sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Mas às crianças, Senhor...?!

Abomino os "dias de...", e quem me conhece já me ouviu/leu dizer isto n vezes, mas este DIA? Este é a excepção!
 
É hoje lembrado, - não celebrado - o Dia da Criança com Cancro. Preferia que fosse denominado o dia da "Criança Doente", isto porque há patologias que...?! Meu Deus, só quem nunca visitou um hospital pediátrico pode estranhar esta interrogativa! Não se minimizam umas para valorizar outras, nada disso, mas, Amigos, há dramas, sofrimentos, que muitos de nós nem sonhamos.
 
Uma criança doente, com uma qualquer patologia grave, devia ser proibido. Sou crente, mas perante certas situações?!... Não há palavras que digam da revolta.
E interrogo-me onde andará Ele, que "distrações" tem, que lhe permitem que uma CRIANÇA seja sujeita a um verdadeiro calvário  na terra?!
 
"(...)
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas às crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!"
 
in, Balada da Neve, de Augusto Gil
 
Nunca terei resposta, NUNCA entenderei este mistério.
 
Para esses meninos, para os Pais desses meninos, fica o abraço que, gostaria, fosse de esperança, de consolo.
 
Queria poder segredar, ao ouvido de uns e de outros: "vai passar, tudo isto vai passar. São só um mais uns dias, mais uns dias, mais uns dias,  
 
Força, pequeninos. Força pais.
Como é isso possível? Onde vão buscar essas força? Não sei, não faço ideia! Mas sei, sem qualquer espécie para dúvidas - conheço alguns -  que há pais que se agigantam, que vão buscar forças não se percebe onde, que são verdadeiros heróis, que lutam pela saúde/recuperação dos seus meninos, uma luta desigual mas que não os derruba.
  
Quero que saibam que estou convosco nessa luta, nesse sofrimento. Isto ajuda alguma coisa? Não, sei que não, mas é tão sentido!...
 
 

16 comentários:

  1. Os meus filhos são voluntários no IPO em pediatria e sei que andam sempre com o coração apertado na tentativa de ajudar as famílias que têm uma criança com este problema!
    Relembrar que elas merecem tudo o que as façam bem fortes nesse caminhar!!! 💞

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    1. Um agradecimento sentido aos teus filhos. Tudo o que fizer em prol destas crianças, e dos seus pais, merece toda a nossa gratidão.

      Um beijinho muito especial para eles, outro para ti, Gracinha.

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  2. Subscrevo inteiramente e sei bem o calvário de alguns pais que acompanhei cujos filhos dois com sucesso, hoje já crescidos e outros que infelizmente partiram.

    Beijos e um bom fim de semana

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    1. Um drama, querida Fatyly.:(

      Regozijo-me pelos que venceram a batalha, não tenho palavras em relação aos que partiram. Uma tristeza sem nome, essa "ceifa" antecipada.:(

      Beijinho, Amiga.

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  3. Quando alguém quiser definir HORROR não precisa de dizer mais nada :(
    Boa semana

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    1. Nem mais, Pedro!:(
      Perante estas situações quem é que não se interroga - mesmo os crentes - sobre os desígnios de Deus?!

      Abraço, Amigo.

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    2. Nós! Nós nunca nos interrogámos sobre os desígnios de Deus. É por isso que são "desígnios".
      Nada é nosso, tudo é Dele. Ele dá, Ele tira, ponto final. Deus é Deus, aconteça o que acontecer. E no meu caso, não se pode dizer que "falar é fácil", porque senti na pele que podia perder a minha filha. E ainda não se pode dizer que esteja livre de outro cancro muito em breve, os estudos são inconclusivos e as idas ao IPO mensais. A fé, quando verdadeira, não se abala. Pode não nos ajudar em nada, mas Deus é sempre infinitamente BOM. E fiel.

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    3. Essa aceitação será a benção maior? É provável que sim, ainda não alcancei esse "patamar".
      Ver uma criança sofrer...?!

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    4. A "bênção maior" é ser Mãe/Pai, ver nascer um filho, deixar descendência. A fé, ou se tem por completo, ou não é nada.

      "Aceitação"? Não! É fé. A minha mulher tem fé. Nem é inabalável, nem outra coisa, é fé e ponto.

      Abraço,
      Pastor Isaac Suárez de García Santana.

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    5. No primeiro ponto não posso estar mais de acordo: ser Mãe, ser Pai é, de facto, a benção maior.

      Mas - e como gostaria de ter essa fé! - vêr um filho, vêr crianças como ainda ontem vi numa reportagem, que são completamente dependentes dos pais, meninos que nem sabem o que é vida, isto porque "não estão cá", tal a gravidade, não só física, como psicológica que os afecta, meninos com uma vida(?) coartada, meninos que só têm por futuro, sofrimento?!...
      Respeito, se respeito a vossa fé, mas não consigo não questionar Deus.

      Vou agora à missa, e vou porque me sinto bem, porque, no fundo também tenho fé, só que ainda não atingi esse patamar.

      Ore por mim, Pastor, peço-lhe. Nem imagina o quanto gostaria de ver estes meninos com outros "olhos". Os adultos já consigo, mas as crianças...?!

      Abraço grato. Um imenso prazer vê-lo por aqui, acredite.

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  4. Nunca mais somos os mesmos, nós, os pais. Mas é a María Constança que nos dá força, do alto dos seus quatro anos, é uma guerreira. Continua sem medo de hospitais, como sabe. Aliás, ela adora hospitais. Se Deus permitir que ele fique por cá, não tenho a menor dúvida de que será médica.

    Apesar de tudo, a nossa fé nunca foi abalada. E houve momentos em que a nossa menina esteja por um fio. Muitos momentos, até.

    Sabe disto tudo, e muito mais. A menina também é sua, é de quem a ama.

    Abraço apertado.
    A Mãe dos oito.

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    1. A resposta ao teu comentário saltou um "andar", mas encontrá-la-ás fácilmente.:(

      É o que faz responder via telemóvel.:(

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    1. Resistir é a única hipótese de salvação?!
      A força surge nem se sabe de onde.:(

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  6. Regra geral são eles, os pequeninos, que dão força aos Pais, e a maravilhosa María Constança é disso exemplo.

    Hoje, e graças a Deus, a nossa guerreira está bem. E o que "cresceu" em termos de solidariedade e partilha?! As crianças sujeitas a estes sofrimentos como que "amadurecem" prematuramente.

    Deus a guarde. Que a vida não lhe pregue mais nenhuma partida.:(

    Beijinho para todos.:)

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  7. Uma doença... que pode atingir qualquer pessoa, em qualquer altura... deveria de haver então, o Dia Do Doente Oncológico... sempre seria mais abrangente...
    Praticamente uma grande parte da minha infância foi passada nos corredores do IPO aqui em Lisboa... durante 7 anos, o meu pai lutou contra um tumor no cólon... fez-me um bem danado, assistir a muita coisa que vi... aprendi muito cedo, a dar importância, ao que realmente a tem... e a desvalorizar muitas outras coisas...
    O sentido da vida... e o valor da vida... aprende-se naquele edifício... todos os dias... com quem está condenado... e com quem arranja forças para se salvar...
    Beijinho
    Ana

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