domingo, 11 de março de 2018

Menino em desespero...

... e eu? Em fúria.
Mas porque "diabo" sou confrontada com situações destas? Se é para ficar numa revolta sem nome, objectivo conseguido.

O que foi? 
Passo a contar.
Há pouco assisti à seguinte cena.
Uma pastelaria - belíssimos pontos de observação, para quem estiver atento! -, uma mãe e a sua criança, um pequenito com uma idade que deve rondar os cinco anos.
Ela, sentada, telemóvel na mão. O pequenino, andou por alí, às voltas de um lado para o outro, mas ela, a "mãe", completamente abstraída do mundo, filho incluído.


Fonte: Google

A determinada altura a criança começa a chamá-la, a puxá-la, a abraçá-la, mas ela, a "mãe", nem o ouvia.
E o menino insistia: mãe, anda, vamos dar uma volta, mãe, mãe...
A resposta, durante um período de tempo que foi muito para além do razoável, foi zero.

Que raio de sociedade é esta em que um miserável telemóvel tem mais importância que um filho? A troca de mensagens devia ser super importante, pelo tempo que levou...

Que raio de sociedade é esta em que os valores estão a ser completamente invertidos?
Que raio de sociedade é esta em que o que importa é o acessório: o "diz que diz", o que A fez, o C deveria ter feito, o que B vestiu e despiu, etc., etc. Isto é o quê? Para onde caminhamos? Para uma alienação total? Estamos lá perto, mas tão perto! Será que ninguém se apercebe disso?!

E os nossos adolescentes? Terão/teremos, muitos de nós verdadeira consciência, e conhecimento, do mundo deles? Um mundo não só verdadeiramente assustador, como perigosíssimo. 

Se estiverem interessados em conhecer melhor este universo leiam o livro, O Fim da Inocência, da autoria de Francisco Salgueiro, que é - pelo menos para mim, foi - um verdadeiro murro no estômago. Aconselho, muito vivamente, que todos os Pais, principalmente os que têm filhos adolescentes, a lerem-no.

Aqui fica a capa. 



Se algum de vós o ler, gostaria de saber qual a vossa opinião. Um espanto, um susto, uma revolta sem nome o que se passa, o drama que é a vida de muitos dos nossos jovens.

Será que os Pais começam a demitir-se quando os filhos ainda são crianças, como a cena que presenciei hoje, e continuam a "assobiar para o lado" sem parar, um pouco que seja, para conhecer/perceber/saber/orientar a vida deles?
Pobres filhos, que tais Pais têm!

NOTA: As aspas, colocadas quando me refiro à mãe, ainda são poucas. Mãe?!... 

12 comentários:

  1. A maior responsabilidade da minha vida, e a minha maior felicidade, é cuidar das minhas filhas.
    Não percebo essa gentinha :(
    Bjs, boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ninguém, por mais frio que seja, percebe estas atitudes para com os filhos. É que esta postura é contra natura, tão simples como isso!:(
      As tuas meninas? Ui, para ti são sagradas, dá para perceber esse amor imenso!:)

      Bom fim-de-semana.
      Beijinho para todos.

      Eliminar
  2. Pois também te digo que devemos ser mais participativos na ou com a sociedade. Já vi situações dessas e chamei a atenção das mães e continuarei a fazer sempre que me deparar com coisas idênticas e olha que até hoje a reacção foi de espanto...e desligam dando atenção aos miúdos.

    Há dias duas jovens adolescentes vinham a teclar e nem sequer pararam na passadeira. Eu vi-as e parei mas dei uma buzinadela que as assustou e uma deixou cair o dito que ficou em mil pedaços. Abri o vidro e falei o que falei...e acho que aprendeu a lição porque pediram desculpa e que eu tinha muita razão.

    Quanto ao livro não li.

    Mantenho os livros de Daniel Sampaio que por vezes releio porque foi uma ferramenta muito útil e sempre actual. Há pais e pais assim como avós e avós e fazendo parte de uma sociedade também temos a nossa quota de responsabilidade, e volto ao início, porque devemos ser mais interventivos...julgo eu de que...

    Beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esse pode, deve se o caminho: participar de forma activa na sociedade em que vivemos, mas Fatyly, estas mães não são já demasiadamente crescidinhas para aprender? Que tristeza! Então não sabem o óbvio?

