O primeiro número da Granta (que recomendo vivamente) publica uma série de poemas inéditos da autoria de Fernando Pessoa.
Aqui fica um, seleccionado ao acaso. É que gosto de todos!
[QUE POSSO EU DAR]
"Que posso eu dar ao teu destino? Nada.
Nem eu mesmo sou feito para dar.
Encontrei-te na curva de uma estrada
E esqueci-me de curva e do logar.
Se havias de mandar no meu andar,
Saberias a hora da chegada,
Nem tudo fica, como o chão, na estrada
E não ha mais que ver ou que buscar.
Perfeitamente conhecedor d'isto,
O juizo humano em minha companhia
Não descobre a visão de que consisto,
E entre visões, aliás, a gloria passa
Como a ultima saudade que ha no dia
E o ultimo sonho, e a última desgraça.
16/10/1929"
in, Granta Portugal / dir. Carlos Vaz Marques. Nº 1 (Maio de 2013): Lisboa: Tinta da China, pág. 113
Nota: Não transcrevo a nota de rodapé constante na Granta. A mesma remete para a hipótese deste poema estar relacionado com o namoro de Fernando Pessoa e Ofélia Queizoz.
BOM FIM-DE-SEMANA!

Excelente ideia.
ResponderEliminarBom fim-de-semana
Obrigada.
EliminarBoa semana.
Já tinha lido este poema que muito aprecio.
ResponderEliminarFernando Pessoa é uma paixão antiga.
As Cartas a Oféilia é o que gosto menos. Preferia que elas se mantivessem em segredo.
Bom fim-de-semana!
Beijinho.
Pois, as Cartas a Ofélia!...
EliminarPartilho da sua opinião. Há sentimentos que não deviam ser devassados.
Contudo, e se alguma vantagem há, é a de conhecermos o nosso Pessoa inteiro, tal qual era, quer na genialidade, quer na infantilidade que a paixão não perdoa.
Boa semana.
Beijinho.
Pessoas
ResponderEliminarsempre
Pessoas.
EliminarUmas mais pessoas do que outras!
Também gosto deste poema. Quanto às cartas a Ofélia, penso como a GL, há sentimentos que não deviam ser devassados, mas a vantagem é a de ficarmos a conhecê-lo melhor por dentro e por fora!..
ResponderEliminarUm beijinho
Pessoa é, um dos nossos poetas maiores.
EliminarFrase feita, dirá. Mas não. É que lé-lo é sempre um deslumbramento, e isto pela sua imensa capacidade de continuar a surpreender-nos.
Beijinho.
Olá "GL",
ResponderEliminar"Granta"...não quer falar mais um bocadito dela?
Abraço grande
Olá,
EliminarUi, que atrasada estou na(s) resposta(s)! As minhas desculpas, mas ando tão preguiçosa!:)
Por certo já comprou a "Granta", portanto tudo o que lhe possa dizer é desnecessário.
Como vê o tratamento que é dado ao "Eu"?
Afinal, o que é o "Eu"?
Abraço grande.
Olá Gl,
EliminarNão comprei a "Granta", mas não faz mal, eu investigo por aí, embora saiba que será difícil.
O "Eu"?
Não sei, por vezes "Eu" não é nada!
Esqueci-me do abraço grande!
EliminarUma questãozinha, pequenina, pequenina. Posso?
EliminarA "Granta" esgotou? E vai investigar o quê?!
Muito bem!
Colaboram neste 1.º volume nomes como:
Dulce Maria Cardoso, Valério Romão, Saul Bellow, Hélia Correia, Ricardo Felner, Fernando Pessoas, Ryszard Kapuscinski, Afonso Cruz, Daniel Blaufuks, Simon Gray, Rui Cardoso Martins, Orhan Pamuk, Rachel Cusk e Valter Hugo Mãe.
Tenho certeza que conhece alguns destes nomes.
Temos várias análises do "eu", desde as mais simples, às mais elaboradas.
Óbvio, dirá!
O "eu"?
Temos o "eu" individual e "eu" colectivo, o "eu" que exercido sobre o(s) outro(s).
Simplista esta "explicação"? O mais possível!
O "eu" não é nada? Uma abstracção? Considera isso possível?
Esquecia-se do abraço?
Imperdoável!
Abraço grande, grande.
Obrigado, GL, por "responder" à minha questão.
EliminarRelativamente ás suas questõezinhas:
Julgo que não, que a "Granta" não esgotou, mas posso investigar! :)
E porque não um eu como abstracção? Fascina-me!
Abraço grande
(O mail do blog recebe mensagens :))
Não tem que agradecer!
EliminarO "eu" uma abstração? Fascina-o esta ideia? Meu Amigo, esta discussão levar-nos-ia longe.
Para que conste.
O mail do blog recebe, e envia, mensagens...
Abraço grande.
P.S. ...que "eu" é o seu?!