

O que pode fazer desmoronar, matar mesmo, uma admiração imensa? Dá que pensar - uma vez mais - a importância da palavra, não só dita, mas escrita, aquela que nos entra casa dentro sem autorização.

Neste caso concreto, para mim a "morte" de Lobo Antunes, como um dos eleitos, está nas palavras por ele escritas, que transcrevo no excerto abaixo. 

"O livro do não sei o quê [Livro do Desassossego] aborrece-me até à morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor". 


A causa deste desencanto não está na última frase que chocou muitos de nós, isso é um fait divers muito ao jeito de Lobo Antunes, o que choca é  a forma como vê/trata um dos nossos maiores. Pode não gostar,  está no seu direito de criticar, assim como está no seu pleníssimo direito, e diria mais, até "obrigação" de mostrar, de forma inequívoca que, de Fernando Pessoa, nunca entendeu nada. 

NOTA: Fotografia e texto retirados do Observador.

sábado, 6 de junho de 2015

Porque é urgente!

Hoje recuso-me a pensar:                                                                              
- nesse;
- nesses;
- naquele;
- naqueles;
- ...;

Ah, o feminino aplica-se a qualquer dos casos.
Pois!

Querem completar acrescentando os nomes?
Já está?
Óptimo, acertaram em todos, sem falhar um.

Não, este fim-de-semana não quero pensar em nada daquilo que me incomoda sobremaneira!
Egoísmo? Não, salvaguarda da saúde mental!

Hoje sugiro:

- que leiam o último livro publicado por Gonçalo M. Tavares e mencionado abaixo:

 
Adquirido ontem, ainda estou no início, mas...? Mas já deu para perceber que é daqueles que não permitem grandes esperas, que apetece ler de um fôlego.
 
- que continuemos a ouvir Andrea Bocelli, desta vez acompanhado por Jennifer Lopez.
 



Mais do que uma sugestão, é uma ORDEM.

Façam o favor de ler e ouvir, pode ser? É que tudo o que contribua para o nosso apaziguamento é obrigatório!

Sim, as "ordens" também se pedem por favor!...

Votos de bom fim-de-semana
para todos vós, Amigos que por aqui passem!



 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Correntes d´Escritas 2015

Teve lugar no Cine - Teatro Garrett, na Póvoa do Varzim,  de 25 a 28 de Fevereiro, a 16ª edição do Correntes d´Escritas 2015.




“O poder das palavras faz-se de liberdade e silêncio” foi o mote da Mesa 3 que, esta tarde, reuniu António Cabrita, Clara Úson, Manuela Gonzaga, José Mário Silva e Vergílio Alberto Vieira, moderados por Michael Kegler."
Só o mote já nos faz pensar, e muito!
Para aqueles que gostam destas "lides" e pretendam saber mais, por favor, sigam-me, é por aqui.

Nota: Itálico meu.

Ah, mas há mais!

Que tal este Chapéu? Ora façam o favor de se ver/ouvir/sonhar.



 
Gostaram? Óptimo!

Continuação de bom fim-de-semana para todos vós, Amigos que por aqui passam.

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

De mim para mim!

De mim para vós, numa partilha que me faz sentir bem.

Para que conste.
Hoje, comprei:
"Isto".



Eis uma das faixas:




E mais "isto", uma reposição (uma, entre tantas) de um desaparecido na voragem da mudança.


Abro, ao acaso, e:
 
"Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor à minha ideia de os achar belos.
Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos (...)"

Pessoa, Fernando (2014). Livro da Desassossego. Lisboa. Tinta de China, pág. 74

Depois? Bem, depois era inevitável!

 
Igualmente ao acaso:
 
" - Dama de quê?
     a minha irmã feia, eu assim assim que a beleza não é o nosso forte, nenhum namorado que eu saiba, os homens não a olhavam na rua, a minha avó com pena
- Infelizmente não tem gracinha nenhuma
      parecia sempre fevereiro em torno dela no género dessas paragens de autocarro que os transportes esquecem com uma criatura de saquito de supermercado o dia inteiro à espera no banco como esperam nos hospitais, nos correios, tanto sítio para esperar neste país, tao pouca coisa que vem  e quando vem é engano
- Não é para o senhor desculpe"
 
Antunes, António Lobo, (2014). Caminho como uma casa em chamas. Lisboa. Publicações D. Quixote. pág. 224.
 
 
 

domingo, 27 de julho de 2014

Kafka reposto, Kafka revisitado


Mais um livrito que tinha desaparecido na loucura da mudança. Ei-lo, de novo, no lugar que lhe compete, ou seja, a estante.





Ora muito bem!
Perante a alegria do reencontro, deixo-vos o convite/sugestão.
 
Por favor preparem um belo sumo de laranja, mas natural. Num pratinho, de preferência bonito, coloquem umas deliciosas bolachinhas de manteiga, daquelas bem estaladiças.
Um tabuleiro, sumo e bolachas lá colocadas, e eis-nos a caminho do sofá.
Tudo pronto? Óptimo!

Sentemo-nos, pois, e vejamos o belo filme baseado no livro reavido.
 





"Vejo" uns sobrolhos que se franzem, uns narizitos torcidos. Será apenas impressão minha?!

De certeza que sim!
 
 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

LIVROS!

Mestres.
E companheiros, e amigos que nos levam alma(s) fora, mundo(s) fora. Que ensinam, mas também aconchegam. Que nos prendem numa qualquer magia resultante dessa coisa singela como a união das letrinhas, uma a uma.
E depois é o vocábulo, e depois a frase, e depois...  
 
