A indiferença, na classificação do Papa Francisco, uma classificação inquestionável.
Quem se preocupa com o drama, a morte e o sofrimento de milhares de imigrantes de Lampedusa?
Estamos perante um dos maiores dramas dos nossos dias, mas...?
Quem procura ajudar aqueles milhares de pessoas? Quem os ajuda a minimizar a miséria em que vivem e da qual procuram fugir?
«Imigrantes mortos no mar, nesses barcos que em vez de ser uma via de esperança se transformaram num caminho de morte», afirmou o papa. Francisco disse ainda que o ser humano actual está imerso na cultura do bem-estar, «que nos leva a pensar em nós mesmos, nos torna insensíveis ao grito dos outros».
in, http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=643266
O olharmos apenas para nós, para os problemas que nos afligem, a preocupação com a nossa própria sobrevivência, (uma heresia, esta classificação!) esta visão limitada ao nosso "mundinho", este centralizar de preocupações, torna-nos cada vez mais pobres: pobres de bens, mas pobres essencialmente de sensibilidade, de solidariedade, de amor pelo Outro.
Por tudo isto não posso deixar de me regozijar com a iniciativa do Papa Francisco em visitar Lampedusa.
Esta visita é muito mais do que isso. É um alertar de consciências ao qual nenhum de nós devia ficar indiferente.
NOTA: Itálico e sublinhado meu.
NOTA: Itálico e sublinhado meu.

Esperemos que se possa ir além do é preciso que algo mude para que tudo fique mesma.
ResponderEliminarEstamos perante um Homem que vai mais além, que está atento à realidade do mundo em que vive. Este facto, por si só, faz a diferença.
EliminarGL,
ResponderEliminarÉ pertinente tudo o que afirma. Olhamos demasiado para o nosso umbigo.
Fez-me lembrar Tomasi de Lampedusa que relatava uma sociedade da sua época. Talvez seja descabido colocar aqui isto mas quando leio um texto faço logo cruzamento de ideias.
Beijinho e obrigada por esta postagem.
ana,
EliminarCada vez mais esquecemos o Outro, espezinhamos, desrespeitamos, viramos a cara porque há coisas que incomodam. Não sou melhor nem pior que ninguém, só não entendo esta forma de estar na vida.
Quanto a Tomasi de Lampedusa? É sempre bom recordá-lo!
Beijinho.
espero que não solte os diabos. que nos habitam braço dado com os anjos...
ResponderEliminarSeja como for, é um bom indício!
EliminarQuantos responsáveis(?) se preocupam com esta, e outras situações semelhantes?!
Também acho que o Papa Francisco está a marcar a diferença e a despertar as consciências deste mundo onde a indiferença, a insensibilidade e a desumanidade estão a ultrapassar todos os limites. É um exemplo a seguir por toda a humanidade.
ResponderEliminarGostei muito desta abordagem.
Um beijinho e uma boa quinta-feira
p.s. Já vi a multiplicação do seu comentário, mas não tem importância.
Tenho uma certa esperança que este Homem não fique indiferente à desgraça, à miséria que aflige milhares e milhares de Seres humanos, e nas mais diversas situações.
EliminarBeijinho.
Que lute contra a indiferença
ResponderEliminarTalvez alguém, alguns, lhe sigam o exemplo!
EliminarEsperança remota, mas esperança.
GL,
ResponderEliminarVenho do blogue Presépio com vista para o cana, só para dizer que adorei saber que partilha o gosto por gatos. Já tive uma gata siamesa e outra persa. neste momento tenho dois que são o negativo um do outro, o mais velho é o retrato do Silvester mas com nariz preto e ela é amorosa. São uma companhia. Aqui fica um poema que adoro. Beijinho.:)
Luva Branca
(Poderia arrumar em prosa a poesia deste conto.
Apeteceu-me alinhar em verso a prosa dele)
O meu gato está velho,
tem dezoito anos.
Deixou a um canto
há muito
o seu novelo de trapos.
Ele tem frio,
tem frio nas suas luvas brancas.
Luvas brancas, sim, luvas brancas,
porque ele é fidalgo
o meu gato.
Mas agora está cansado e velho,
tem dezoito anos.
Ali está, a um canto,
o seu novelo de trapos.
O ratão clássico da fábula
é agora único
e todo-poderoso
senhor das águas-furtadas.
Já lá vai o tempo
-só de lembrar estremece-
em que temia a luva branca
(luva branca de fidalgo,
não esqueçais)
do meu gato.
O meu gato tem frio,
frio nas suas luvas brancas.
A custo pulou para a cadeira
onde costuma dormir a tarde inteira
e lá ficou que tempos
a filosofar.
Porque o meu gato
está velho
e com velhice
tornou-se filósofo.
Pensa muito, creio bem,
no calor de um raio de sol,
do sol que ele outrora desprezava
quando corria
-que ridículo!-
atrás do novelo de farrapos.
O deus do meu gato é o sol.
Porque pensaram também os homens
que o sol é que era Deus?
Deixai o sol ser o deus dos gatos
e procurai
o deus que aquece as almas.
O sol é o deus do meu gato,
mas às vezes,
quando não há sol,
ele põe-se a filosofar
sobre o calor
dos meu joelhos...
e assaltam-no então
tão sérias dúvidas!
O meu gato
está velho
filósofo
tem dezoito anos
e frio nas suas luvas brancas.
Veio ter comigo.
Digo-lhe:
"Pede a um raio de sol
que te aqueça".
Há um fio de sol,
um pobre doirado fio de sol
que coa pelo vidro partido
e vai cair
num degrau da escada.
Ali se enroscou
o meu gato.
Mas, quando o raio de sol
fugiu,
veio a correr
pedir calor
aos meus Joelhos.
Fernando Campos
Ana,
EliminarObrigada, muito obrigada!
Penso que só quem os ama como nós entende este amor incondicional, porque reciproco.
Vou tomar a liberdade de postar este poema (espero que não leve a mal) e uma fotografia da minha amiga de sempre.
Beijinho.
Sobre esses imigrantes: uma imagem que nunca esquecerei e em que as palavras do Papa Francisco servem, na perfeição, de legenda.
ResponderEliminarUma praia ao pôr-do-sol. Dois cadáveres - "Imigrantes mortos no mar, nesses barcos que em vez de ser uma via de esperança se transformaram num caminho de morte"- cobertos com plástico. Um polícia com ar entediado e muito perto, demasiado perto, duas toalhas de praia esperam por um jovem casal que joga ténis de praia.
Abraço grande
E não nos devíamos envergonhar?
EliminarA indiferença perante a miséria e o sofrimento alheio é quase obscena. No caso que refere nem a presença, ali ao lado, da morte, alterou comportamentos, acordou consciências.
Perdoe-me, mas apetece-me gritar: QUE RAIO DE MUNDO É ESTE?????
Abraço grande.