Quando a realidade dói, destrói.
Quando a vida se tornou, para muitos, um pesadelo.
Quando?...
"Ele estava desempregado há muito tempo.
Tinha filhos e do trabalho restavam cadilhos. E da fome sobravam rastilhos.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.
Ele estava desempregado há mais tempo do que sabia, e mesmo se não queria, tinha filhos, aceitou.
Logo ali no cepo a deixou.
A mão, a mão, a mão.
Outra vez despedido de novo procurou emprego.
Só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão, aquela que te resta, a segunda mão.
Ele estava desempregado, tinha filhos, aceitou.
Porque o tempo lhe fugia entre os últimos dedos lhe fugia,
a mão, o tempo, a mão.
Porque o tempo lhe fugia, entre os últimos dedos lhe fugia,
a mão, o tempo, a mão.
E quando um dia lhe disseram; só tens emprego se te cortarmos a cabeça.
Ele estava desempregado há mais tempo do que podia, tinha filhos, aceitou, e baixando a cabeça, aceitou.
Porque o tempo lhe fugia, entre os últimos dedos lhe fugia,
a mão, o tempo, a mão."
Autoria: Gonçalo. M. Tavares.
E é mágoa, e é a revolta pelo sofrimento infligido àqueles que não têm qualquer
responsabilidade neste descalabro !
responsabilidade neste descalabro !
Gl,
ResponderEliminarEste texto é sério, tal como toda a situação que nos envolve e julgo que deveríamos reflectir com muita atenção no que ele nos diz (e se possível agir, não mudamos o mundo mas podem mudar uma vida).
Abraço
O texto remete para dois dos maiores dramas da actualidade: o desemprego e a escravatura daí resultante.
Eliminar"Escravatura", perguntará?
Sim! Muitos, se querem manter o triste emprego que têm são obrigados a aceitar as "regras dos jogo" que lhes são impostas, regras que têm em vista tudo, excepto o respeito, excepto a justiça.
Quem de direito está atento?
Abraço.
Todos nós, para poder denunciar esses casos.
ResponderEliminarAbraço
Sim, estamos!
EliminarOu devemos estar.
E "quem de direito" tem em conta as nossas denúncias?!
Ups!!!
EliminarAbraço grande.
Um texto arrepiante, mas retrata bem o desespero e a necessidade de cumprir os compromissos aos quais não se pode fugir. Quantas pessoas não se vêem forçadas a aceitar empregos duvidosos só porque têm que assegurar a sua subsistência e a dos seus familiares! Infelizmente, com a falta de empregos e a grande competitividade, estão a acontecer situações alarmantes que julgávamos já abolidas do vocabulário deste século: a escravidão!...
ResponderEliminarEsperemos que haja um repensar dos comportamentos da sociedade e que este palavrão negro e horroroso seja substituído por "Alegria no Trabalho e Alegria de Viver a Trabalhar".
Vou tentar saber mais sobre o autor deste texto, pois tem uma visão da sociedade muito realista.
Um beijinho para si e bom-fim-de-semana.
O período que estamos a viver é dramático, todos sabemos isso, só que há situações que ultrapassam tudo, que vão para além do tolerável, e o desemprego com o seu rol de consequências é uma delas.
EliminarO drama que a grande maioria vive, o desrespeito transversal a todas as faixas etárias, a falta de esperança comum a todas elas, é qualquer coisa de intolerável.
Não, não me conformo!
Beijinho.