 

 
"O meu pai, Steindór, põe palavras nas mãos e elas começam a piar e são iguais às andorinhas. Vão embora com elas. Para sempre. Palavras para sempre. Rimos muito. Conversávamos assim e ríamos muito. Algumas palavras, depois, têm outras como filhas. Andam acompanhadas delas e ensinam-lhes a brincar e a serem felizes. Quando passam os bandos a voar, o meu pai diz que é um texto. Diz que o podemos ler."
Mãe, Valter Hugo. (2013). A Desumanização. Porto. Porto Editora. (pg. 68).

E permitem-nos o sonho.
E permitem-nos visitar mundos e gentes.
E permitem-nos conhecer Pensadores, Homens vários. Vários no sentir, vários na forma de ver e estar no mundo: Homens.
 
Livros. O grande suporte, a maior "descoberta" e herança do Homem.

Nota. Itálico do texto meu.


    

sábado, 12 de janeiro de 2013

Ler

O acto de ler tem qualquer coisa de mágico.
Quando crianças, começamos por aprender o significado de uns "desenhos estranhos", uns "desenhos" que nos ensinam chamar-se letras, mas que nossa pouca idade não nos permite entender. 
Depois, lentamente, devagar, entramos de mansinho nesse novo mundo. E aprendemos o significado de cada letrinha, e aprendemos a juntá-las uma a uma. E aprendemos e ler uma palavra, e depois outra e outra e outra e mais outra.
Depois?
Depois é o deslumbramento!
Depois é querer ler, mais e mais, de forma sôfrega, louca. 
Depois é o querer agarrar o mundo através da leitura.
Depois é querer conhecer o Homem, o Mundo, conhecer tudo como se tempo nos escapasse.

Depois?
Depois aquilo que é um prazer começa a funcionar como se fosse um vício. 
E são os livros que se compram uns a seguir aos outros. 
E é a estante a abarrotar.
E é o frenesim de querer ler tudo de uma só vez!

E é o prazer único de ler Homens maiores. Homens de nos escacaram as portas da Alma, Homens que nos arrastam, que nos fazem mergulhar, partilhar das suas dúvidas, certezas, visões do mundo, visões do Homem.




Acabei de ler A ilha, de Sándor Márai. 
Notável, belíssimo. Atrevo-mo a salientar o último Capítulo e o espantoso diálogo com Deus.

Um pequeníssimo excerto:

"Sentou-se na margem da clareira, em frente da cidade e do mar aberto (...). Invadiu-o uma satisfação peculiar: agora que estava finalmente sozinho podia falar com Ele em privado (...). 'Sabes, na realidade não tenho passado bem, disse em tom confidencial', (...) 'Não é verdade que as grandes dores são insuportáveis... O que não se pode aguentar são as pequenas (...). 'Separadas nem se notam, insisto, apenas em conjunto são insuportáveis.' (...) A tua obra, no seu conjunto, é capaz de ser perfeita, não sei. Mas os pormenores são imperfeitos."

in, Márai, Sandór. (2012). A ilha. (pp. 147-149). Alfragide: D. Quixote.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O mundo das Letras, o mundo do nosso contentamento!

Estamos perante uma nova geração de escritores que nos enche de orgulho, um orgulho bom, cúmplice, comungado por todos nós, os amantes das Letras.


Vejamos:

Nuno Camarneiro 


 É distinguido com o Prémio Leya 2012, com a edição do seu segundo livro, intitulado Debaixo de algum céu.


José Luís Peixoto 




Em 2001, recebe o Prémio Literário José Saramago com o romance Nenhum Olhar. 
Em 2007, com o romance Cemitério de Pianos, é-lhe atribuído  o Prémio Cálamo Otra Mirada, atribuído ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. 
Em 2008, recebe o Prémio de Poesia Daniel Faria, com o livro Gaveta de Papéis.



Valter Hugo Mãe 


                                      É o grande vencedor do Prémio Portugal Telecom 2012

Gonçalo M. Tavares


Vence o Prémio Fernando Namora 2012

Se bem que de uma geração anterior Lobo Antunes, através da sua belíssima escrita, é uma presença, uma companhia indispensável.




 Numa outra vertente que não o romance, convido-vos a ouvir Os mortos dos retratos, letra escrita por Lobo Antunes para o disco Moda Impura, cantado por Vitorino & Janita Salomé.  



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Imperdível


Por que não aceitar o convite da Bertrand?



Aqui fica o desafio.
Um belo Programa, não acham?!|

Mais informações? Eis o site:  http://ler.blogs.sapo.pt/


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Livrarias

Entrar numa livraria, um espaço onde o livro é o elemento nobre por excelência, é como que entrar numa Igreja.
Há ali respeito, há ali saber, há ali prazer intelectual prometido. E há silêncio, e há recolhimento.
 


Há qualquer coisa de sagrado neste espaço.
 
 
E é a magia.
 

A beleza da arquitectura como que nos esmaga.
 

O recanto, o intimismo, o convite à leitura. 


 
E nós rendidos, e nós presos à leitura da obra daqueles "deuses", Homens maiores que nasceram para nos presentear com a beleza da sua escrita, da sua inteligência, da sua clarividência, do seu conhecimento acerca da complexidade que é o Ser humano.
 
"deuses"? Muito poucos atingem esse patamar. Um número infímo, os eleitos.
 
Leiamos, pois!
 
Nota: Fotos da Livraria Lello, no Porto, retiradas do Google.