      Com as adolescentes é outra coisa. Essas? Essas, muitas delas andam tão perdidas, mas tão perdidas!:(

      O livro peca por excesso de pormenores, quanto a mim desnecessários, mas que é um belo alerta para pais - temo que seja para a maioria! - lá isso é!

      A abordagem do Daniel Sampaio é outra: mais técnica(?), digamos assim, mais rica de ensinamentos de outra ordem, Francisco Salgueiro é mais terra a terra, é o expor de forma crua uma realidade que roça o "absurdo".

      Beijinhos.

      Eliminar
  3. Quem não cuida dos filhos saberá cuidar de alguém?
    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quero crer que não, muito provavelmente nem deles próprios.

      Beijinho.

      Eliminar
  4. Li o livro...

    Abraço grande

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Leste? O que te pareceu? Achas que ajudará/alertará os pais para problemas demasiadamente sérios, ou pensas que muitos já têm consciência dos mesmos e relativizam? É que isso ainda seria mais grave.

      Como refiro acima, na resposta dada à Fatyly, o livro peca pela descrição de pormenores que não interessam rigorosamente nada mas, na essência, quer-me parecer que cumpre o fim a que se propôs.

      Abraço grande.

      Eliminar
  5. Vai na volta. GL, estaria a falar, teclando, com o pai do filho. Não sei, digo eu, que por vezes acho que temos que considerar todas as hipóteses...

    É quase impossível perceber o que se passa na vida das pessoas, quando não sabemos concretamente a razão de se ter esta e, não aquela, postura. Os pais mais jovens, não sei se é o caso, também já estarão mais envolvidos nesta era das novas tecnologias. É, inclusive, o próprio Estado que nos empurra a todos para esse lado, veja-se o caso de se ter acabado com a entrega do IRS em papel quando uma grande parte do povo português não saberá muito bem como funciona um computador. Nos dias que correm muita gente também já trabalha através de um écran de um iphone, de um smartphone, de um computador, não nos esqueçamos disto também. Quem não sabe, não quer, entrar no comboio da evolução é deixado para trás, o que não convém quando se tem crianças para alimentar e educar.

    Resumindo, talvez o mais importante seja o equilíbrio, saber que é importante nos dias que correm manusear isto das novas tecnologias mas, não esquecer o papel fundamental de ser pai e mãe, de olhar, de conversar, olhos nos olhos. Acho que conseguimos, não estamos é ainda muito habituados, mas vamos lá. Tenho fé... :)

    ResponderEliminar
  6. Ai Maria, ai, ai! Tanto tempo a teclar com o pai do menino? "Nã", "nã", não acredito!:(
    Mas ás vezes, quem sabe?! Supondo que era isso já estamos perante três opções: telemóvel, pai e menino.
    Pai. Assunto sério, em princípio - que sei eu! - não se trata teclando. É urgente? Liga-se e fala-se, é muito mais rápido, é que o terceiro elemento, o FILHO, deveria ser o primeiro. Esta inversão de prioridades, por si só, não é assustadora?

    Maria, essa da exigência da entrega do IRS em suporte papel é de bradar aos céus. Mas em que mundo vivem os nossos governantes? Tive esperança que, aquando dos incêndios, a ida ao terreno lhes mostrasse o País real, mas não, continuaram a desconhecer a realidade.
    Como é que a maior parte daquelas pessoas resolve esse problema? Sem mais comentários!:(

    Saber utilizar as novas tecnologias não é incompatível com ser um bom pai ou mãe, dar prioridade às primeiras é que se me afigura intolerável.

    Tenha uma boa noite Maria. É sempre muito gratificante recebê-la neste humilde cantinho.:) Já sabia? Acredito!:)



    ResponderEliminar
  7. Sinal da involução... dos tempos actuais... em que o supérfluo, toma o lugar do essencial... e vice-versa...
    Uma situação, a que também já tenho assistido... com alguma frequência!... E que nem Freud explica... pois no seu tempo... não haveria estas tecnologias... que nos roubam tempo e atenção, do que deveria ser fundamental!...
    Beijinho! Bom domingo e uma excelente semana!
    Ana

    ResponderEliminar
  8. Fico bem feliz pelo nosso reencontro!
    Eu presenciei algo semelhante numa paragem de autocarro e sofri imenso!
    Caiu -se num exagero inaceitável!bj

    ResponderEliminar